Seminário do setor têxtil discute relações comerciais entre Brasil e EUA

Abril 28, 2008

Os secretários Executivo e de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Ivan Ramalho e Welber Barral, e a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, participarão, amanhã (29/4), em Washington (EUA), do evento “Textiles and clothing: U.S.-Brazil Dialogue on the Challenges of Globalization”, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

O secretário Welber Barral representará o MDIC na mesa redonda que tratará do tema “Relações Brasil-EUA e Iniciativas Promovidas pelo Setor Privado”. Também participa da mesa redonda, pelo lado brasileiro, o presidente da Agência Brasileira de Apoio às Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira.

O seminário tem o objetivo de promover discussões entre as indústrias têxteis e de vestuário dos dois países, discutindo temas como desafios e oportunidades para o desenvolvimento de cooperação mútua, facilitação de comércio e investimentos, aumento da competitividade, pesquisa e desenvolvimento, inovação, criação de postos de trabalho e inclusão social. Às 15h30, será realizada entrevista coletiva com a participação de Ivan Ramalho.

Serviço:
Textiles and clothing: U.S.-Brazil Dialogue on the Challenges of Globalization
Horário do evento: 9h30 às 15h30
Local: Ronald Reagan Building – 1300 Pennsylvania Avenue, Polaris Suite.

 

Fonte: MDIC


Apex-Brasil apóia evento de moda em Minas

Abril 28, 2008

A Apex-Brasil, em parceria com ABIT e Abicalçados, apóia evento de moda em Minas Gerais e trazem jornalistas e compradores estrangeiros para conhecer lançamentos.

O Minas Trend Preview acontece de 29 de abril a 4 de maio, no Condomínio Alphaville, em Belo Horizonte e contará com a participação de mais de 90 empresas.

Minas Gerais mostrará ao Brasil e ao mundo que moda não se restringe a São Paulo e Rio de Janeiro. Durante seis dias, o Minas Trend Preview, um dos maiores eventos do setor no país, reunirá importantes marcas brasileiras e mineiras de roupas, calçados, jóias e bijuterias que apresentarão sua nova coleção ao público em geral, compradores e jornalistas estrangeiros convidados. Nessa edição, empresários e jornalistas internacionais estarão no evento.

A vinda de 5 correspondentes e 4 compradores integra ações de imagem e negócios do projeto desenvolvido pela Apex-Brasil, ABIT (o Texbrasil) e Abicalçados (o Brazilian Footwear). Os programas foram criados com o objetivo de apoiar e preparar as empresas do setor para apresentar, de maneira organizada, os produtos brasileiros no mercado internacional.

A idéia é mostrar o dinamismo desse segmento no Brasil. Segundo a Abit, atualmente, a indústria brasileira ocupa a 6ª posição no ranking mundial de produtores têxteis e confeccionados. Os investimentos têm gravitado em torno de US$ 1 bilhão/ano em máquinas, equipamentos, tecnologia, design e pesquisa. Resultado: o setor investiu, modernizou-se e transferiu esses benefícios para o consumidor brasileiro, através de produtos de melhor qualidade. No ano passado, a indústria têxtil exportou US$ 2,3 bilhões.

O mesmo bom desempenho é constatado no setor calçadista brasileiro, considerado o 3º maior produtor mundial e o 4º maior exportador. Segundo a Abicalçados, o Brasil possui, hoje, em torno de 8 mil fábricas de calçados, que são responsáveis por mais de 300 mil empregos formais. No ano passado, o país exportou US$ 1,91 bilhão, o que representa 177 milhões de pares.

No caso das jóias, segundo o IBGM, o Brasil é internacionalmente conhecido pela diversidade e pela grande ocorrência de pedras preciosas em seu solo. É o segundo maior produtor de esmeraldas e o único de topázio imperial e até recentemente de turmalina Paraíba. Também produz, em larga escala, citrino, ágata, ametista turmalina, agua-marinha, topázio e cristal de quartzo. Atualmente, estima-se que o país seja responsável pela produção de cerca de 1/3 do volume das gemas do mundo, excetuados o diamante, o rubi e a safira. É considerado, ainda, um importante produtor de ouro.

