Brasil tem o pior crescimento de exportação entre os BRIC

Abril 18, 2008

O câmbio valorizado e o aumento no consumo doméstico fizeram com que o Brasil registrasse um dos maiores aumentos de importação entre as principais economias do mundo, com taxas duas vezes maiores que o desempenho de suas exportações. Por outro lado, o país teve o mais baixo crescimento de exportações ante os principais países emergentes.

Em 2007, o país teve uma alta de 32% em suas importações. Nos dois primeiros meses do ano, a alta foi ainda maior e chegou a 50%. Em 2006, o Brasil ocupava a 29ª posição entre os importadores, com US$ 88 bilhões. Um ano depois, o país passou para a 27ª posição, superando Dinamarca, República Tcheca e Emirados Árabes Unidos. No total, o Brasil importou US$ 127 bilhões, respondendo por 0,9% das compras mundiais.

Já as exportações brasileiras cresceram 17% em 2007, o percentual mais baixo entre os países do Bric, junto com a Rússia. Já as exportações chinesas aumentaram 26%; e as indianas subiram 20%.

O Brasil ocupou no ano passado a 23ª posição no ranking de maiores exportadores, com US$ 161 bilhões - com cerca de 1,2% das exportações mundiais. É um desempenho superior ao da Índia (US$ 145 bilhões), mas inferior ao da China (US$ 1,218 trilhão) e ao da Rússia (US$ 355 bilhões). O crescimento das exportações brasileiras também ficou abaixo da média dos países do Mercosul.

Fonte: Valor Econômico


Comércio mundial será afetado pela crise, diz OMC

Abril 18, 2008

Desaceleração de economias ricas não será compensada por emergentes

A crise internacional afeta o comércio. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que a desaceleração nas economias ricas em 2008 não conseguirá ser totalmente compensada pelas economias emergentes e o comércio deve ter o pior momento nos últimos seis anos, com alta de apenas 4,5%. Para a OMC, as taxas deste ano devem ser comparadas ao desempenho dos anos 80. O forte crescimento dos emergentes conseguirá, na melhor das hipóteses, apenas amortecer uma queda ainda mais forte.
“Diante dessas constatações, só podemos mesmo é enfatizar que a Rodada Doha precisa ser concluída para que um novo impulso no comércio seja dado”, disse o embaixador do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney. “Vivemos momentos de incerteza da economia global”, disse Pascal Lamy, diretor-geral da OMC.
Lamy garante que a crise internacional por enquanto não provocou redução de comércio, e o único efeito tem sido a queda no ritmo de crescimento. Mas alerta que medidas protecionistas podem surgir diante do cenário que políticos estão sendo obrigados a enfrentar. Para ele, mais do que nunca o mundo precisa reforçar suas regras comerciais para lutar contra essa situação.
Em 2007, o crescimento do comércio mundial já foi baixo: cerca de 5,5% em volumes, ante 8,5% em 2006. Neste ano, a queda é ainda maior. O ritmo de expansão ficará em torno da metade do que foi há dois anos: 4,5%.
Segundo a OMC, a queda nas importações dos países ricos é o principal motivo para o novo problema na economia mundial. Nos EUA, as importações cresceram apenas 1% em volume em 2007, a menor alta desde 2001. Em valores, a alta foi de apenas 5%, já indicando recessão. Nos dois primeiros meses, foi de apenas 2%. No geral, os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) terão alta de apenas 3% nas compras externas este ano, 1,5% abaixo de 2007.
O que preocupa é que os emergentes não estão sendo capazes de compensar totalmente a queda no comércio dos países ricos. A Ásia, por exemplo, deve ter desaceleração nas importações. O crescimento do comércio chinês caiu de 29% para 21%.
No ano passado, metade do crescimento no comércio mundial ocorreu graças aos emergentes, e a tendência é de que isso se mantenha. Só EUA e Europa importam quase 40% de tudo o que compra o mundo. Uma recessão nessas economias teria impacto direto em muitos países. Juntos, China, Índia, Brasil, México, Coréia e Rússia são responsáveis por 20% das importações.
Se a crise for contida no estágio em que está hoje, o PIB mundial cresceria 2,6% este ano. A taxa para as economias ricas seria de 1,1%, ante 5% dos emergentes. Mas a OMC tem dúvidas sobre quanto tempo os emergentes conseguirão manter o crescimento sem ser afetados pela crise nos países ricos.
Fonte: O Estado de São Paulo


