Corrente de comércio entre Brasil e Paraguai é a maior em dez anos

Março 12, 2008

Em 2007, Brasil e Paraguai tiveram a maior corrente de comércio dos últimos dez anos - US$ 2,1 bilhões, uma expansão de 36,1% sobre 2006 (US$ 1,5 bilhão). Um dos motivos desse resultado positivo são as reuniões periódicas do grupo de Monitoramento do Comércio Bilateral, segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho. O secretário chefiou ontem (11/3) a comitiva brasileira que participou da 12ª reunião bilateral Brasil-Paraguai, realizada em Foz do Iguaçu (PR).
 
Segundo o secretário, são muitos os pontos positivos a comemorar, como o aumento do intercâmbio comercial. “Em 2007, as vendas do Paraguai ao Brasil aumentaram 46,7% em relação a 2006 e, nos dois primeiros meses deste ano, o crescimento foi de 175,7%  - comparado ao mesmo período do ano passado”.
 
Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC mostra que o aumento das exportações paraguaias ao Brasil, em janeiro e fevereiro deste ano, fizeram o país dobrar sua participação no total das compras externas brasileiras, passando de 0,3% para 0,6%.
 
Outros assuntos de destaque da pauta da 12ª reunião bilateral Brasil-Paraguai foram o avanço da integração das cadeias produtivas e entre órgãos públicos do dois países; a simplificação nos trâmites de importação do Brasil e a implantação das áreas de controle integrado nas aduanas. Com relação ao pedido brasileiro para o Paraguai internalizar o Protocolo de Montevidéu, relativo ao comércio de serviços no Mercosul, o governo paraguaio informou que o texto continua em análise no Legislativo do país


Missão comercial levará empresários brasileiros à Índia

Março 12, 2008

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) está organizando uma Missão Empresarial à Índia, nos dias 25 e 26 de março de 2008, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a Câmara de Comércio Brasil-Índia. Liderada pelo Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, a missão tem como objetivos a realização de negócios e a busca de parcerias estratégicas.
 
Foram previamente selecionados setores considerados de interesse prioritário pelos governos dos dois países: máquinas e equipamentos; equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos; móveis e artefatos de madeira; pisos e revestimentos; eletro-eletrônicos; software e componentes para couro e calçados.
 
A Índia tem uma população de 1,1 bilhão de habitantes, PIB de US$ 873 bilhões e sua economia cresceu 9,7% em 2006 (últimos dados disponíveis). É um mercado gigantesco, que importou, em 2006, US$ 172 bilhões, 24% a mais do que no ano anterior. A participação brasileira neste volume de compras ainda é bem pequena (0,54%) e há, portanto, um grande potencial para ampliação das vendas para o país.
 
Os participantes da Missão Empresarial terão reuniões em Nova Délhi, agendadas com empresas indianas selecionadas a partir do interesse dos setores. Os empresários arcarão com passagem, hospedagem, alimentação e transporte. Interessados devem procurar a Apex-Brasil pelo e-mail apex@apexbrasil.com.br ou telefone (61) 3426 0202.

Fonte: MDIC


Após 17 anos, Mercosul ainda engatinha

Março 12, 2008
Faltando pouco para atingir sua maioridade, o Mercosul - o bloco que une Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – ainda está engatinhando.

Na avaliação de economistas, analistas, políticos e empresários ouvidos pela BBC Brasil, 17 anos após sua criação, o Mercosul ainda tem muitos entraves que impedem que ele caminhe firme em direção a uma profunda – e sonhada – integração.

“Não acho que haja retrocesso (na evolução do Mercosul), mas é um processo de avanço muito lento em um mundo muito dinâmico”, diz o ex-ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna.

Quando foi criado, o Mercado Comum do Sul se propunha a implementar a livre circulação de bens e serviços entre os países, o estabelecimento de uma tarifa externa comum, além de uma política macroeconômica e setorial entre os integrantes que assegurasse condições adequadas de concorrência entre eles.