A edição deste ano do Projeto Comprador, ou seja, a vinda de compradores estrangeiros para conhecer a linha de produção e negociar acordos diretamente com empresas brasileiras, terá a presença de um russo, um colombiano, um suíço e um alemão. Os jornalistas vêm de importantes veículos da Venezuela, Colômbia, Espanha, Estados Unidos e Japão.

Minas Gerais

No momento, a Apex-Brasil atende mais de 4.700 empresas no Brasil, sendo 488 em Minas Gerais. Dos projetos setoriais de âmbito nacional envolvendo acima de 60 setores, 38 incluem empresas mineiras. O total investido pela Apex-Brasil e por seus parceiros (entidades setoriais) nestes projetos totaliza R$ 391 milhões.
Mais informações:

Assessoria de Imprensa do evento
Claúdio - MKTmix
Telefone: (11) 3088-4493

 

Fonte: Agência Brasil


Segurança alimentar não compromete preservação da floresta, afirma ministra

Abril 28, 2008

Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou hoje (28) que a necessidade de produção de alimentos não compete com a preservação da biodiversidade do planeta e que, no caso do Brasil, não é necessário avançar sobre as florestas para garantir a segurança alimentar e expandir a oferta de grãos e carne.

“Temos mais de 166 mil quilômetros quadrados na Amazônia que estão abandonados ou semi-abandonados e podem produzir grãos e carne desde que utilizando tecnologias que já estão disponíveis, sem que se precise avançar sobre a floresta”, argumentou durante entrevista coletiva por ocasião da visita do ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel.
A União Européia, segundo Gabriel, está preparando para este ano uma nova legislação para regulamentar critérios de produção sustentável para os países exportadores de biocombustíveis. “Serão exigidos certos critérios de sustentabilidade dos produtos. Os países que atenderem esses critérios, continuarão com os mercados [europeus] abertos”, anunciou.
Após reunião fechada com a equipe da ministra Marina Silva, Gabriel afirmou que recebeu do governo brasileiro a informação de “que os biocombustíveis não estão pressionando a fronteira agrícola sobre a floresta nem a competição entre a produção de alimentos e biocombustíveis”.
Ele negou que a recente redução do percentual de etanol ao combustível vendido nos postos alemães tenha sido uma “maneira de barrar o etanol brasileiro”, e sim um ajuste à realidade da frota que circula na Alemanha, que, segundo ele, não comporta altos índices de mistura de combustíveis.
“Mas a Europa mantém a meta de até 2020 chegar progressivamente ao percentual de 10% de mistura de combustíveis alternativos aos combustíveis fósseis”, afirmou. Em maio, a chanceler alemã, Angela Merkel assinará um acordo energético entre os dois países, durante visita ao Brasil.
Até sexta-feira, o ministro alemão irá visitar uma floresta nacional no Pará e uma usina de produção de etanol em São Paulo. O objetivo da visita, de acordo com a delegação, é fortalecer parcerias entre os dois países para preservação dos recursos naturais. De acordo com Marina Silva, a Alemanha é um dos maiores doadores de recursos para o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7.

Fonte: Agência Brasil


Saldo das transações do Brasil com exterior até março se aproxima da estimativa para o ano

Abril 28, 2008

Brasília - O saldo das transações correntes do Brasil com o exterior ficou negativo em 4,429 US$  bilhões em março, acumulando US$ 10,757 bilhões no trimestre. O valor está próximo dos US$ 12 bilhões projetados para o ano.

No mês anterior, o saldo negativo foi de US$ 4,232 bilhões e em março do ano passado, chegou a US$  235 milhões positivos. No acumulado do ano passado, o saldo foi positivo em US$ 241 milhões. Os dados são da nota do Setor Externo, divulgada hoje (28) pelo Banco Central.

A balança comercial ficou positiva em US$ 1,012  bilhão em março e acumulou US$ 2,835 em três meses, contra US$ 3,306 de março do ano passado e US$ 8,720 no primeiro trimestre de 2007. A conta de rendas e serviços (remessas de lucros, dividendos e juros aos exterior e gastos com viagens internacionais) fechou o mês com déficit de US$ 5,790  bilhões; as transferências unilaterais correntes ficaram positivas em US$ 349 milhões. A expectativa do Banco Central é de que a balança comercial feche o ano com saldo positivo de US$ 27 bilhões.

