REUNIÃO - Bush apóia acordo tributário Brasil-EUA

Na Casa Branca, empresários se dizem frustrados com velocidade dos governos em tomar decisões.

     O presidente George W. Bush disse ontem que seu governo apóia os acordos bilaterais tanto de tributação como de investimentos com o Brasil. O anúncio foi feito durante reunião de trabalho com pesos-pesados de empresas brasileiras e norte-americanas e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Miguel Jorge (Desenvolvimento), após encontro no Salão Oval da Casa Branca.

      “Uma das coisas com as quais eu concordo com os executivos brasileiros é que apoio fortemente uma Rodada Doha bem-sucedida, e nosso governo vai trabalhar muito próximo do do Brasil para concluí-la”, disse o presidente, observado pelos empresários e políticos numa sala de reuniões do edifício executivo anexo à sede do governo. “Em segundo lugar, em termos de política bilateral, assim como meu governo, eu apoio fortemente um tratado bilateral tributário e de investimento.”

      O anúncio foi recebido com entusiasmo por Tim Solso, da Cummings, e Josué Gomes, da Coteminas, que representavam os outros executivos-chefes presentes ao encontro -o segundo do tipo desde que o fórum bilateral foi criado. Mas a agilidade dos governos em tirar as intenções do papel mereceu o adjetivo de “frustrante” do empresário brasileiro, em reunião posterior com a imprensa.

      Frustração

      “Posso dizer de forma bastante simples que tivemos muitos progressos, mas são progressos que deixaram e deixam a todos nós, executivos, um pouco frustrados”, disse Gomes. “Achamos que poderíamos ter tido muito mais sucesso, porque de fato alguns assuntos estão na agenda dos dois países há 40 anos, como no caso da bitributação.”

      Falando depois do empresário, a ministra Dilma disse que o tratado “é algo que deve ser aprofundado”. “Nós temos a clareza de que é necessário um conjunto de reuniões técnicas com duplo objetivo: primeiro buscar identificar da forma mais clara possível quais são os problemas técnicos que devem ser objeto de nossa ação e procurar ações para soluções.”

      Mais tarde, falando a jornalistas, a ministra diria que achava natural e compreendia a ansiedade dos empresários. “Mas o tratado bilateral que sairá será não o tratado perfeito, mas o possível.”

      Ela levantou a hipótese de o Brasil deixar de fora o setor de serviços. “Há uma assimetria entre os dois países nesse setor”, disse ela. “Portanto, o tratado não vai poder abrangê-los de forma integral. Em serviços, somos mais recebedores do que exportadores; portanto seria algo muito prejudicial ao país.”

      Um dos pontos de tensão levantados por autoridades ligadas a ambos os governos seriam exigências feitas pelos Estados Unidos à Receita Federal (o fisco brasileiro), como maior acesso a informações bancárias de empresas e de pessoas físicas, que não encontraram contrapartida no que foi oferecido pelos americanos.

      “Não acreditamos que pedimos ao Brasil nada do que nós já não fazemos”, defendeu-se o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez.

Fonte: Folha de São Paulo

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