Importação de equipamentos usados terá novas diretrizes

Diante do aumento da demanda interna e dos problemas provocados pelas ultrapassadas normas que regem o setor, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior quer, em seis meses, atualizar as regras para a importação de máquinas e equipamentos usados. A idéia do governo é facilitar a entrada desses bens a fim de aumentar a capacidade produtiva da indústria nacional. A iniciativa é considerada bem-vinda pelos empresários que não conseguem comprar máquinas novas nos mercados doméstico e internacional para pronta entrega. Os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos, entretanto, criticam a medida. “O Brasil vai virar o lixo do mundo. Vai importar sucata. Generalizar isso é abrir uma porta muito perigosa”, protesta o presidente da Associação da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, segundo quem a idade média das máquinas usadas no Brasil é 17 anos. “Tem que renovar, mas com máquinas novas e inovação tecnológica.”

O presidente da Abimaq chamou de “desculpa” o argumento segundo o qual as máquinas usadas são compradas para garantir o crescimento da produção da indústria enquanto máquinas novas não ficam prontas. “Se o setor nacional for enfraquecido, o Brasil vai ser condenado a ser sempre pobre. O País vai sempre importar tecnologia. Esse é um setor estratégico, que produz mercadorias de alto valor agregado. Isso é o contrário do que fazem os países ricos.”

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o governo evitará que o Brasil vire “um depósito” e que os produtores locais enfrentem concorrência desleal. Não será flexibilizada a proibição de importação de produtos de consumo usados. O governo garante que evitará danos ao meio ambiente. Além disso, sublinha Barral, tomará precauções para que os produtores locais de bens de capital não sejam prejudicados.

Fonte: Gazeta Mecantil

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