Os investimentos estrangeiros diretos (aqueles que se destinam aos setores produtivos da economia) ficaram em  3,083 US$ no mês, contra o resultado de 2,766 US$  do mesmo período do ano passado. No trimestre o IED acumula US$ 8,799 bilhões. Para o ano, a previsão do Banco Central é de que entrem na economia brasileira US$ 32 bilhões.

Fonte: Agência Brasil


Argentina quer “comer Brasil pelas orelhas”, relata “La Nación”

Abril 28, 2008
O governo argentino quer reverter o déficit da balança comercial com o Brasil, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal argentino La Nación. “O objetivo é claro”, afirma o jornal, “reverter o alto déficit comercial entre a Argentina e o Brasil, que em 2007 totalizou US$ 4,16 bilhões.”Segundo o La Nación, o próprio sub-secretário de Comércio Internacional, Luís Kreckler já definiu a estratégia: “comer o Brasil pelas orelhas”, teria dito ele.

O jornal afirma que a ação pontual e agressiva da Argentina foi determinada pelo chanceler Jorge Taiana, que teria ordenado às representações argentinas no exterior, inclusive consulados, a “multiplicar os esforços para promover a presença argentina nos mercados estrangeiros”.

Fonte: Jornal Estado de Minas

Auditores fiscais mantêm greve até, pelo menos, dia 30 de abril

Abril 28, 2008

Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil (RFB), em greve há 38 dias em todo país, vão continuar paralisados pelo menos até a próxima quarta-feira (30), quando realizam assembléias para decidir os rumos do movimento. Nesta sexta-feira (25), os auditores se reuniram para discutir a nova proposta apresentada pelo Ministério do Planejamento ao comando nacional de greve, em Brasília. Na reunião, que aconteceu na tarde de quinta-feira (24), o governo atendeu a reivindicação da categoria de desvincular da questão salarial a reformulação do sistema de avaliação de desempenho dos auditores.

A implantação do Sidec (Sistema de Desenvolvimento da Carreira) deve ser debatida em outra ocasião. O governo já concordou em incluir o fator antiguidade na avaliação para progressão na carreira. Na primeira proposta apresentada o único fator que seria considerado era o mérito, considerado muito subjetivo pelos auditores.

Segundo o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais (Unafisco) de Foz do Iguaçu, Alfonso Burgo, a proposta só trouxe este avanço. Ele afirma que a tabela remuneratória e o calendário de pagamento não foram alterados. “O governo quer manter a tabela de reajustes até 2010, mas defendemos que estas parcelas sejam pagas até 2009″, explica Burgo.

Na semana passada o governo propôs um salário inicial de R$ 14,4 mil e final de R$ 19,2 mil - valores próximos à pretensão da categoria. O cronograma inicial para o pagamento dos reajustes, porém, foi estendido e dividido em três parcelas, julho de 2008, julho de 2009 e julho de 2010.

Os auditores fiscais de Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, mantêm a operação-padrão na Estação Aduaneira Interior (Eadi-Sul) até a quarta-feira. Nesta sexta, o pátio do porto seco continuava lotado, com cerca de 780 esperando para terem as cargas liberadas. Também havia filas de caminhões esperando para entrar no Brasil do lado paraguaio e argentino da fronteira. Burgo avalia que perto de 1,5 mil caminhões estão aguardando para entrar no país.

Fonte: Gazeta do Povo


Cai liminar que designava analistas para desembaraço

Abril 28, 2008

A desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, julgou na última sexta-feira (25/4) o Agravo de Instrumento interposto pelo Unafisco e decidiu favoravelmente aos Auditores-Fiscais. A decisão cassou a liminar concedida pela 1ª Vara da Justiça Federal de Manaus, que, de forma inusitada, designou uma comissão extraordinária de analistas-tributários para atuar nos procedimentos de desembaraço aduaneiro, importação e exportação de mercadorias.