País tem 2ª maior alta na importação

Abril 18, 2008

Expansão foi de 32% em 2007; no primeiro bimestre de 2008, atingiu 50%

Diante de um câmbio valorizado e de um aumento no consumo doméstico, o Brasil apresenta um dos maiores aumentos de importação entre as 30 maiores economias do mundo, com taxas duas vezes maiores que o desempenho de suas exportações. Em 2007, o País teve alta de 32% nas importações, subindo no ranking da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com 35%, apenas os russos tiveram uma alta nas importações acima da taxa brasileira no ano passado. Nos dois primeiros meses do ano, a alta foi ainda maior e chegou a 50%, provocando reações de surpresa até mesmo entre os experientes economistas em Genebra.
O índice brasileiro é ainda o dobro da média mundial, de 14% no ano passado. Na América do Sul, a alta nas importações foi de 26%. A previsão é de que essa tendência seja mantida nos próximos meses, com o potencial de reduzir o superávit na balança comercial.
Em 2006, o Brasil ocupava a 29ª posição entre os importadores, com US$ 88 bilhões. Um ano depois, o País subiu à 27ª posição, superando Dinamarca, República Checa e Emirados Árabes Unidos. No total, a economia brasileira importou US$ 127 bilhões, ainda que isso represente apenas 0,9% das compras mundiais. Em 2006, era apenas 0,7%.
Para a OMC, o Brasil vem mantendo taxas altas de importação. Mas nada como em 2007 e o início de 2008. Em 2006 houve crescimento de 14%. Um ano antes, chegou a uma alta de 17% e 31% em 2004.
Fora dos 30 maiores importadores, outros países emergentes também apresentaram taxas elevadas de compras. A Venezuela aumentou suas importações em 45%, ante 35% na Arábia Saudita, 36% no Vietnã e 34% na Ucrânia.
A alta também permitiu que a participação dos países em desenvolvimento no comércio mundial chegasse a um novo recorde, com 34% de todo o fluxo.
“O brusco aumento dos preços das matérias-primas - particularmente combustíveis e metais - se traduziu em uma importante melhora da situação financeira da maioria das regiões em desenvolvimento e impulsionou as importações”, afirma o relatório da OMC.
Na avaliação da OMC, um fator que está contribuindo para essa alta no Brasil é a mistura entre um câmbio valorizado e o fortalecimento do consumo doméstico. Com um real valorizado, os consumidores passaram a procurar mais pelos bens importados, que chegaram às prateleiras com preços menores.
“O câmbio no Brasil certamente teve um peso nessa avaliação”, afirmou Patrick Loew, economista-chefe da OMC. O setor produtivo também teria aproveitado o câmbio para fazer investimentos em máquinas.
O resultado é que, no total, as importações do País cresceram 25% em volume, uma das taxas mais altas em 2007 em todo o mundo.
Nos dois primeiros meses de 2008, as importações superaram os números de 2007 e chegaram a 50%, bem acima das exportações, que cresceram cerca de 24%. Só em fevereiro a alta foi de 66%, taxa que chegou a assustar os economistas da OMC.

