Brasil pode restringir exportações de arroz

Abril 23, 2008

Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje (23) que o Brasil não vai atender ao pedido de exportação de 500 mil toneladas de arroz que recebeu de países sul-americanos e africanos, para este ano.

Ele decidiu convocar uma reunião com os empresários para restringir as exportações também no setor privado, uma vez que a produção nacional e os estoques reguladores podem ser insuficientes para atender à demanda do mercado interno. O encontro será amanhã (24), no ministério.

A produção estimada para a safra 2007/2008 é de 11,9 milhões de toneladas, mas o consumo poderá ser maior, chegando a 13,1 milhões de toneladas. No ano passado, o país importou 1,07 milhão de toneladas do produto e exportou 313 mil toneladas. 

Stephanes disse ainda que o governo pode adotar barreiras para impedir as exportações de arroz caso não haja acordo com o setor privado. Um dos objetivos da medida é evitar que o preço do produto suba no mercado interno, já que, com a alta dos preços do arroz no mercado internacional, o receio é de que os empresários prefiram vender para o exterior.

O ministro explicou que a disparada nos preços do produto, que aumentou 30% nos últimos dias, foi causada pelas barreiras impostas por países asiáticos às suas exportações. “Esses países, tendo aumentado muito seu consumo, e tendo problemas de oferta, estão segurando o arroz, ou não estão deixando exportar. Isso acabou gerando esse desequilíbrio”, justificou Stephanes.

O diretor do Departamento de Comercialização e de Abastecimento Agrícola e Pecuário do Ministério, José Maria dos Anjos, informou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem 1,3 milhão de toneladas estocadas. De acordo com o ministro, parte do montante dos estoques governamentais pode ser leiloado para tentar conter a alta dos preços do produto.


Destaque em Paris - Calçado brasileiro será destaque em importante feira na França

Abril 23, 2008

Calçado brasileiro será destaque em importante feira na França

• Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) levarão alguns nomes do Design Brasil – grupo de empresas e estilistas apoiado pelo Brazilian Footwear – Programa de Promoção às Exportações – desenvolvido pelas duas instituições.

Em setembro deste ano, o Brasil será o país destaque na Première Classe, feira de alta moda em calçados e acessórios que acontecerá dias 4 a 7, no Porte de Versailles, em Paris. O convite para o Brasil ser o Focus Country partiu da executiva francesa, conhecida pelo alto padrão de exigência na escolha dos expositores das feiras que promove. A confirmação da presença nacional aconteceu esta semana.

Segundo a assessora de marketing do Brazilian Footwear e coordenadora do grupo, Cristine Kopschina, a escolha das marcas ocorrerá com a vinda ao Brasil da diretora da feira, Patricia Lerat, em maio. Ela percorrerá estúdios de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde fará a seleção, acompanhada de um jornalista e fotógrafo da revista especializada Enjoy.

A Première Classe acontece três vezes ao ano. As edições de fevereiro e outubro estão localizadas no Jardin de Tuilleries (Louvre) e são voltadas para a venda. Já a de setembro, no Porte de Versailles, é um preview comercial, onde se apresentam marcas que estão despontando no mundo fashion.

Conforme a assessora do Brazilian Footwear, este será um excelente momento de divulgação, pois a mídia gerada circulará em outubro, no ápice da Semana da Moda de Paris. O Brasil terá um espaço de 150 metros quadrados, divididos em estandes e num lounge que mostrará materiais e insumos, além de painéis dos estúdios de criação. O Focus Contry de 2007 foi a Espanha e no ano anterior, a Coréia.

Fonte: Abicalçados


IF Design Awards

Abril 23, 2008

Brasil é o sétimo com mais troféus em prêmio de design europeu

O Brasil foi o sétimo país com mais objetos premiados no IF Design Awards 2008, maior premiação do design na Europa. Do total de 812 produtos escolhidos, 19 eram brasileiros. O maior vencedor foi a Alemanha, com 336, seguida de Japão (84), Taiwan (76), Coréia do Sul (69), Estados Unidos (43) e Holanda (37).  A posição no ranking deixa o Brasil à frente de países reconhecidos mundialmente pela excelência em design, como Itália, França, Canadá e Reino Unido.