A desembargadora acolheu os argumentos do Unafisco no sentido de que a designação de ocupantes de cargo desprovido de competência legal e de capacidade técnica coloca em risco a defesa da sociedade e da segurança coletiva. A desembargadora determinou a formação de uma comissão de Auditores-Fiscais para atender às liminares no porto e no aeroporto de Manaus. Além disso, proibiu a disponibilização de senhas e perfis do SISCOMEX aos analistas e o exercício das atividades privativas dos Auditores-Fiscais.

Sem dúvida, essa decisão é uma grande vitória da Classe, pois retoma o ordenamento jurídico constituído, reafirma que o desembaraço aduaneiro é uma atribuição privativa dos Auditores-Fiscais e, como tal, não pode ser desempenhada por outros servidores.
Fonte: Unafisco


OMC - Doha: três questões artigo de Roberto Rodrigues*

Abril 28, 2008

HÁ SINAIS controversos nas informações sobre a conclusão da Rodada Doha, da OMC.

     Volta e meia correm noticias otimistas, indicando que as negociações caminham para um termo favorável aos países agrícolas. Mas logo reaparecem obstáculos contra. O fato real é que desde dezembro de 2001 as discussões se arrastam sem avanços significativos. É verdade que em Hong Kong, no final de 2005, conseguiu-se definir uma data, 2013, como o prazo fatal para a eliminação dos subsídios às exportações agrícolas, um fator de distorção dos mercados. Mas pouco ou nada se tem conseguido nos temas de apoio interno e acesso a mercados.

      Nos últimos tempos, a impressionante elevação dos preços dos alimentos, determinada por um forte desequilíbrio entre a oferta e a demanda em todo o mundo, trouxe à baila duas questões que contribuem para “embolar” o meio-de-campo desse complicado jogo.

      A primeira tem a ver com uma certa falta de vontade dos países ricos que mais subsidiam seus produtores em discutir o protecionismo. É claro: com preços tão altos, fica difícil pleitear subsídios, porque a renda rural está garantida pelo próprio mercado. Nessas condições, o ideal para os demandantes de proteção é esperar que o ciclo de preços altos acabe. Por outro lado, os países emergentes que tradicionalmente lutam pela redução do apoio interno dos ricos e pelo maior acesso ao mercado deles relaxam um pouco sua campanha, porque, em razão da demanda aquecida, estão colocando seus produtos com boa margem.

      Como conseqüência, parece que esfria um pouco essa disputa, e fica a impressão de que ninguém quer brigar agora. Sabemos que as discussões seguem no nível diplomático, mas a sensação é esta, de pouca disposição para negociar. A segunda questão é ainda mais estranha.

      Como os preços dos alimentos subiram, os países mais pobres, que recebem ajuda alimentar, muitas vezes doações volumosas, voltam a se interessar pelos subsídios de toda ordem para os produtores dos países mais ricos. Entendem que, dessa forma, a produção aumentará lá, permitindo os excedentes, que abastecerão suas dispensas vazias. É uma contradição e um erro, pois os menos desenvolvidos deveriam aproveitar o ciclo de preços altos -e que deve durar algum tempo até que o equilíbrio entre oferta e demanda se restabeleça- para estruturar seus sistemas produtivos de forma a reduzir a dependência de favores externos. Aparentemente, essas duas questões atrasam a conclusão da rodada, e a tese da liberação dos mercados agrícolas, sonho de Doha, vai ficando para as calendas.

      Mas há um outro tema que não tem sido muito discutido. Todo negociador vai para a mesa munido de argumentos valiosos para defender suas idéias. Mas, antes dos argumentos, ou da língua que usará, ele tem uma história, uma cultura, ele é o resultado da sua história e da sua cultura. E cada um tem a sua, e cada uma é diferente das outras todas.

      Um rico que defende o “animal wellfare”, por exemplo, acredita no que está propondo, porque está condicionado a isso por sua realidade. E um pobre que se preocupa com a sobrevivência do seu filho não consegue aceitar o tema, julgando-o um absurdo.

      Sendo assim, o rico que pleiteia subsídios acha isso correto. O pobre acha inaceitável.

      Sem a compreensão de todos os negociadores das determinantes culturais de cada um deles, dificilmente se chegará a um acordo, porque a “língua” falada não é a sentida.