Porém em muitos aspectos este projeto ainda não se consolidou. Bens e serviços ainda encontram várias barreiras para cruzar as fronteiras e os sócios menores reclamam que não receberam condições adequadas para competir com os maiores.

Depois de passar por períodos de crise recentes, o bloco começou 2008 sob a liderança rotativa argentina e tenta atacar estes problemas, segundo o subsecretário argentino de integração econômica para as Américas e o Mercosul, Eduardo Sigal.

“Queremos concluir a elaboração do código aduaneiro, avançar o máximo possível no mecanismo de distribuição da renda aduaneira, além de progredir em um acordo entre o Mercosul, a Índia e a SACU (União Aduaneira da África Austral”, explica Sigal.

“Acreditamos que isso vá fortalecer o acordo Sul-Sul para nos posicionarmos melhor no mundo”, acrescentou.

Na opinião dos especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o bloco econômico apresenta uma série de vantagens, como, por exemplo, o aumento do poder de barganha dos países-membros no cenário internacional.

Outro ponto positivo é o incremento no comércio regional. No início dos anos 90, o total de exportações e importações entre os países do bloco era de cerca de US$ 15 bilhões, segundo dados da Associação Latino-americana de Integração (Aladi).

Este comércio aumentou amplamente durante o processo de integração e os quatro países fecharam 2006 com um volume comercializado de mais de US$ 26 bilhões.

Apesar destes elementos positivos, entre as dificuldades do Mercosul está a disparidade de tamanho das economias , o que fez com que a evolução do comércio fosse desigual.

De acordo com a Aladi, as balanças comerciais de Brasil e Argentina com os dois parceiros menores do Mercosul fecharam 2006 com um saldo positivo de cerca de US$ 1,3 bilhão e US$ 990 milhões respectivamente, e conseqüentemente Paraguai e Uruguai viram suas balanças comerciais com as duas grandes economias terminarem mais um ano no vermelho.

Além disso, o volume negociado entre Brasil e Argentina em 2006 esteve próximo de US$ 20 bilhões, enquanto que a troca de produtos do Brasil com Paraguai e Uruguai juntos se limitou a cerca de US$ 3,2 bilhões.

Culpa?

As duas economias menores do bloco dizem que o Brasil tem uma grande parcela de culpa nesta situação.

Uruguai e Paraguai dizem que têm um acesso limitado ao mercado muito maior que a criação do Mercosul deveria proporcionar aos pequenos países.

“Os grandes mercados deveriam ter uma abertura sem tropeços para as pequenas economias. E algumas dificuldades para a entrada de produtos no Brasil gera incertezas para os exportadores e investidores”, afirma o diretor da Comissão Setorial para Mercosul do Uruguai, José Manuel Quijano.

Paraguai e Uruguai também acusam o Brasil de privilegiar sua relação comercial com a Argentina e não se preocupar com o desenvolvimento harmônico dos quatro países.

“Creio que o Brasil deve demonstrar uma vontade política renovada para consolidar um Mercosul que não se limite a uma aliança estratégica com a Argentina, porque isso vai contra o projeto histórico do Mercosul”, diz o cientista político e historiador da Universidade da República do Uruguai, Gerardo Caetano.

A crise da relação do Uruguai com o bloco chegou ao auge após o fechamento de um Acordo Marco de Comércio e Investimentos (Tifa, na sigla em inglês) com os Estados Unidos, em janeiro de 2007. Este tipo de acordo muitas vezes antecede um tratado de livre comércio, o que seria proibido pelas normas do Mercosul.

O Uruguai vem pedindo que Brasil e Argentina permitam tratados de livre comércio das economias menores do Mercosul com países de fora do bloco, argumentando que a medida ajudaria a combater o problema das assimetrias.

“Seria permitir que Uruguai e Paraguai cresçam. Não apenas com o Mercosul, mas com o mundo”, afirma o presidente da Câmara de Comércio Uruguai-Brasil, Emilio Ponfilio.

“Mas infelizmente acho que Brasil e Argentina não estão interessados nisto. Não nos deixam firmar os acordos com base nas normas do Mercosul – as mesmas normas que são violadas todos os dias, lamentavelmente”, diz ele.