Os 19 premiados ganharam o direito de utilizar o selo do iF Product Design Award 2008. A grande maioria dos inscritos contou com apoio do Design Excellence Brazil (DEBrazil) — parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Centro Paraná de Design –, que objetiva promover o reconhecimento internacional do design brasileiro e difundir no país uma cultura de produção e exportação de produtos de valor agregado.

Os 821 produtos premiados na edição 2008 do iF Product Design Award — a comissão julgadora recebeu 2.771 inscrições de 35 diferentes países, representando um crescimento de 20,9% em relação ao número de inscritos no ano passado — ficarão expostos por seis meses em Hannover, na Alemanha. Os itens foram avaliados por jurados da Alemanha, Itália, Coréia, Estados Unidos, Japão, Finlândia, Inglaterra, Suécia e França, todos profissionais de renome, guiados pelos seguintes critérios: qualidade do design, seleção de material, grau de inovação, compatibilidade ambiental, funcionalidade, ergonomia, praticidade, segurança, valor de mercado e aspectos universais de design.

Os itens brasileiros premiados nesta edição do iF Product são das áreas de Iluminação, Mobiliário/Casa, Utensílios Domésticos, Estilo de Vida/Lazer, Medicina/Cuidados com a saúde, Design Público/Interiores, Transporte e Embalagens.
Os interessados em obter mais informações sobre a premiação realizada em Hannover podem entrar nos sites www.designbrasil.org.br e www.ifdesign.de

DEBrazi

No ranking geral do iF Product Design Awards, o Brasil está entre os 10 países com mais produtos premiados. Até hoje, dos 1.275 produtos inscritos com apoio logístico e financeiro do Design Excellence Brazil (DEBrazil), 653 concorreram ao prêmio europeu, 578 foram finalistas e 99 premiados.

O DEBrazil também viabilizou a participação de estudantes brasileiros de arquitetura, design, marketing e engenharia no iF Concept Design Award, prêmio dedicado aos acadêmicos e entregue no dia 8 de março, em Hannover. Na edição de 2008, o projeto apoiou logística e financeiramente a inscrição de 74 produtos brasileiros escolhidos pelo comitê seletivo do programa. Deste número, 33 foram finalistas e seus projetos também estão expostos em Hannover.

O DEBrazil é uma iniciativa criada em 2003 pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e pela Apex-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) que conta com a coordenação do Centro de Design Paraná


Fim da greve dos auditores depende de boa vontade da União, diz sindicato

Abril 23, 2008

Unafisco diz que governo precisa ceder pouco para alcançar propostas da categoria.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) divulgou nota hoje esclarecendo que o fim da greve da categoria, iniciada em 18 de março, depende “da boa vontade do governo”.

Segundo a nota assinada pelo presidente do Unafisco, Pedro Delarue, o governo precisa ceder pouco para alcançar propostas compatíveis com as reivindicações dos auditores.

“A categoria entende que, a depender da boa vontade do governo, estão colocadas as condições para um entendimento. Afinal, no momento a solução não depende apenas dos auditores fiscais, que ao longo de oito meses sempre estiveram à disposição para negociar”, diz o documento.

Sem acordo

A assessoria de imprensa do sindicato informou que a categoria não aceitará a proposta apresentada pelo governo na terça-feira da semana passada e já rejeitada em assembléia na última sexta-feira.

A diretoria do Unafisco também é “completamente contrária” a um acordo nos termos apresentados pelo governo.

Os auditores estão organizando um ato público a partir das 9h, na quinta-feira, em frente ao Ministério do Planejamento. Também estarão no Congresso Nacional para fazer um corpo a corpo com parlamentares para tentarem ganhar o apoio dos congressistas.

Ao afirmar que falta pouco para um acordo, o Unafisco cita como exemplo a questão salarial. O governo ofereceu apenas R$ 450 a menos para o teto salarial do que o apresentado na proposta original negociada no ano passado, antes do fim da CPMF.

Mas o ponto considerado mais relevante pelos auditores é o cronograma de implementação. Nele, o governo retardou em 15 meses o prazo para a implementação total dos reajustes programas ao longo de três anos.

“O cronograma para a implantação do reajuste também tem levado ao atraso na resolução das negociações. O governo insiste em um calendário de reajustes com término em julho de 2010, enquanto os auditores fiscais reivindicam que a data final seja abril de 2009″, esclarece a nota.