      *ROBERTO RODRIGUES , 65, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, na Folha de São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo 26.04.08


A barreira da informalidade

Abril 28, 2008

Marcelo Tokarski
Criação de 6,8 milhões de vagas formais desde 2003 e redução da taxa de desocupação para 8,6% são incapazes de incluir o Brasil entre os países com pleno emprego. Metade da mão-de-obra ocupada não tem carteira assinada

O Brasil nunca gerou tantos empregos. A trajetória de crescimento iniciada em 2004 vem abrindo vagas em todos os setores da economia, da indústria à construção civil. Desde o início do atual governo, foram criadas mais de 6,8 milhões de vagas com carteira assinada, média um pouco superior a 3,5 mil empregos gerados por dia. A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país em março foi de 8,6%, o mais baixo índice já registrado neste período. A taxa média do 1º trimestre vem caindo desde 2004, quando estava em 12,1%, e hoje encontra-se no inédito patamar de 8,4% (veja gráfico ao lado).
No entanto, o Brasil ainda está longe de atingir o chamado pleno emprego, situação em que todas as pessoas que desejam trabalhar estão empregadas. Nesses casos, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desocupação fica entre 3% e 5%, no máximo. Na avaliação de especialistas consultados pelo Correio, o Brasil até reúne condições de atingir um desemprego entre 5% e 6% ao longo dos próximos anos, mas o alto grau de informalidade do mercado de trabalho impedirá que o país ingresse nesse seleto grupo de países de baixo desemprego, como Estados Unidos, Coréia do Sul e muitas nações européias.
Hoje, apesar da recuperação do emprego formal, praticamente metade da mão-de-obra ocupada no país não tem carteira assinada, situação incompatível com um contexto de pleno emprego. “Pleno emprego para nós brasileiros é algo muito complexo. Precisaríamos atingir uma taxa baixa (de desocupação), de no máximo 5%, e também teríamos que registrar uma forte redução da informalidade para algo entre 20% e 30%, no máximo”, explica Cláudio Salvadori Dedecca, professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Precisamos considerar que nos países onde há pleno emprego, a informalidade é próxima de zero.”
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, ressalta que a atual taxa de desemprego (de 8,6%), embora esteja em forte trajetória de queda, ainda é muito elevada. “Vale lembrar que, em 1989, o desemprego era de 2,7%. Para que ele caia ainda mais, precisaríamos de um sistema público de emprego mais eficiente e de um nível educacional mais alto”, defende. “Apenas 20% dos desempregados têm alguma qualificação. Significa dizer que 80% deles têm muito dificuldade para encontrar uma ocupação.”
Pochmann ressalta ainda que os indicadores de pleno emprego (desocupação entre 3% e 5%) foram concebidos para economias desenvolvidas, com mercado de trabalho estruturado e sem informalidade. Para o presidente do Ipea, a informalidade é estrutural. “Hoje, a informalidade ainda é uma estratégia de sobrevivência de quem é excluído do mercado de trabalho devido à idade ou ao baixo grau de instrução. Muito poucos são informais por opção”, afirma.
Fonte: Correio Brazilienese


CRISE - Crescimento dos países asiáticos e OMC criaram a crise

Abril 28, 2008

Para especialista, regra da entidade que veta a formação de estoques pelos países ajuda a agravar uma situação que já é difícil.

     A crise mundial na oferta de alimentos é fruto do crescimento acelerado dos países, especialmente dos asiáticos, combinado com a regra da Organização Mundial de Comércio (OMC) que substituiu a política de formação de estoques de alimentos. A idéia era que, se todos os países disponibilizassem a sua oferta no mercado internacional, produziriam um sistema que neutralizaria os aumentos de preços das commodities. O diagnóstico da crise é do professor titular de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Leite da Silva Dias, que, por duas vezes, foi secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.

      Segundo ele, o Brasil fez bobagem ao reter, na semana passada, as exportações de arroz dos estoques do governo. Para o economista, ao segurar os produtos, Brasil, Argentina e outros países estão propagando o pânico e agravando a situação de oferta de alimentos, que não é tão dramática. A seguir, trechos da entrevista.