SERVIÇOS
Até no setor de serviços o Brasil vem apresentando altas taxas de crescimento das importações. Com compras de US$ 34 bilhões, a alta foi de 24%. Em 2007, o Brasil ocupou a 26ª posição nesse ranking de serviços, acima da Suíça. Em 2006, estava na 27ª posição, com US$ 27 bilhões em importação de serviços.
No total, as importações no mundo chegaram a US$ 14,2 trilhões em 2007. Desse total, 14% ocorreram nos Estados Unidos. Os americanos somaram pela primeira vez importações no valor de US$ 2 trilhões, US$ 1 trilhão acima do segundo colocado, a Alemanha.
A China superou o Japão e se tornou a terceira maior consumidora do mundo, com US$ 621 bilhões e um crescimento de 21%. Os países europeus também tiveram taxas de aumento das importações diante da valorização do euro. O crescimento na Alemanha foi de 17%, ante 13% na França e 14% na Itália. Holanda e na Bélgica tiveram aumento maior, de 18%
Fonte: O Estado de São Paulo


FINANCIAMENTOS - CEF financiará exportador

Abril 18, 2008

A Caixa Econômica Federal (CEF) começará a financiar exportações no segundo semestre.

     Por meio de um projeto piloto a instituição oferecerá produtos de apoio ao comércio exterior em todo o Brasil no ano que vem. A informação foi dada ontem pelo gerente nacional da instituição para a área internacional, Mário Ricardo Maia, durante o Encontro Nacional de comércio exterior (Encomex). O local do projeto ainda será escolhido. O foco será no apoio às vendas externas de micro, pequenas e médias empresas. “Não vamos competir com o Banco do Brasil, vamos somar esforços aos do Banco do Brasil e aos das outras instituições no comércio exterior”, informou Maia. O volume de empréstimo não foi definido.

Fonte: Correio Braziliense


País tem apenas 1,2% do comércio global

Abril 18, 2008

Marcelo Ninio, de Genebra
Exportações brasileiras aumentam 24% no começo do ano, enquanto importações do país crescem 56%, mostra OMC

Estudo da Organização Mundial do Comércio indica que, no ano passado, Brasil subiu para 23º no ranking global de exportadores

O comércio exterior brasileiro cresceu mais nos dois primeiros meses de 2008 que o das maiores economias do mundo, graças ao aumento da demanda interna e das altas nos preços das matérias-primas. O crescimento das importações foi particularmente alto, de 56% em relação ao mesmo período do ano passado.
As exportações cresceram menos no bimestre, mas o aumento de 24% ainda é maior do que o registrado por gigantes como Estados Unidos (20%), China (17%), Alemanha (23%) e Japão (22%). O baixo número da China tem motivos sazonais, explicaram os economistas da OMC (Organização Mundial do Comércio), pois registra a virada do ano, quando a atividade econômica diminui no país.
Em 2007, segundo estudo da OMC, as exportações do Brasil cresceram 17%, com volume de US$ 161 bilhões. O desempenho fez o país subir uma posição no ranking mundial, para o 23º lugar, mas o colocou na lanterna entre os chamados Brics (principais economias emergentes). As exportações da China cresceram 26% no ano passado, as da Índia, 20%. O Brasil empatou com a Rússia.
O desempenho brasileiro nas exportações também foi um pouco pior que a média dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que chegou a 18%.
A fatia ocupada pelos produtos brasileiros no mercado mundial não passa de 1,2%, inferior à de países bem menores, como Holanda (4%), Bélgica (3,1%) e Coréia do Sul (2,7%). Para Michael Finger, economista sênior da OMC, o lento crescimento da participação brasileira no comércio mundial tem razões históricas, principalmente a concentração no setor de matéria-prima.
“Para ampliar a sua fatia, o país teria que investir mais em produtos manufaturados, como fez a Coréia”, diz Finger.