Promoção na carreira

O sindicato ainda negocia outros pontos como as alterações na forma de avaliação do desempenho dos auditores fiscais para promoção na carreira.

A proposta do governo não tem aceitação da categoria que considera os critérios suscetíveis à atuação política. O Unafisco quer discutir este assunto fora do âmbito salarial e que seja observada a impessoalidade nos critérios de avaliação.

O sindicato também quer a reclassificação de auditores em classes iniciais para padrões intermediários desocupados na tabela remuneratória. Segundo o Unafisco, o governo já tinha aceitado em negociações anteriores, mas retirou da proposta na última reunião.
Fonte: Zero Hora


Exportador perde espaço

Abril 23, 2008

O diretor do Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp/Fiesp), Ronaldo Forte, alertou para o risco de o País “entrar num movimento de retrocesso no mercado mundial e reverter o aumento de 1,2% de sua participação global”, devido ao impacto da greve dos auditores fiscais na área produtiva. A paralisação completa hoje 36 dias. Ele ponderou que concorrentes do Brasil no mercado internacional poderão aproveitar o episódio para ganhar espaço “onde o Brasil deixou de suprir”, por dificuldades no escoamento das exportações.
Só no setor eletrônico, envolvendo produtos de imagem e som, além de componentes, a greve já causou prejuízos estimados entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões, segundo cálculos apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O valor refere-se a redução da produção, perdas com faturamento e multas por atrasos no cumprimento de contratos.
O presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Severiano Alvarenga, estima que os empresários que atuam com comércio exterior devem amargar prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão só com multas e gastos com armazenagem de mercadorias que estão paradas nos portos.
Fonte: Jornal de Brasilia


Brasil e Argentina prorrogam por cinco anos acordo automotivo

Abril 23, 2008

Janes Rocha

O livre comércio de automóveis e autopeças entre Brasil e Argentina foi definitivamente adiado, contrariando a posição defendida pelo Brasil nas negociações mantidas com o governo argentino. Em compensação, a Argentina finalmente concordou em estabelecer um prazo de cinco anos para o novo acordo automotivo bilateral que está em discussão e deve ser concluído até junho, quando vence o que está atualmente em vigor.

Só no fim desse prazo é que haveria livre trânsito de veículos e peças entre os dois países. A Argentina nunca concordou com a liberação do comércio, que vem sendo adiado desde dezembro de 2005 quando venceu o primeiro acordo assinado em 2002. Até agora a renovação tem sido anual.

Em fevereiro, quando ficou claro para o governo brasileiro que os argentinos não aceitariam o livre comércio, o Brasil passou a defender um regime de longo prazo, para dar estabilidade ao setor e atrair novos investimentos. Agora se chegou a um consenso pelo prazo de cinco anos na negociação entre as equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro e a Secretaria de Indústria argentina, em reunião iniciada ontem em Buenos Aires e que deve ser concluída nesta tarde.

“Trabalhar cinco anos num programa de investimentos e compensações nos levaria à abertura do mercado. Esse é um dos pontos essenciais do acordo”, afirmou o secretário de Indústria da Argentina, Fernando Fraguío.

Segundo Fraguío e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, o regime automotivo bilateral que vai vigorar a partir de junho até 2013 inclui um monitoramento técnico trimestral e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos investimentos do setor de autopeças na Argentina.

Ainda não se chegou, porém, a um acordo sobre o principal ponto do regime bilateral, o sistema “flex”, que determina a proporção permitida de carros e autopeças importados e exportados entre os dois países sem o pagamento do imposto de importação. Pelo regime em vigor há quase um ano, para cada US$ 1 exportado pelo Brasil, a Argentina pode exportar US$ 1,95, vantagem obtida pelo país vizinho para compensar as assimetrias no setor de autopeças. “Esse é um dos poucos pontos que faltam para fechar o acordo”, afirmou Ramalho, que não quis antecipar as propostas de índices que estão na mesa de negociação.

Mesmo com a vantagem do “flex”, o comércio bilateral é mais favorável ao Brasil, com o saldo das transações de compra e venda de veículos deficitário em US$ 600 milhões para a Argentina, segundo dados da Adefa, a entidade que reúne as montadoras locais. O déficit no comércio de autopeças mais que dobra o de automóveis, chegando a US$ 1,4 bilhão.

