Indianos investirão US$ 600 milhões no etanol brasileiro
Março 26, 2008Empresas indianas interessadas no etanol brasileiro devem anunciar, nos próximos dias, investimentos de US$ 600 milhões no plantio de cana de açúcar e produção do combustível no Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, foi informado oficialmente dos investimentos durante audiência com o ministro do Petróleo e Gás indiano, Murli Deora, em Nova Dhéli, nesta quarta-feira (26/3).
As empresas Bharat Petroleum, Hindustran Oil e Índia Oil devem formar um consórcio e comprar participações em usinas brasileiras que produzem etanol. O objetivo é conhecer a tecnologia brasileira e desenvolvê-la mais tarde na Índia. Os indianos se mostraram especialmente interessados na tecnologia motores automotivos flex full, que permite a utilização de qualquer proporção da mistura de etanol e gasolina. Segundo maior produtor mundial de cana, a Índia já adiciona 5% de etanol na gasolina, mas não têm carros movidos a etanol.
O ministro Miguel Jorge viajou à Índia chefiando uma comitiva de empresários em busca de novas oportunidades de negócios e investimentos para o Brasil. A missão foi organizada pelo MDIC com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Índia.
Seminário
Miguel Jorge participou hoje de seminário organizado pela Confederação da Indústria da Índia (CII) e ouviu do ministro do Comércio e Indústria deste país, Kalal Nath, que o Brasil é um parceiro importante na atual estratégia de negócios da Índia, impulsionada pelo crescimento vigoroso da economia, na faixa de 9% ao ano.
“Nós mudamos a economia e não olhamos os Estados Unidos. Olhamos os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Não temos crises das sub-prime. Seguimos as melhores práticas. O Brasil é líder no continente. Existem ótimas oportunidades de investimentos. Há muito que fazer”, disse Nath.
“As empresas abriram portas para novos negócios, inclusive, algumas empresas médias que participaram da missão. Este é o caminho. O empresário brasileiro precisa ousar e descobrir essas oportunidades”, afirmou o ministro Miguel Jorge.
Esta avaliação é compartilhada pelo diretor de Negócios da Apex-Brasil, Maurício Borges. “Há um potencial dos dois lados e uma boa vontade para fazer negócios com o Brasil. Observamos que delegações de vários estados indianos vieram à Nova Dhéli para os encontros com os empresários brasileiros. Isso mostra que há um interesse concreto nas parcerias”.
O diretor de Relações Institucionais da Fiat, Antonio Sérgio Mello, identificou oportunidades de negócios na área de peças para o setor automotivo e destacou o interesse na tecnologia flex full. “A tecnologia moderna do Brasil nessa área encanta os indianos” – observou Mello.
Para o diretor de Assuntos Governamentais da Volkswagen, Antonio Megale, a aproximação entre Brasil e Índia é “absolutamente” necessária. “Para nós, é importante entender como a Índia está se movimentando e qual é sua estratégia para o mundo”, observou.
Medicamentos
Durante a missão, também foram identificadas oportunidades de negócios nas áreas de medicamentos, alimentos, médico-hospitalar, tecnologia da informação, máquinas e equipamentos, componentes para couros e calçados, entre outros
Fonte: MDIC
Escrito por Guilherme Oliveira