      Como o sr. avalia a crise dos alimentos?

      Hoje há uma combinação de números muito diferente do que vinha tendo desde 1997. Temos redução de estoques em relação ao nível de consumo. Não é algo grave quando se compara o conjunto das commodities. Algumas estão com suprimento mais apertado e outras, menos. O conjunto parece ser alguma coisa crítica. Acho que o que precipitou a crise do ano passado para cá foi que o mercado começou a fazer as contas. Viu o crescimento da demanda na China e nos países que estão se expandido mais rapidamente e constatou que, se não houver uma resposta violenta da produção nos próximos anos, isso vai virar um problemão. Esses cálculos começaram a ser feitos por muita gente respeitável. Além disso, a safra mundial 2007/2008 não foi uma boa resposta. Aí começou essa corrida, que convergiu para o quadro atual. Os últimos quatro meses foram marcados pelo comportamento de vários países, que suspenderam as exportações por frustrações de safra. Isso desencadeou um jogo de pânico.

      Então há um componente mais especulativo do que estrutural?

      Não. Há um componente estrutural. Os estoques estão menores do que nos últimos dez anos. Nenhuma coisa dramática que vá provocar a morte de 20% da humanidade, mas os números estão piores. Com números piores e o bloco de países da Ásia que está querendo cada vez mais comida e a produção não está aumentando, há mais fator conjuntural em cima do estrutural. A partir daí, a reação individual de países precipitou o processo. A Argentina, que segurou a exportação de trigo, e o Brasil, que repetiu na semana passada essa bobagem. A retenção das exportações começou nos países da Europa Central. Depois, se propagou para o resto do mundo. De um mês para cá, vários países seguraram as exportações. Começou com o arroz na Indonésia e foi se espalhando. E nós entramos nessa, na onda do arroz.

      O sr. acha que foi uma bobagem essa decisão do governo brasileiro de reter exportações de arroz?

      Os países que seguraram as exportações deram um sinal de pânico. Essa decisão indica que os estoques estão baixos. O Brasil não deveria ter entrado nessa. No caso do arroz, a safra do Rio Grande do Sul é esplêndida.

      O sr. acha que faltou uma política pública para equacionar a escassez dos alimentos?

      Olhando o mercado mundial, acho que sim. Tem um efeito colateral do sucesso obtido com a Rodada Uruguai, de 1995, que criou a Organização Mundial do Comércio (OMC). Nessa rodada, ficou combinado que os países parariam de fazer políticas domésticas que afetassem negativamente o mercado internacional. O que era uma política feita após a 2ª Guerra Mundial, em que vários países iam tentando formar um sistema de estoques emergenciais dentro do seu próprio mercado, foi substituído pela expectativa de que se todos os países disponibilizassem a sua oferta no mercado internacional produziriam um sistema que neutralizaria os aumentos de preços. Com isso, interrompe-se aquela política ativa de manter um estoque grandão de reserva. Com a entrada da China no sistema em 1998, ela fez exatamente o que estava escrito. A partir de 2002 e 2003, começam a cair os estoques de emergência dos chineses, que eram monstruosos. Os Estados Unidos começaram a fazer essa redução, aí o presidente Bush inventou aquela coisa louca de declarar que pretendia fazer mais etanol a partir do milho. Resultado: desandaram os estoques de milho em dois anos. Hoje, não há no mundo um mecanismo que mostre o tipo de política que se deve adotar quando os estoques estão diminuindo. Se um país achar que os estoques do mundo estão baixando demais e decidir oferecer subsídios aos seus produtores para produzirem mais é algo que viola o acordo com a OMC. Falta hoje esse instrumento. Essa crise dos alimentos é fruto do crescimento acelerado dos países combinado com as regras da OMC.

      Qual é o papel dos estoques reguladores para conter a crise?

      São muito pequenos em relação ao tamanho do problema. Se os países começam a dar sinal de que o estoque é meu, isso leva a esse quadro de pânico. De uns dois meses para cá, foi isso que aconteceu.

      Como resolver essa crise?

      É preciso traçar estratégias para ajudar países que estejam à beira da crise. É preciso uma política de cooperação internacional.

Fonte: O Estado de São Paulo