Siscomex Carga

Março 19, 2008
Tive a oportunidade de participar do treinamento no Siscomex Carga e Sistema Mercante efetuado pela ESAF no dia 18/03/2008. Visto isto, preparei algumas informações básicas que podem ajudar a entender melhor o sistema.
Sistema carga(Siscomex carga): procedimento informatizado de controle, pela RFB, nos portos alfândegados, da entrada e saída de embarcações e da movimentação de cargas e contêineres vazios transportados.
Finalidade do Siscargas:
1. Controlar a viagem de embarcação no País, da primeira atracação até a última desatracação.
2. Controle de carga aquaviária:
    a) de importação
    b) de exportação
    c) de passagem
3. Possibilita a análise de cargas através da consulta aos dados informatizados ou, se for o caso, da interrupção do fluxo da carga, mediante a bloqueio.
4. Melhorar o controle do transito aduaneiro de cabotagem, substituindo o MCC
5. Simplificar a autorização de transbordo ou baldeação internacional, substituindo o DTI
6. Agilizar as autorizações decorrentes do termo de entrada e do passe de saída de que trata os art. 31 e 53, do RA, substituindo a emissão desses documentos em papel ela autorização no sistema CARGA.
7. Controlar eletronicamente o endosso do conhecimento de carga.

Sistema Mercante: Procedimento informatizado de controle, pelo DEFMM, das ocorrências do fato gerador de Adicional ao frete para Renovação da Marinha Mercante - AFRMM - e do sei respectivo pagamento ou reconhecimento do benefício de suspensão, isenção ou não incidência, mediante a informação de evento AFRMM no sistema.

Finalidade de integração do Siscargas e Sistema Marcante: Receber as informações das cargas em um único sistema, possibilitando à RFB e ao DEFMM procederem de forma informatizada aos controles de sua competência, bem como harmonizar a fiscalização quando forem complementares.

Entidades Intervenientes nos Sistemas Siscomex Carga e Mercante:
- RFB - Servidores aduaneiros
- DEFMM - Departamento do Fundo da Marinha Mercante/Servidores
- Transportador, classificados em:
    Empresa de navegação nacional ou estrangeiro
    Agencia de navegação(ou marítima)
    Agencia de carga(consolidador/Desconsolidador)
- Operador portuário - dirigentes e prepostos
- Depositários - dirigentes e prepostos de recintos alfândegados
- Consignatário ou exportador nacional
- Outros intervenientes decorrentes de convênios firmados pela RFB

Siscomex carga e os demais sistemas envolvidos:
- Mercante
- Siscomex importação
- Siscomex exportação(não está integrado no momento)
- Transito aduaneiro
- Radar
- Mantra(não está integrado no momento)
- IWW Conexão tPc IP.ink

Siscomex carga visa o controle das cargas em processo de exportação, importação ou passagem pelo território nacional. A integração do sistemas serão gradativas.

As informações principais(dados das cargas) serão alimentadas pelo armador e agente de carga - principais utilizadores do sistema.
Função dos exportadores/importadores será informar ao transportador prévio ao embarque os dados da carga, conforme instrução do transportador. Num primeiro momento o exportador e importadores não irão alimentar o sistema com informações, mas podendo usufruir das consultas para a localização da carga, endosso eletrônico(quando necessário) e andamento do processo.
Despachantes:
- Exportação: somente consulta para a localização da carga e andamento do processo.
- Importação: consulta para a localização da carga, consulta AFRMM, endosso eletrônico(quando necessário) e andamento do processo.
Obs.: este sistema trata-se somente de procedimentos via marítima, não incluido embarques via aérea, rodoviário ou ferroviário. Descartado, temporariamente, liberações de importação e exportação por essas vias.
Mais dúvidas, estou a sua disposição para maiores esclarecimentos.

Acordo na OMC seria bom para o Brasil

Março 19, 2008

Uma reunião entre ministros de Comércio, em maio, poderá ser a última chance para se chegar a um acordo, ainda este ano, na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Faço parte do time que torce pelo fechamento do acordo, embora, neste momento, a probabilidade de ele sair seja menor do que seu adiamento. Para o Brasil o adiamento não é uma boa solução.

Sem julgar as escolhas feitas pelo governo, o fato é que a negociação multilateral da OMC emperrou a política comercial do Brasil. O governo atual deixou claro que as ações de política comercial com foco em acordos bilaterais só terão vez quando a negociação da OMC acabar. Não fechar um acordo nos próximos meses significa adiar, no mínimo, até o final do mandato do presidente Lula, ações mais agressivas em negociações bilaterais.

Os defensores do adiamento se apegam à negociação de produtos industriais. O argumento é que a redução das tarifas vai trazer prejuízos para certos setores da indústria brasileira. Perdas para certos setores acontecem em negociações internacionais. No entanto, desde que o balanço de ganhos para sociedade brasileira seja positivo e equilibrado, maior competição internacional em certos setores não é razão suficiente para trabalharmos pelo adiamento do acordo.

Uma das formas de avaliar se a negociação está equilibrada é comparar os resultados em agricultura, setor em que o Brasil é ganhador líquido, e em produtos industriais, em que estão os poucos setores defensivos e os não dispostos a ver seu mercado ameaçado por novos competidores. Aqui, mais uma vez, não há razões para buscarmos um adiamento na conclusão da rodada.

