Pró-exportação

O bom desempenho das exportações a partir da adoção do câmbio flutuante pavimentou o caminho da economia brasileira, à medida que tornou o país menos dependente de financiamentos externos e, assim, não tão vulnerável às turbulências do mercado financeiro internacional.
Mas o sucesso das exportações virou uma espécie de bumerangue na direção dos setores que se envolveram nas vendas para o exterior. Mais protegida diante de crises internacionais, e com o mercado interno reagindo a partir do impulso das exportações, a economia brasileira passou a atrair considerável volume de capitais, endereçado tanto a operações financeiras como a investimentos diretos.
Tal fluxo de moeda estrangeira tem levado o real a se valorizar, especialmente diante do dólar, enfraquecido pela expectativa geral de uma retração - ou até mesmo recessão - na economia americana.
Não fosse a alta de preços de muitos produtos vendidos pelo Brasil (em alguns casos expressivos, como o minério de ferro e a soja, por exemplo) talvez as exportações já tivessem fraquejado. Felizmente elas ainda têm crescido a um ritmo expressivo, entre 15% e 20% no período de doze meses. No entanto, começam a aparecer sinais de que a valorização do real pode prejudicar esse desempenho. As importações vêm registrando um crescimento bombástico, a ponto de a balança comercial já ter registrado déficit em algumas semanas.
O mercado doméstico também tem demandado mais produtos que estavam antes direcionados para a exportação.
Nesse contexto, as autoridades econômicas agiram corretamente ao eliminar o IOF sobre as exportações, ao mesmo tempo em que os exportadores passaram a ter mais autonomia para converter suas receitas em reais ou não. Do lado financeiro, a entrada de capitais de curto prazo atraídos pelas taxas de juros brasileiras foi desencorajada com a tributação de IOF em 1,5%.
É o que pode ser feito no momento. Baixar os juros - como bem ficou assinalado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária - seria uma temeridade numa conjuntura em que a demanda interna está muito forte e a inflação vem sendo alimentada em todo o mundo pela alta dos preços de energia e de commodities. Abandonar o regime de câmbio flutuante, por sua vez, representaria um retrocesso. E seria irracional barrar a entrada de capitais para investimentos de médio e longo prazos.
Fonte: O Globo

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