Aquecimento interno
Os números da OMC confirmam o aquecimento da demanda interna do Brasil nos últimos meses, que alavancou o crescimento e protegeu o país das turbulências mundiais -mas também despertou os temores inflacionários que levaram o Banco Central a elevar os juros em 0,5 ponto anteontem.
Os dois primeiros meses deste ano prosseguem a tendência observada em 2007, quando as importações brasileiras tiveram crescimento de 32% em relação a 2006. Foi o maior aumento entre os países listados no estudo da OMC, com exceção da Rússia, cujas importações aumentaram 35%. No ranking mundial das importações, o Brasil ocupa o 27º lugar, com compras de US$ 127 bilhões (0,9% do total mundial).
Os países desenvolvidos investem justamente no aumento da demanda interna nos países em desenvolvimento, principalmente na China, para compensar os efeitos da desaceleração em suas economias.
Em 2007, a queda no consumo no mundo desenvolvido reduziu o crescimento econômico mundial de 3,7% para 3,4%. No mesmo período, as regiões emergentes registraram crescimento próximo de 7%
Fonte: Folha de São Paulo


Exportação está sob risco, diz Fiesp

Abril 18, 2008

Agnaldo Brito, da reportagem local
entrevista

Responsável por uma importante peça do projeto exportador no primeiro mandato do governo Lula, Juan Quirós, ex-presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos), hoje vice-presidente da Fiesp e de volta à iniciativa privada, afirma que a exportação brasileira está sob risco. A situação cambial, segundo ele, pode comprometer o esforço de criar uma “cultura exportadora” brasileira, com forte envolvimento das pequenas e médias empresas.

FOLHA - O câmbio está minando a cultura exportadora?
JUAN QUIRÓS - Precisamos gerar um novo modelo exportador. No primeiro mandato do presidente Lula, se criou uma cultura exportadora. O dólar sempre foi um fator complicado. Quando estava a R$ 3,50, quando caiu para dois reais e pouco. Muita gente falava que a R$ 2,50 não dava para exportar. O fato foi o de que o dólar caiu e as exportações continuaram crescendo, mas cresceu com a iniciativa privada. Hoje, está ficando insustentável para alguns setores exportadores. A exportação vai crescer, mas o problema está nas importações, que crescem muito mais devido ao câmbio.

FOLHA - O déficit na balança comercial está no horizonte?
QUIRÓS - Se as importações continuarem no atual ritmo, duas ou três vezes maiores do que as exportações, não tenha dúvida de que em 2009 teremos déficit na balança comercial. Vai depender muito da importação do petróleo e do preço das commodities, mas há risco grande disso.

FOLHA - O governo acaba de lançar uma meta na qual pretende exportar US$ 210 bilhões em 2010. É factível?
QUIRÓS - A meta dos US$ 210 bilhões faz parte da política industrial. Suponho que existe um estudo que ancore essa meta de exportação e a nova política industrial que será anunciada. A política industrial precisa ser anunciada e entrar imediatamente em prática para o setor exportador. Nós já passamos da luz amarela. Nós já estamos na luz vermelha.

Fonte: Folha de São Paulo


Greve afetou exportador 492 dias desde 2005

Abril 18, 2008

Estudo conta as paralisações e as operações-padrão federais até ontem. Perdas anuais são bilionárias, diz Fiesp
Ronaldo D’Ercole, Mariana Schreiber e Gustavo Paul
SÃO PAULO, RIO e BRASÍLIA. As empresas brasileiras que exportam ou dependem de insumos importados enfrentaram, de 2005 até ontem, 492 dias de greves e operações-padrão de funcionários públicos federais da área de comércio exterior, segundo estudo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave). As paralisações envolveram de fiscais do Ibama e do Ministério da Agricultura a agentes da Marinha Mercante e auditores da Receita Federal. Para o diretor do Departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Fiesp (federação das indústrias paulistas), Roberto Gianetti da Fonseca, as perdas com essas greves são de bilhões de reais por ano.

Os auditores, que fazem o controle aduaneiro de fronteiras, portos e aeroportos, são os campeões: 174 dias.

As empresas de áreas como tecnologia da informação, imagem e som e componentes eletroeletrônicos estimam em US$400 milhões o total de insumos importados retidos pela greve dos auditores. Os prejuízos com redução da produção, perda de faturamento e multas por atraso nos contratos, diz a Abinee (associação da indústria eletroeletrônica), podem chegar a US$150 milhões.

