Siscomex-carga preocupa empresários

Março 27, 2008

Os sindicatos dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) e das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) manifestaram preocupação , com a proximidade da entrada em vigor do Siscomex-Carga, o novo software da Alfândega que pretende aumentar o nível de fiscalização nas operações de importação.De acordo com representantes das duas entidades, o novo sistema, que irá entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira, apresenta dificuldades de acesso que podem, em última análise, paralisar a atividade portuária.

Segundo o diretor-executivo do Sopesp, José dos Santos Martins, os operadores sequer conseguiram acessar o sistema para cumprir o período de treinamento. Nem o pessoal do setor de Tecnologia da Informação dos terminais obteve êxito, destacou. ”Isso é muito mais sério do que se imagina”, alertou o executivo. ”Há uma parte teórica e outra prática. Todos sabemos o que fazer, mas não como fazer”, disse o gerente-executivo do Sindamar, José Roberto Mello.

As manifestações foram feitas pela manhã, durante reunião do Comitê de Logística do Porto de Santos, da qual participou o representante da Alfândega, Antonio Russo Filho. O diretor do Sopesp pediu que o colegiado oficiasse as dificuldades à Aduana. Com o Siscomex-Carga, ou apenas Siscarga, todas as análises da carga poderão ser adiantadas ainda no porto de origem, de forma que quando a mercadoria chegar ao porto de destino estará pronta para ser desembaraçada.

”Com o Siscomex-Carga, o importador poderá preparar sua declaração de importação pelo sistema, antes da atracação do navio”, explicou Russo, para complementar: ”Nós podemos chegar a uma fase de desembaraço sobre a água”. Assistente do inspetor da Alfândega, Russo rechaçou a possibilidade de a data de inauguração do sistema ser adiada.

”Não vejo necessidade de adiamento. Talvez tenha um período de adaptação, uma fase transitória, na qual a gente poderá ficar com procedimentos do Siscomex-Carga e da sistemática atual. A solução será encontrada, nós não vamos parar o porto, como é a preocupação deles”, garantiu Russo, segundo quem as reclamações já foram encaminhadas ao inspetor da Alfândega, José Guilherme Vasconcelos.

Sobre as dificuldades de acesso ao sistema, Russo disse não ser ”a pessoa mais indicada para responder sobre os aspectos técnicos”.

O tempo médio para o despacho de uma carga de exportação no Porto de Santos é de 5 horas e na importação, de 7,5 horas, índices que colocam a Aduana santista à frente da maioria dos países industrializados em agilidade, afirma o auditor fiscal e assistente do inspetor da Alfândega, Antonio Russo Filho. De acordo com ele, o tempo diz respeito apenas ao período contado a partir do momento em que foi dada entrada no pedido de despacho no órgão até a liberação da carga para o trânsito, sem levar em conta o período gasto, por exemplo, no posicionamentodo contêiner para ser inspecionado.

 

Fonte:Netmarinha


Comércio entre Brasil e China registrou forte crescimento em 2007

Março 27, 2008
Aumento na troca comercial entre os dois países chegou a US$ 9,4 bilhões, diz relatório

O Brasil foi o país que teve o maior aumento na troca comercial com a China, chegando a US$ 9,4 bilhões, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira em Miami. O jornal Latin Business Chronicle, responsável pela análise, afirma que o Brasil também se destacou como o maior parceiro comercial de Pequim na América Latina, com US$ 29,705 bilhões.

O documento aponta que o comércio entre a América Latina e a China alcançou o valor recorde de US$ 102,611 bilhões em 2007, uma alta de 46,6% em relação a 2006.

As exportações latino-americanas ao mercado chinês subiram 49,4%, chegando a US$ 51,068 bilhões, enquanto as vendas da China à região aumentaram 43,1%, até US$ 51,543 bilhões, de acordo com o Latin Business Chronicle.

Ao contrário dos Estados Unidos, a América Latina tem um menor déficit comercial com a China.

“De fato, cinco das sete principais economias da América Latina, incluindo o Brasil, registraram no ano passado um superávit comercial com a China”, informou o jornal.

O crescimento do comércio entre a América Latina e a China é baseado principalmente em suas necessidades de matérias-primas, mas o país asiático também aumentou seu interesse de exportar a outros mercados que não sejam de lento crescimento como os EEstados Unidos, a Europa e o Japão, segundo a análise.
Fonte: Zero Hora


Empresários se articulam para renovar SGP

Março 27, 2008

A novela para a renovação do Sistema Geral de Preferências (SGP) dos Estados Unidos - que permite que produtos brasileiros entrem no maior mercado do mundo sem pagar tarifa de importação e expira no fim deste ano - já recomeçou. Desta vez, uma polêmica externa deve prejudicar indiretamente o Brasil: a aprovação do acordo de livre comércio entre os EUA e a Colômbia pelo Congresso americano. Os empresários brasileiros começam a se organizar com viagens a Washington e contratação de lobistas. Em 2007, US$ 3,4 bilhões foram exportados pelo Brasil para os EUA via SGP, o equivalente a 14% das vendas para o país.

Uma queda-de-braço entre democratas e republicanos sobre política comercial dificulta a renovação do SGP. Os democratas, que controlam o Congresso, são simpáticos à renovação do sistema, que também beneficia países pobres como Guiné Equatorial e Chade. Os republicanos, porém, recusam-se a aceitar o SGP sem a aprovação dos acordos de livre comércio já assinados pela administração do presidente George W. Bush e ainda não aprovados pelo Congresso dos EUA com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul.