Ramalho trouxe a Buenos Aires um representante do BNDES que vai apresentar, em uma conferência hoje pela manhã para empresas do setor de autopeças argentino, as opções de financiamento disponíveis pelo banco. O BNDES pode apoiar com crédito a instalação de empresas brasileiras no exterior ou a aquisição, por empresas estrangeiras, de bens de capital produzidos no Brasil.

Participantes da reunião de ontem, Antonio Carlos Meduna e Luiz Carlos Auler Pereira, executivos do Sindipeças (que representa a indústria do setor no Brasil) , estavam céticos com a possibilidade de que empresas brasileiras aumentassem os investimentos na Argentina. Segundo Auler Pereira, mais do que empréstimos do BNDES, seriam necessários incentivos fiscais e de logística para estimular a vinda de investidores, além de uma perspectiva de acesso a um mercado regional e estabilidade nas regras. “A lógica das autopeças é diferente das montadoras”, afirmou Meduna.

Hoje à tarde Ramalho e Fraguío terão uma reunião exclusiva para discutir o comércio de trigo, que está parado por decisão da Argentina de proibir as exportações do produto para garantir o abastecimento interno.
Fonte:Valor Econômico


Mercosul perde receita e fecha 2007 com prejuízo

Abril 23, 2008

Pressionado pela queda da oferta e pelo avanço dos preços dos animais para abate no Rio Grande do Sul, o Frigorífico Mercosul reduziu a produção e fechou 2007 com prejuízo consolidado de R$ 63,8 milhões, ante lucro de R$ 9,6 milhões em 2006.

     A receita bruta caiu 5,4%, para R$ 776,8 milhões, enquanto as vendas líquidas diminuíram 8,3%, para R$ 684,9 milhões. A participação das exportações sobre as vendas encolheu de 47,1% para 27,9%.

      O Mercosul ampliou em 22,2% a capacidade de abate ao longo de 2007, chegando 6,05 mil cabeças por dia em dez plantas em cinco Estados. Para setembro está prevista a inauguração da unidade de Tucumã, no Pará, capaz de abater 1,5 mil animais por dia. Com a escassez de matéria-prima, porém, a operação ficou num ritmo de 3,6 mil animais/dia em 2007, totalizando 553 mil cabeças, ante mais de 700 mil em 2006. Segundo o frigorífico, de 2005 a 2007 o preço médio da arroba gaúcha passou de R$ 50 para R$ 70.

      No início de abril, a falta de animais também fez a empresa suspender os abates na planta de Capão do Leão (RS), de capacidade para 800 cabeças/dia. O mesmo ocorreu com o frigorífico Extremo Sul, da mesma cidade, que presta serviços para o Mercosul, com capacidade diária de 350 animais.

      As condições adversas de mercado em 2007 levaram o frigorífico a apurar margem bruta negativa de 1,8%, ante a margem positiva de 9,7% de 2006. O lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) recuou de R$ 40,5 milhões positivos para R$ 58,9 milhões negativos, e as despesas financeiras líquidas subiram 36,7%, para R$ 15,4 milhões.

      A empresa tem como sócio o gestor de fundos de private equity AIG Capital Investments, com 37,8% de participação. Segundo um analista de mercado, as informações do balanço revelam que o Mercosul está com bons controles internos e em condições de abrir o capital, mas a situação do mercado não favorece a medida. No ano passado o presidente do frigorífico, Mauro Pilz, admitiu a disposição de ir à Bolsa de Valores.

Fonte: Valor Econômico


GREVE - Portos parados

Abril 23, 2008

Após um mês de braços cruzados, os auditores da Receita Federal rejeitaram as propostas do Ministério do Planejamento e mantiveram a greve. O movimento, abusivo, tornou caótica a rotina dos portos brasileiros e propicia prejuízos milionários à economia.

     Atualmente 80% dos auditores fiscais ganham o teto salarial, de R$ 13,4 mil, sem incluir adicionais; os demais recebem o piso de R$ 10,1 mil. Seus proventos, portanto, já os colocam no topo da pirâmide salarial brasileira, considerado também o setor privado. Reivindicam, porém, um piso de R$ 14 mil e a equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, cujos salários devem alcançar R$ 19,7 mil em abril do próximo ano.

