MONTEVIDÉU, 11 Mar 2008 (AFP) - A XIV Reunião do Conselho de Ministros da Aladi, realizada em Montevidéu, fracassou em seu objetivo de obter acordos em diversas questões comerciais, de integração e de solução de controvérsias.
Apesar de eleger o paraguaio Hugo Saguier como secretário-geral do Conselho da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), para o lugar do uruguaio Didier Opertti, os representantes de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Peru, Paraguai, Uruguai e Venezuela não conseguiram aprovar qualquer dos projetos de resolução apresentados.
Os projetos envolviam o regime geral de origem; o regime regional de salvaguardas; diretrizes para um regime regional de solução de controvérsias; comércio de serviços; diretrizes para fortalecer a integração produtiva regional e um plano de ação para os países de menor desenvolvimento econômico relativo (Equador, Bolívia e Paraguai).
Na entrevista coletiva ao final do encontro, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que “não há divergência sobre a integração”, apenas “persistem alguns problemas técnicos”, que “não são problemas complicados (…) Houve uma discussão que não teve nada de ideológica”.
Amorim também anunciou que pretende organizar uma conferência para reunir todos os processos de integração da América Latina e do Caribe durante a presidência do Brasil no Mercosul, a partir de julho.
“Acreditamos que uma América do Sul forte e unida é essencial para a integração de todos os países da América Latina e do Caribe”, disse em seu discurso aos ministros e representantes dos países que integram a Aladi.
“Temos realizado pesquisas visando esta convocação, possivelmente durante a presidência brasileira do Mercosul, para uma ampla conferência que reúna os membros de todos os processos de integração latino-americanos e caribenhos”.
“Todos os processos de integração da América Latina devem ser complementares ou convergentes” e “esta conferência terá este objetivo”, destacou Amorim durante entrevista coletiva.
O chanceler brasileiro aproveitou a reunião para discutir com seu colega uruguaio, Gonzalo Fernández, sobre a reunião da OEA na próxima segunda-feira, em Washington, na qual uma missão entregará um relatório sobre o ataque colombiano que gerou a grave crise entre Colômbia e Equador.
“Falamos um pouco da situação que existe para a Assembléia da OEA, ainda sobre os fatos da semana anterior”, após o ataque que levou Equador, Nicarágua e Venezuela a suspenderem relações diplomáticas com a Colômbia, revelou Amorim. Além disso, “trocamos algumas idéias sobre como devemos proceder”.
Fernández, por sua vez, disse que o Uruguai “se apega ao cumprimento estrito do direito internacional público, dos princípios de não-intervenção e da solução pacífica de polêmicas”.
“Acredito que, em boa medida, (a solução para a crise) já foi alcançada através da reunião do Grupo do Rio”, afirmou.
Uma missão da OEA viajou até a fronteira do Equador com a Colômbia para examinar no local as circunstâncias do ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc no Equador. Na operação morreu o número dois da guerrilha, Raúl Reyes.
A missão, liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, entregará seu relatório na próxima reunião da organização.
Fonte: Uol