No fim do ano passado, a discussão sobre a permanência do Uruguai no Mercosul esfriou, com a reiteração do governo uruguaio de que não vai abandonar o bloco que ajudou a fundar.

Para combater as assimetrias – para as quais o ex-ministro da Economia da Argentina Roberto Lavagna diz ter chamado a atenção já há quatro anos – foi criado em 2006 o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), que começou a funcionar apenas no ano seguinte.

“Argentina e Brasil são culpados por não terem se preocupado antes com Paraguai e Uruguai. Quando eu ofereci um programa especial para os dois países em 2004, o Brasil não fez nada. Só foi se mexer em 2006 e aí quem demorou foi a Argentina”, afirmou o ex-ministro.

O Brasil e a Argentina colaboram com 97% do montante do fundo, enquanto que Uruguai e Paraguai assumem a parcela restante.

A maior parte do dinheiro (80%) do fundo – que em 2008 deve totalizar US$ 100 milhões – é aplicada em projetos para o desenvolvimento do Paraguai e do Uruguai.

Venezuela

Uma outra forma de trazer mais equilíbrio para o Mercosul é a inclusão de “sócios médios”, como a Venezuela.

Porém, o anúncio de sua adesão foi feito em julho de 2006 e até hoje ainda não se concretizou, porque ainda precisa ser aprovada pelo Senado brasileiro e o Parlamento paraguaio.

A entrada da Venezuela também divide opiniões. Se por um lado, o país é visto como um mercado a mais para os atuais integrantes do Mercosul, alguns se perguntam se o presidente Hugo Chávez não pode se tornar um problema nas relações entre os países do bloco e com outros fora dele.

De acordo com Quijano, a inclusão da Venezuela traz um equilíbrio maior para o bloco, além de o país ser um importante fornecedor de petróleo.

“O Mercosul tem se preocupado há algum tempo em incluir um sócio médio, o que pode gerar uma melhor distribuição de poder do bloco”, diz ele.

Porém, há quem duvide dos benefícios que o país pode trazer para o Mercosul.

Roberto Lavagna alerta que Brasil e Argentina têm de evitar que Chávez domine a agenda do Mercosul e acabe alterando a agenda substancial do bloco.

“A primeira proposta formal dele deve ser a criação de um Exército sul-americano. Não acho que haja na da mais longe dos interesses e das necessidades dos nossos países”, argumentou o ex-ministro.

Política

Se ainda existem muitos entraves na área comercial, o analista argentino Félix Peña, um dos principais negociadores do Mercosul durante o governo do ex-presidente Carlos Menem, ressalta que houve algumas vitórias políticas.

“O Mercosul está longe de alcançar a união aduaneira. Mas sob o olhar político, o Mercosul avançou muito, como elemento de estabilidade, de paz. E nao só entre os países-membros, mas por toda a América do Sul. E este Mercosul mais político está passando por um teste agora (devido ao conflito entre Equador-Colômbia e Venezuela)”, afirmou.

Para o especialista, um dos exemplos de avanço foi o anúncio recente de um acordo nuclear entre Brasil e Argentina – questão que antes gerava extrema desconfiança entre os dois vizinhos.

Peña entende que a situação da América do Sul “seria mais complicada” se não existisse o Mercosul.

“Enquanto estamos conversando, vários caminhões estão atravessando as fronteiras sem pagar taxas pelas exportações e empresas brasileiras estão se instalando na Argentina. Enfim, tudo graças ao Mercosul”, disse.

“As críticas ao bloco podem ser pertinentes, mas se o Mercosul não existisse a situação seria pior.”

* Colaborou Márcia Carmo (Argentina)


Mercado brasileiro se distancia de vizinhos sul-americanos

Março 12, 2008
Apesar do discurso de integração comercial, nos últimos dez anos os exportadores dos demais países sul-americanos vêm perdendo participação no mercado brasileiro – o maior do continente.