- (A greve) é chantagem - afirmou Gianetti.

Ontem, primeiro dia da operação-padrão dos auditores fiscais depois de um mês de greve, havia muitos contêineres parados em portos como Santos. Nos aeroportos, o quadro era parecido. Mas, segundo a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários (Abtra), em alguns terminais de Santos, o ritmo de desembaraço voltou ao normal.

A presidente da Unafisco (sindicato dos auditores fiscais) no Rio, Vera Balieiro, disse que a capacidade de armazenamento do Porto do Rio está praticamente esgotada:

- Já há pilhas de até seis contêineres, o máximo que o guindaste é capaz de empilhar. Como os outros portos brasileiros também estão esgotados, as cargas serão levadas para Argentina ou Uruguai.

O governo entrou ontem com recurso contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que impede o corte do ponto dos auditores, mas admitiu que terá de pagar o salário de abril, pois a folha é fechada hoje. Os dias de abril devem ser cortados no pagamento de maio.

A ação, da Procuradoria-Geral da União (PGU), alega já haver decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a greve dos auditores é ilegal, o que permite o corte do ponto. Argumenta ainda que o pedido da Unafisco era “para não fazer o desconto retroativo dos salários”. A administração pública, diz o texto, ordenou o corte do ponto apenas a partir do dia 9.
Fonte: O Globo


Franchising é tema de debate em São Paulo

Abril 18, 2008

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e Associação Brasileira de Franchising (ABF) promovem, no dia 8 de maio, das 14h às 17h30, o seminário “Franchising – A caminho da internacionalização”. O evento será realizado no auditório da  prefeitura de São Paulo e contará com a participação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e executivos do setor, além de representantes da ABF e do diretor de negócios da Apex-Brasil, Maurício Borges. As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 11-3814-4200

Fonte: Apex BRasil


Falta de contêineres vazios pode afetar comércio exterior, alerta associação

Abril 18, 2008

Brasília - A falta de contêneires vazios para mercadorias que deveriam ser exportadas poderá afetar o comércio exterior brasileiro. A avaliação é do diretor executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários (Abtra), José Roberto Campos. Segundo ele, com a greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que já dura um mês, estão comprometidos 90% da capacidade de armazenamento dos terminais portuários do país. Normalmente, há uma ocupação de 50% da capacidade dos portos.

No porto de Santos, o maior do país, 120 mil contêineres estão parados, o que corresponde a praticamente toda a movimentação mensal dos terminais. “Isso comprova que, nesses 30 dias as liberações foram muito baixas”, disse Campos. Segundo ele, nesta semana, dois navios que deveriam aportar em Santos cancelaram a atracação por falta de espaço nos terminais de cargas.

Além disso, o diretor da Abtra conta que faltam matérias-primas importadas e, com isso, várias indústrias estão paradas. Também já se constata o desabastecimento no mercado interno. De acordo com Campos, a situação é mais “dramática” nos aeroportos. “A Infraero está praticamente sem espaço, com demoras para recebimentos de cargas de exportação, filas intermináveis”, contou.

Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o principal impacto da greve é na imagem do país. “Estamos passando a imagem de um país que não cumpre compromissos. E, num mundo globalizado, todos têm uma função, e ela deve ser exercida no prazo estabelecido”, avaliou.

Castro disse que o principal prejuízo financeiro para os importadores é com o custo da armazenagem. Já os exportadores correm o risco de ter o negócio cancelado. “Na exportação, temos um prazo para embarcar uma mercadoria. O descumprimento desse prazo gera o direito do importador cancelar o negócio e nós sabemos que existem operações que estão sendo canceladas”, revelou. Na opinião do vice-presidente da AEB, o governo federal deveria ter negociado com os auditores para evitar que a greve iniciasse.

O vice-presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima de São Paulo (Sindamar), José Roque, relatou que a capacidade operacional do porto de Santos está entre 92% a 95% comprometida. “Mas, por enquanto, não tivemos navios desviando do Porto de Santos nem há navios na barra aguardando atracação”, admitiu.

