Sindicato estima em R$ 6,4 milhões prejuízo com greve de auditores da Receita

Abril 7, 2008

São Paulo - A restrição das importações e exportações causada pela greve dos auditores da Receita Federal já causou um prejuízo de R$ 6,4 milhões à economia do país, segundo estimativa do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco).

O secretário-geral da entidade, Rogério Calil, informou que embora 30% dos trabalhadores da categoria atuem para manter a liberação de produtos essenciais, cerca de US$ 200 mil deixam de entrar por dia devido à paralisação, iniciada no dia 18 de março.

Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que já estão lotados os pátios de aduanas como as de Foz de Iguaçu (PR) e de Uruguaiana (RS), com capacidade para cerca de 800 caminhões: “É liberada a quantidade de veículos que 30% dos auditores podem autorizar. É normal que nos postos de maior movimento a capacidade já esteja se esgotando.”

Segundo José Roque, vice-presidente do Sindicato das Agências Marítimas (Sindamar), mais de 90% dos espaços nos terminais de cargas e descargas do Porto de Santos – o maior da América Latina – estão tomados por mercadorias. “Toda a carga importada está retida nos terminais. Isso impede que haja espaço suficiente para receber todos os produtos a serem exportados e já há falta de equipamentos [containers]”, disse

Hoje (7) pela manhã, os funcionários em greve realizaram assembléias e de acordo com o presidente do Unafisco de São Paulo, Luiz Fucks, “a greve continua por tempo indeterminado”.

Os auditores fiscais da Receita têm atualmente salário inicial de R$ 10.155, que pode chegar a R$ 13.382 no final da carreira. A categoria pede equiparação com os valores da Polícia Federal, onde o teto é superior a R$ 19 mil.

Fonte: Vinicius Konchinski e Marli Moreira
Repórteres da Agência Brasil


Exportadores terão desoneração tributária, diz Bernardo

Abril 7, 2008

Medida faz parte da segunda fase da política industrial, que deveria ter sido implantada no final de 2007.
Os exportadores brasileiros serão beneficiados nos próximos dias por um plano de desoneração tributária, segundo informou neste domingo a jornalistas o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, após fazer palestra no IIF Latin America Economic Fórum. O evento ocorre paralelamente à 49ª Reunião Anual de Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizada em Miami, nos Estados Unidos.

— Teremos incentivos extras para o setor exportador, com o objetivo de estimular investimento e pesquisa e o desenvolvimento tecnológico — limitou-se a afirmar. — Se eu falar mais, o presidente Lula não terá o que anunciar nos próximos dias.

As medidas adiantadas pelo ministro fazem parte da segunda fase da política industrial, que deveria ter sido implantada no final do ano passado, mas acabou suspensa por conta da não-aprovação da continuidade da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que dava receita da ordem de R$ 40 bilhões ao governo. Bernardo negou, no entanto, que as medidas na área cambial façam parte dessa fase da política para os exportadores, ainda que tenha admitido a possibilidade de algumas alterações isoladas.

— Não há nada previsto na área cambial. No câmbio, o que se admite é fazer algum ajuste pontual — disse, deixando claro que se referia a uma possibilidade. O que está em linha com o discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que na véspera, também em Miami, chamou de apenas um exercício teórico.

De acordo com o ministro, a alteração no câmbio será na mesma linha da mudança na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no início deste ano.

— Sabemos que medidas como esta, apesar se não serem diretamente ligadas ao câmbio, acabam tendo interferência no comércio exterior — afirmou.

As medidas da segunda fase da política industrial têm como objetivo, de acordo com Bernardo, incentivar a produção industrial do Brasil. Questionado se o modelo para estimular a atividade brasileira estaria relacionado a uma preocupação do governo quanto ao estreitamento do hiato do Produto Interno Bruto (PIB), o que poderia pressionar mais a inflação, o ministro foi taxativo:

— Claro! Sempre estivemos preocupados com isso.

Inflação

Ainda sobre a inflação, o ministro explicou que a meta de ampliar a participação do crédito total do país em relação ao PIB de 34% no ano passado para 50% em 2010 não necessariamente terá efeitos malignos sobre os índices de preços.