      A persistência da greve dos fiscais é estapafúrdia. Tornou-se panacéia invocar o direito à equiparação salarial no setor público. Equiparação sempre para cima: os auditores fiscais não querem equiparação com professores doutores de universidades federais, que ganham bem menos. Mas os fiscais da Receita ainda se deram ao desplante de recusar a generosa proposta do governo, que era chegar aos R$ 19 mil em 2010, de modo escalonado.

      Por causa da greve, prejuízos gigantescos, de naturezas diversas, se acumulam. Os fluxos de comércio internacional do país estão prejudicados. Apenas no porto de Santos, a carga parada foi estimada em US$ 4,9 bilhões.

      Exportadores não podem cumprir contratos, que são cancelados, interrompendo canais de distribuição a duras penas construídos. Produtores que dependem de insumos importados paralisam linhas de montagem. Só no setor de componentes eletrônicos, as retenções da Receita de itens necessários à fabricação chegam a US$ 350 milhões.

      Os segmentos de transportes e logística contabilizam prejuízos de cerca de US$ 14 milhões, com os caminhões parados em 14 pontos de fronteira no país. As empresas arcam com os custos de veículos estacionados, estimados em US$ 300 por dia -para não mencionar que os caminhões parados estrangulam o faturamento dessas companhias. Cerca de 3.500 veículos de carga argentinos estão detidos na fronteira com o Brasil.

      Descontar do salário dos grevistas os dias parados é o mínimo que se exige do governo federal. É preciso, contudo, ir além e discutir formas de ressarcimento pelos prejuízos causados por essa paralisação abusiva.

Fonte: Folha de São Paulo


BENS DE CAPITAL - PAC ajuda setor de bens de capital, mas importação preocupa

Abril 23, 2008

A produção industrial de bens de capital não-seriados cresceu 13,9% no primeiro bimestre, comparada ao mesmo período do ano passado. Esse desempenho decorre da maior aceleração dos investimentos públicos em infra-estrutura.

     Exemplos desse aquecimento são os desembolsos para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que tiveram, no primeiro trimestre, média diária de R$ 15,4 milhões - mais que o dobro da média diária nos primeiros três meses de 2007.

      Apesar do aumento da produção doméstica, o presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, vê com preocupação o forte aumento das importações, principalmente da China.

      Nesse cenário, os dois maiores desafios para o setor são, segundo Godoy, ter ritmo crescente dos investimentos em infra-estrutura e recuperar a competitividade que as indústrias do país tinham há dez anos. Os fabricantes estrangeiros estão ganhando espaço. A Abdib informa que, de janeiro a julho de 2007, as importações de bens de capital não-seriados representaram 86% das compras realizadas entre janeiro e dezembro de 2006.

      Para todos os bens de capital, inclusive os seriados, a importação saltou 32,74% em 2007, na comparação com 2006. O valor total das compras no ano passado foi de US$ 25,12 bilhões. Neste ano, no primeiro trimestre, o crescimento acelerou para 60%. “A importação preocupa bastante. Não queremos barreiras contra concorrentes estrangeiros, mas competitividade nas áreas tributária, financeira e logística”, diz Godoy.

      Como exemplo das enormes dificuldades em concorrer com a China, ele cita o mercado dos grandes guindastes, equipamentos que movimentam até 60 toneladas. Apenas uma indústria chinesa produz 30 unidades por dia. No Brasil, toda a produção anual não chega a 200 guindastes.

      O forte ritmo de crescimento da produção de bens de capital não-seriados no primeiro bimestre de 2008 é confirmado por outras comparações feitas pela Abdib. Em fevereiro, a produção cresceu 17,3% em relação ao mesmo mês de 2007. No acumulado em 12 meses - março de 2007 a fevereiro de 2008 -, o aumento foi de 8,7% sobre igual período. A curva está ascendente desde novembro do ano passado, quando a variação foi de 7,1%. O pico foi verificado em julho do ano passado (11,9%).

      Godoy revela que, no momento, os desempenhos mais dinâmicos ocorrem nos segmentos de agroindústria, transporte, mineração, siderurgia, cimento, papel/celulose, petróleo/gás e energia elétrica. O crescimento da produção desses bens de capital é impulsionado pelo expressivo aumento do investimento público em infra-estrutura.