O diretor do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Unafisco) Maurício Zamboni, alegou que a categoria está cumprindo a determinação de manter o efetivo mínimo de 30% dos auditores trabalhando. “A nossa intenção não é causar prejuízos. Esperamos que o governo apresente uma proposta condizente para que a gente possa sair do movimento”, disse.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os impactos da greve só serão avaliados quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) fechar os dados da balança comercial de abril, o que deverá ocorrer no dia 5 de maio.

Fonte: Agência Brasil


Em Cidade do Leste, paraguaios fazem negócios e apostam num governo melhor

Abril 18, 2008

Cidade do Leste (Paraguai) - Condições mais vantajosas no comércio de produtos importados e melhorias nos serviços públicos de saúde e educação são algumas das principais demandas de proprietários e funcionários dos cerca de 60 mil estabelecimentos comerciais – entre lojas e camelôs – funcionando em Cidade do Leste, segundo dados da Prefeitura do município.

Este é o caso do vendedor de eletrônicos Carlos Garay, paraguaio que trabalha no comércio da cidade há 15 anos e aprendeu português pela convivência com brasileiros que trabalham no comércio de Cidade do Leste. Só na loja onde ele trabalha, são cerca de 80%.

Garay é eleitor confesso de Fernando Lugo, ex-bispo candidato a presidente do Paraguai nas eleições do próximo domingo (20) pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC, sigla em espanhol). “Eu acho que [com a eleição do Lugo] vai melhorar para todo mundo”, diz.

Os brasileiros são atraídos principalmente por dois motivos: preços baixos, conseqüência de um imposto de importação em torno de 10%, e a possibilidade de conseguir emprego, com salário um pouco mais alto que no Brasil.

É o caso de Averaldo Oliveira da Silva, morador de Foz do Iguaçu. “A convivência aqui com os paraguaios é amigável, faz quinze anos que eu trabalho aqui já”, conta. Segundo ele, um dos motivos que leva os donos das lojas, em geral chineses ou libaneses, a contratar brasileiros é o fato de terem que atender muitos compradores vindos do Brasil.

Do lado de fora dos grandes centros comerciais, a situação é um pouco diferente. A maior parte são paraguaios, com opiniões divergentes na forma de definir o voto, mas todos esperando melhor qualidade de vida.

“Eu escolhi o Lino [Oviedo] pela relação que ele tem com o Brasil, porque nós dependemos muito do Brasil e temos muita esperança que tudo melhore”, afirma Luis Acosta, vendedor ambulante.

Já Teófilo Persíngola, também camelô, prefere Fernando Lugo, na expectativa de que “quem esteja no governo seja honesto”. “Em primeiro lugar, me interessa na proposta do Lugo a honestidade e não roubar o povo, depois saúde e educação. É diferente desses 60 anos de governo de um grupo de mafiosos que está imperando no nosso país”.

Ele não vê problemas na relação com os brasileiros em Cidade do Leste, nem com os comerciantes e importadores chineses e árabes. No entanto, ele ressalta que “a maioria do que o brasileiro ganha aqui leva para o Brasil, o árabe leva para o Líbano, o chinês leva para a China. Não fica nada aqui, ou você viu uma fábrica aqui? Você já descobriu uma fábrica de alta tecnologia aqui no Paraguai? Não, [os imigrantes vêm] só para vender um dia e depois já vai tudo”.

Findo o dia, sacolas cheias, é hora de voltar para casa. O trânsito em Cidade do Leste está ainda mais caótico. A Ponte da Amizade está cheia, não importa se chove ou faz sol. São carros, motos, vans, pessoas a pé, todos misturados com ambulantes, caixas, sacolas e militares. Desde meados da década de 80, o que eles querem é fazer negócio, conseguir um emprego e uma vida melhor, não importa em que lado da fronteira.

Fonte: Agência Brasil