— A política de crescimento de crédito, como um todo, não é incompatível com o controle da inflação — argumentou.

Segundo ele, apesar de o crédito ter triplicado nos últimos anos, a inflação não subiu no mesmo ritmo e a inadimplência também não aumentou.

Sobre a criação do fundo soberano internacional, Bernardo disse durante palestra no IIF que o tema ainda apresenta problemas de difícil equação.

— Este debate está entre nós (do governo) desde o ano passado — lembrou, explicando que, diferentemente de fundos soberanos de outros países, o objetivo do Brasil é o de utilizar as reservas internacionais, atualmente próximas de US$ 200 bilhões, para internalizar os recursos e não adquirir empresas em outros países.

— Mas a internalização das reservas requer um cuidado extra porque pode gerar um excesso de liquidez e trazer efeitos não desejáveis para a economia doméstica, atrapalhando, inclusive, o trabalho do Banco Central — afirmou.

Segundo ele, o Brasil não tem a pretensão de ter um fundo soberano nos moldes vistos em outros países. Ele explicou que a idéia é promover a infra-estrutura brasileira, direcionando uma parte dos recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES):

— O BNDES tem uma carteira ampla, mas ainda não temos a decisão de como vamos tratar isso.

Durante a palestra, o ministro disse ainda que considera injusto o atraso da obtenção pelo Brasil da classificação de grau de investimento pelas agências de classificação de riscos, principalmente se esta demora estiver relacionada com a crise nos mercados financeiros internacionais.

— Aparentemente, a situação está em suspense, o que é uma injustiça — afirmou. — Não vejo razão para não termos essa promoção internacional, uma vez que não temos visto efeitos claros da crise sobre a economia brasileira até agora.
Fonte: Zero Hora


Ministros devem se encontrar na OMC em 19 de maio–diplomatas

Abril 7, 2008

BRUXELAS - Ministros das potências comerciais devem se encontrar na semana do dia 19 de maio para uma muito aguardada tentativa de fazer avançar as negociações sobre o comércio global, disseram diplomatas europeus no sábado.

“Ainda não há um acordo, mas a idéia é que haja conversas de nível técnico em genebra na semana de 12 de maio, seguidas por um encontro ministerial na semana do dia 19 de maio”, disse um dos diplomatas à Reuters.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, disse na quinta-feira que os ministros deveriam se encontrar na OMC em Genebra até o final de maio para tentar esboçar uum acordo sobrre a Rodada de Doha.

As negociações por um acordo global de comércio começaram com muito barulho no final de 2001, prometendo derrubar barreiras às exportações ao redor do mundo, dar aos países em desenvolvimento mais chances de combater a pobreza e impulsionar a economia global.

Mas as conversas foram sendo retardadas por seguidas crises e sem um avanço nas próximas semanas elas podem sofrer mais alguns anos de atraso, uma vez que a Casa Branca mudará de mãos e uma nova Comissão Européia tomará posse em 2009, além de eleições previstas em países em desenvolvimento como a Índia.

Ministros precisam chegar a um acordo em temas politicamente delicados como cortes de tarifas e subsídios em áreas importantes, como agricultura e bens industriais, e também a respeito de quais produtos sensíveis seriam protegidos dos cortes.
Fonte: O Estado de São Paulo


Lula defende TLC entre Mercosul e Sica

Abril 7, 2008

Brasília, 7 de Abril de 2008 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega da Guatemala decidiram na sexta-feira promover um acordo entre o Mercosul e o Sica .[…]No próximo mês, em El Salvador, teremos a oportunidade de dar um passo definitivo para tornar realidade essas aspirações”