Mesmo reconhecendo que o chamado “nível de ambição” - que no jargão dos diplomatas significa a profundidade da abertura comercial - da negociação agrícola foi reduzido de forma significativa, o acordo ainda trará ganhos importantes para o comércio agrícola mundial e para o setor agrícola brasileiro. Paralelamente, e é preciso reconhecer que o Itamaraty está atuando muito bem nesse campo, o nível de ambição da negociação de abertura dos produtos industriais também já foi reduzido significativamente. Isso quer dizer que as concessões na indústria, assumindo argumento de que uma maior abertura não é necessariamente boa para certos setores, serão condizentes com os ganhos agrícolas.

Um acordo balanceado entre agricultura e indústria é apenas uma das razões que me colocam no time dos torcedores pelo acordo. Há razões relacionadas ao mercado de produtos agrícolas que são ainda mais importantes. A negociação agrícola está baseada em dois pilares: aperfeiçoamento das disciplinas e abertura de mercados. Os mais importantes ganhos dessa rodada virão no aperfeiçoamento das disciplinas.

Aperfeiçoar as disciplinas significa reduzir a liberdade dos países de usarem subsídios que afetam negativamente o comércio mundial, provocando queda nos preços ou deslocando exportadores. Distorções dessa natureza são regra nos produtos agrícolas. A União Européia ainda exporta carnes de frango e bovina fazendo uso de subsídios às exportações. A Índia dá subsídios às exportações de seus produtores de açúcar. Um acordo na Rodada de Doha levará à eliminação desse tipo de subsídios.

Políticas internas também distorcem o mercado mundial. Os campeões nesse assunto são os EUA, que garantem um certo nível de preço aos seus produtores quando os preços mundiais estão muito baixos. Um produtor de soja norte-americano não precisa se preocupar com os preços porque, quando a soja está cotada abaixo de US$ 230/tonelada, o governo garante o equivalente a esse valor ao produtor. É claro que nestes tempos de soja com preços acima de US$ 400/tonelada tendemos a esquecer que entre 1999 e 2002, quando os preços estavam muito baixos, a área plantada nos EUA crescia, derrubando ainda mais os preços.

Infelizmente, a Rodada de Doha ainda não trará a boa notícia da eliminação desse tipo de subsídio, mas criará uma importante disciplina: um teto por produto. Em 2000, ano recorde de subsídios para soja nos EUA, enquanto os preços mundiais estavam em US$ 180/tonelada, os produtores norte-americanos chegaram a receber mais de US$ 230/tonelada, ou seja, US$ 50 em subsídios. Após a rodada, o valor máximo será de US$ 25. No caso do algodão, o teto por produto vai praticamente eliminar os subsídios. É por causa do algodão que os EUA têm afirmado que não é preciso ter pressa para fechar a rodada.

É no pilar de acesso a mercados que o nível de ambição está mais comprometido. Diversos produtos terão suas tarifas reduzidas por cortes muito baixos, porque serão selecionados como itens sensíveis. Nesses produtos, a abertura de mercado se dará por meio de cotas, o que interessa pouco ao Brasil. Esse é o nosso contencioso com os europeus, que relutam em aumentar suas cotas de carnes (bovina, suína e de aves), mesmo sabendo que a produção doméstica está caindo. Não devemos esquecer que parte dos produtos industriais também pode ser selecionada como sensível. Neste caso, um país em desenvolvimento pode isentar de redução até 10% do número total de tarifas.

Do lado dos países em desenvolvimento, nossa maior preocupação é com o novo mecanismo de salvaguardas. Brasil e outros exportadores cometeram o deslize de aceitar, no lançamento da rodada, em 2001, a criação dessas salvaguardas. O objetivo agora é garantir que elas não acarretem aumento do nível de proteção. Garantido isso, teremos conseguido administrar o erro cometido lá atrás.

Se temos menos a ganhar do que o esperado em agricultura, temos pouco a perder na indústria. Adiar a conclusão da rodada vai ajudar os países que querem reduzir ainda mais o seu nível de ambição. Destravar a agenda comercial brasileira e pôr em prática novas disciplinas sobre subsídios são razões suficientes para se fechar um acordo ainda este ano.

André Meloni Nassar é diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone).

Fonte: O Estado de São Paulo


Mercosul e UE podem retomar negociações

Março 19, 2008

Cristiane Perini Lucchesi

As negociações para a criação de um acordo bilateral entre o Mercosul e a União Européia poderão ser retomadas em Lima, em encontro ministerial no dia 16 de maio. Essa é a expectativa de Fabian Delcros, conselheiro e chefe da seção para assuntos comerciais da União Européia, e de Evandro Didonet, diretor do Departamento de Relações Internacionais do Ministério de Relações Exteriores. Os dois participaram em seminário sobre o euro, ontem, em São Paulo.

“Temos interesse em chegar a um acordo com o Mercosul e vamos relançar o debate em Lima”, disse o representante da UE. Ele disse que com a crise atual, a garantia de acesso a mercados de commodities de grande tamanho, como da zona do euro, é fundamental ao Brasil. Ele disse estar pessimista com as rodadas de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ele acrescentou que o debate com o Mercosul pode fluir se o Brasil realmente mostrar sua liderança. Outra condição para o debate é que fique claro que a UE não pode fazer tantas concessões em um acordo bilateral quando faria em um acordo mais amplo, multilateral. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Queiroz Monteiro, disse que a vontade da indústria é que um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia seja fechado o quanto antes, para criar um ambiente mais propício aos negócios.

Fonte: Valor Econômico