Mantega discute com Lula medidas cambiais do governo e crise norte-americana
Março 24, 2008Brasília - As medidas anunciadas pela equipe econômica, no último dia 12, para conter a queda do dólar ainda precisam de tempo para terem seus efeitos avaliados, disse hoje (24) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
“É muito cedo para sabermos a repercussão dessas medidas. Os efeitos da medida de liberalização da arrecadação das exportações só vão aparecer mais adiante, mas ela foi recebida muito bem pelo mercado”, afirmou o ministro.
Segundo Mantega, a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de estrangeiros deverá surtir os efeitos esperados. “Mas ainda precisaremos acompanhar o desempenho da economia para saber melhor”, ponderou.
Para estimular as exportações, o governo tributou estrangeiros que investem em capital de curto prazo no Brasil para impedir que a moeda norte-americana continuasse a se depreciar. Hoje, o dólar comercial fechou o dia a R$ 1,75.
Outra medida foi permitir que empresários que exportam mantenham toda a receita com as vendas internacionais no exterior e deixem de pagar IOF ao converter os dólares em reais. As aplicações estrangeiras em renda fixa e em títulos do governo federal, no entanto, passaram a pagar 1,5% de IOF. As medidas de estímulo à exportação vigoram desde o dia 17.
De acordo com Mantega, a crise da economia norte-americana também foi abordada no encontro com o presidente. Ele ressaltou que o cenário internacional continua complicado, mas que o Brasil ainda não foi atingido.
“A crise continua séria, porém ela não tem apresentado nenhuma repercussão sobre o Brasil, o que não quer dizer que nós não tenhamos uma posição de precaução, de atenção”, avaliou o ministro. “O crescimento interno e os investimentos [no Brasil] não estão sendo desestimulados”, disse.
Fonte: Agência Brasil
Escrito por Guilherme Oliveira