Brasília, 7 de Abril de 2008 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega da Guatemala, Álvaro Colom, decidiram na sexta-feira promover um acordo entre o Mercosul e o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica).
“A conclusão de uma área de livre comércio entre o Mercosul e o Sica multiplicará complementaridades e investimentos e promoverá a cooperação técnica e a transferência tecnológica”, disse Lula durante almoço oferecido a Colom no Itamaraty.
Em nota conjunta, os dois presidentes se comprometeram a continuar fortalecendo as relações econômicas e comerciais entre o Mercosul e o Sica, e a promover a associação entre ambos os blocos. Lula participará em maio de uma reunião entre Brasil e Sica, formado por Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e Belize. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e a adesão da Venezuela aguarda aprovação dos Congressos de Brasil e Paraguai.
O presidente brasileiro afirmou que uma eventual área de livre-comércio deveria “corrigir as assimetrias entre as economias de ambos os blocos”. “No próximo mês, em El Salvador, teremos a oportunidade de dar um passo definitivo para tornar realidade essas aspirações”, acrescentou.
Durante a visita de Colom, que foi a Brasília acompanhado de vários ministros, os dois países firmaram vários protocolos em áreas como biocombustíveis e cooperação científica, educacional e de assistência social.
“Vemos na cooperação com a Guatemala um modelo do que o Brasil deseja desenvolver com toda a América Central”, disse Lula, que elogiou a trajetória política de Colom, um empresário de centro-esquerda que assumiu a presidência em janeiro. Lula foi à posse de Colom, que por sua vez escolheu o Brasil como destino de sua primeira viagem oficial.
Fonte: Gazeta Mercantil


Acordo pode ajudar Brasil em meio à crise, dizem EUA

Abril 7, 2008

DOHA
O Brasil, assim como os EUA, está cada vez mais dependente de exportações e de uma economia global forte, o que reforça a necessidade de acordo sobre a Rodada Doha na OMC neste ano, disse o vice-representante de Comércio dos EUA, John Veroneau. Ele disse que houve “progresso tremendo” desde 2007, o que pode ser resultado das preocupações com o crescimento global decorrentes da crise.

Fonte: Folha de São Paulo


AUDITORES FISCAIS - Greve ameaça parar comércio exterior

Abril 7, 2008

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que hoje completa 19 dias, ameaça provocar um colapso nos principais portos e aeroportos do País, além de estrangular a produção de uma série de indústrias.

     Só no Porto de Santos, o maior da América Latina, 90% dos terminais estão com áreas comprometidas com a armazenagem de cargas retidas.

      Se a paralisação continuar por mais uma semana, não haverá espaço para descarregar os navios, diz o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp). Segundo fontes do setor, nos últimos dias, alguns terminais enviaram comunicado para os armadores explicando o problema e alertando para possíveis transtornos. As empresas, porém, preferem não aparecer com medo de represálias.

      A situação é semelhante em aeroportos, como o de Cumbica, na capital, e Viracopos, em Campinas, onde as filas de caminhões já imitam a dos portos. Segundo o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), Valdir Santos, a situação está complicada e pode piorar se técnicos do Tesouro Nacional também entrarem em greve.

      Segundo ele, em Viracopos, os terminais estão lotados a ponto de deixar aviões esperando no chão até descarregar as mercadorias. Detalhe: o custo diário de uma aeronave parada está em torno de R$ 200 mil. No caso dos navios, o valor varia entre US$ 40 mil e US$ 60 mil, diz o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, Wilen Manteli.

      Pelos cálculos do Centro de Logística da Coppead/UFRJ, o custo de 19 dias de greve dos auditores fiscais é de US$ 38 milhões. “Esse é o custo de oportunidades, da mercadoria parada no porto ou aeroporto”, afirma o professor da instituição Paulo Fleury. O prejuízo não leva em conta os transtornos vividos pelas empresas.

      Na Zona Franca de Manaus, sete indústrias da área de eletroeletrônicos, celulares e bicicletas pararam suas linhas de produção e deram folgas remuneradas para 7 mil funcionários. “Trata-se de um problema que atinge as empresas pelo sexto ano consecutivo. Quem paga a conta é a sociedade, pois os auditores não vão perder seus salários”, desabafa o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Eletroeletrônicos e Similares de Manaus, Wilson Perico.

      A entidade conseguiu liminar para que as mercadorias sejam liberadas, mas afirmou que a determinação não está sendo atendida. O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo também está amparado por liminares. Até ontem, 750 empresas pediramcópia da decisão para tentar liberar suas compras.

Fonte: O Estado de São Paulo