E é neste ponto que a situação complica muito. O livre comércio tem sido alvo de ataques dos pré-candidatos democratas à Presidência dos EUA, Hillary Clinton e Barack Obama. Para concordar com novos acordos, os democratas exigem a criação de um “plano de assistência para ajuste ao comércio”. A idéia é preparar as empresas americanas que serão afetadas pela concorrência externa antes da assinatura dos acordos. A proposta é capitaneada por nomes de peso entre os democratas, como o presidente do Comitê de Finanças, Max Baucus, e a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi.

Do lado dos republicanos, a aprovação do acordo de livre comércio com a Colômbia transformou-se em uma questão vital para a Casa Branca. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, está se empenhando pessoalmente pelo acordo por conta de sua importância estratégica na América Latina. O senador republicano Charles Grassley, antigo “inimigo” do Brasil, também é um dos defensores. Para o governo Bush, o incidente diplomático entre Equador e Colômbia evidenciou que a região atravessa um momento instável, potencializado pela influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

É esse turbilhão que ameaça engolir o SGP e atrapalhar mais uma vez sua renovação. “O pior cenário é que o impasse entre republicanos e democratas sobre o acordo com a Colômbia prejudique o clima de negociação e acaba contaminando o processo de renovação dos programas”, avalia Mário Marconini, diretor de relações internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que esteve recentemente em Washington e se reuniu com assessores dos principais parlamentares que serão vitais na renovação do SGP.

Embora represente apenas 0,2% das importações americanas totais, o SGP está sempre envolvido em polêmica. A última renovação ocorreu no fim de 2006 e foi complicada para o Brasil. O país foi ameaçado de ser cortado do programa por acusações de não ser eficaz no combate à pirataria e em retaliação por sua postura ofensiva nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). Após intensa pressão do setor privado, o SGP foi estendido por mais dois anos, mas o setor de autopeças ficou de fora.

Para Marconini, os Estados Unidos dariam “um tiro no pé” se excluíssem o Brasil do sistema geral de preferências. Segundo levantamento da Fiesp, 40% das exportações brasileiras para os EUA via SGP representam matérias-primas para as empresas americanas e outros 8% são bens de capital. A China é o principal concorrente do Brasil em 63% dos produtos. Em reunião ontem na Fiesp, empresários dos principais setores beneficiados, como máquinas, móveis e químicos, começaram a traçar sua estratégia para mais um capítulo da novela da renovação do SGP.
Fonte: Valor Econômico


Argentina e Brasil

Março 27, 2008

Paulo Nogueira Batista Jr.

POSSO DIVAGAR um pouco hoje? Vou sair da área estritamente econômica e tratar da relação entre o Brasil e a nossa principal aliada -a Argentina. Não sei se o leitor sabe, mas eu tenho sido, ao longo dos anos, um defensor aguerrido da integração sul-americana.
Preliminarmente, quero deixar claro: o Brasil poderia desenvolver o seu projeto nacional por conta própria, pois tem tamanho para isso. Não precisamos, a rigor, da integração com os vizinhos para garantir a nossa posição no mundo.
Porém parece evidente que uma aliança estratégica, de longo prazo, com as demais nações sul-americanas, ou com boa parte delas, aumentará consideravelmente o nosso poder de fogo -em termos políticos e econômicos.
Está ficando cada vez mais claro que o mundo será multipolar. Os Estados Unidos tiveram o seu “momento unipolar” logo após o colapso do bloco soviético e a desintegração da própria União Soviética. Mas esse momento passou e não voltará.
Agora, a questão que se coloca para nós é a seguinte: a América do Sul será parte de um bloco comandado pelos Estados Unidos -esse era, aliás, o sentido da Alca (Área de Livre Comércio das Américas)- ou teremos capacidade de organizar o nosso próprio pólo sul-americano?
Repare, leitor, que hoje se fala em América do Sul -e não mais em América Latina, como nos tempos de Raúl Prebisch, de Celso Furtado e da antiga Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). O processo de incorporação do México e da América Central ao espaço econômico dos Estados Unidos está muito adiantado -América Latina deixou de ser um conceito politicamente operativo.
Mesmo na América do Sul, diga-se de passagem, há países que aceitaram um modelo de integração subordinada tipo Alca (Chile, Peru, Colômbia). Mas aqui o poder gravitacional dos Estados Unidos não é tão intenso.
Tudo isso para chegar à Argentina. A relação Argentina-Brasil é obviamente o eixo da integração sul-americana. Esses dois países precisam desempenhar -e já estão desempenhando- o papel que coube ao eixo Alemanha-França na integração da Europa.
A relação entre o Brasil e a Argentina atravessa uma fase bastante boa. O processo de integração tem os seus percalços e turbulências, mas avança mesmo assim.
Os dois países têm certamente um substrato comum -herança histórica, proximidade geográfica, certos traços culturais. Mas o que chama mais atenção são as diferenças entre os dois povos -diferenças psicológicas, de “caráter nacional”.
O romantismo -em vertente exacerbada- talvez seja o traço distintivo do argentino. O romantismo com todo o seu colorido e fulguração -mas também com os seus abismos de morbidez, doença e culto do sofrimento.
O brasileiro não tem nada a ver com isso. Ao contrário, somos essencialmente pragmáticos, céticos, tendendo para o deboche. Quase diria: o brasileiro é o anti-romântico por excelência.
E, no entanto, os dois se entendem, se complementam, se atraem. O romantismo tem o seu poder magnético para nós também. Um grande escritor português, Fernando Pessoa, expressou isso muito bem, em uma passagem do seu belíssimo “Livro do Desassossego”:
“A maior acusação ao romantismo não se fez ainda: é a de que ele representa a verdade interior da natureza humana. Os seus exageros, os seus ridículos, os seus poderes vários de comover e de seduzir, residem em que ele é a figuração exterior do que há mais dentro na alma”.

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. , 52, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

Fonte: Folha de São Paulo