      De acordo com a ONG Contas Abertas, os órgãos públicos federais, nos três poderes (excluindo estatais), desembolsaram R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, maior valor dos últimos oito anos com a execução de obras e compra de equipamentos para o período.

      Outra comparação feita pela ONG explica a elevação da produção de bens de capital não-seriados. No dois primeiros meses deste ano, os investimentos das estatais alcançaram R$ 5,9 bilhões. É o maior volume dos últimos dez anos para o período. A Petrobras é responsável por 91% do total.

      A perspectiva, apesar dos bons números da produção de bens de capital não-seriados, pode não ser das mais promissoras. O professor de economia na FGV, em São Paulo, e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Frederico Turello, adverte que há expressivo aumento das despesas correntes, sustentado pelo forte crescimento da arrecadação. Turello avalia que pode ser interrompido o atual ciclo de elevação de receitas com base no maior lucro das empresas. Nesse cenário, seria reduzido o espaço para investimento.

      Turello afirma que, se o motor público não é tão potente, o Brasil também precisa dar mais estabilidade regulatória na infra-estrutura. Como exemplo, cita a iminente compra da Brasil Telecom pela Oi , que pode provocar insegurança jurídica nos investidores privados.

      Na análise de outro professor da FGV, Arthur Barrionuevo Filho, a indústria representada pela Abdib depende de acesso competitivo ao capital porque nesse mercado, em todo o mundo, o vendedor financia o comprador. Ele aponta que essa é uma das crônicas dificuldades no Brasil. “Quando eles vão bem, o país vai bem, porque avança em sua infra-estrutura”, diz.

      O presidente da Abdib reconhece que as 29 propostas levadas pela associação ao governo coincidem com os conceitos de política industrial. Seu otimismo está concentrado em três reivindicações. A primeira é a desoneração de investimentos em infra-estrutura por meio da depreciação acelerada, o que reduzirá o peso do IR das empresas. Ainda no âmbito tributário, o Godoy espera redução do prazo para recuperação dos créditos de PIS/ Cofins obtidos na compra de bens de capital. E aguarda a criação de um “banco de projetos” no BNDES, que diz ser essencial para o planejamento de longo prazo.

Fonte: Valor Econômico


Reino Unido anuncia pacote de US$ 1 bilhão para atacar alta mundial dos alimentos

Abril 23, 2008

Acra (Gana) - Enquanto governos e representantes das sociedades civis de mais de 190 países debatiam, em Acra, as causas e os efeitos do boom das commodities agrícolas, o governo do Reino Unido anunciava um pacote de medidas para atacar a disparada dos preços mundiais dos alimentos. Quase US$ 1 bilhão serão aplicados em diferentes ações de curto e longo prazos. A novidade foi rapidamente divulgada pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido.

A maior parte dos recursos anunciados hoje (22) - US$ 800 milhões - se destinará a cinco anos de pesquisas em agricultura, com o objetivo de ajudar a produção de alimentos nos países pobres. O Programa Mundial de Alimentos receberá US$ 60 milhões para países em situação de maior risco. Outros US$ 50 milhões têm endereço certo: a Etiópia.

No anúncio dos recursos, o governo britânico relaciona as razões para a elevação dos preços dos alimentos. E não cita os biocombustíveis, que vêm sendo apontados como vilões do boom das commodities agrícolas. Entre as explicações estão o aumento da demanda mundial em razão do crescimento da população e a alta do petróleo.

Para a sociedade civil, a causa do boom das commodities é o que menos importa. Em debate no Fórum da Sociedade Civil, representantes de movimentos sociais alertaram que os produtores não estão se beneficiando com a alta dos preços dos alimentos. E denunciaram falta de políticas agrícolas nos países em desenvolvimento.

“É falso pensar que quando os preços sobem são em benefício do produtor. São em benefício de quem distribui”, alertou Mamadou Cissokho, líder de produtores agrícolas da África Ocidental. “Não podemos depender dos mercados mundiais para resolver nosso problema de alimentos. Precisamos que os países assumam suas próprias responsabilidades para proteger seus agricultores e os mercados locais”, defendeu.

Fonte: Agência Brasil