As importações brasileiras dos países da América do Sul como um todo caíram de 19,8% do total em 1997 para 15,4% no ano passado.

As vendas brasileiras para países dentro e fora do Mercosul estão indo no sentido oposto, em alguns casos dando saltos de dois dígitos.

O desequilíbrio provoca críticas dos parceiros comerciais na região, que acusam o Brasil de excesso de protecionismo.

Mas economistas brasileiros ouvidos pela BBC Brasil atribuem o fenômeno à falta de competitividade das economias da região.

“Barreiras”

Ecoando reclamações de exportadores de países vizinhos, o presidente da Associação de Exportadores Peruanos, José Luís Silva Martinot, diz que o Brasil é um país fechado, que muitas vezes dificulta a entrada de produtos da região.

“(Às vezes) barreiras técnicas ou leis estaduais fazem com que seja quase impossível comercializar com o Brasil”, afirma ele.

O desequilíbrio em favor do Brasil e a queda relativa das importações dos vizinhos se acentuaram a partir de 2003, justamente quando ganhou novo impulso o discurso do governo brasileiro pela integração sul-americana.

Em 2002, as exportações e importações brasileiras na região estavam quase equilibradas, com exportações de US$ 7,5 bilhões contra importações de US$ 7,6 bilhões.

No ano passado, as exportações haviam quadruplicado, para US$ 31,9 bilhões, enquanto as importações cresceram uma vez e meia, para US$ 18,5 bilhões. Ou seja, o superávit brasileiro pulou para US$ 13,3 bilhões.

Com essas mudanças nos números, não é de estranhar que as reclamações se acumulem.

Argentina

“Há muitas coisas que podem melhorar (na relação comercial)”, diz Eduardo Sigal, subsecretário argentino de integração econômica para as Américas e o Mercosul.

“(Ainda) há travas legislativas, constitucionais e burocráticas que dificultam que o comércio seja maior.”

A Argentina é um dos países que viram umas das maiores viradas na balança. Em 1997, tinha um superávit de mais de US$ 1,1 bilhão com o Brasil. Em 2007, teve um déficit de mais de US$ 4 bilhões.

De maneira geral, o Brasil passou a comprar mais de outras partes do mundo e a vender mais para os vizinhos.

Olhados em conjunto, os países sul-americanos receberam em 1990 o equivalente a 8,5% de todas as exportações brasileiras.

No ano passado, foram o destino de 19,9% das vendas das empresas brasileiras para o exterior.

A participação da região nas exportações já foi maior – chegou a 24,2% em 1997 – mas caiu no início desta década até chegar a 12,4% em 2002, após a crise que atingiu mercados importantes, como Argentina e Venezuela.

O analista do Ministério do Planejamento Leandro Freitas Couto, que analisou os dados de comércio de todos os países, destaca que entre 1990 e 2004 aumentou o comércio – tanto importações quando exportações – entre todos os países sul-americanos.

A exceção foi o Brasil e o Uruguai, que passou a exportar mais para fora da região neste período.

“A estrutura produtiva é o maior entrave a uma integração maior”, afirma Couto.

Competitividade

Um levantamento do economista Chau Kuo Hue, consultor da LCA Consultores, mostra que o comércio na região aumentou com o aumento da concentração entre os quatro maiores da região – Brasil, Argentina, Chile e Venezuela.

Em 1990, as vendas para estes três países representavam 51,5% da exportação brasileira para a região.

No ano passado, a participação de Argentina, Chile e Venezuela nas exportações brasileiras passou para 73,8%.

“Isso mostra não uma integração maior entre todos os países, mas uma concentração do comércio entre os grandes”, diz Hue, para quem isso é sinal da falta de complementaridade entre os países da região de um modo geral.

O economista Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV do Rio de Janeiro, acha que esta situação não vai mudar e que a assimetria pode até aumentar.

“Ela reflete basicamente a diferença de estrutura econômica do Brasil em relação à maioria dos países da região”, afirma.

Ele diz que o atual momento, com o real valorizado, seria o ideal para aumentar as importações dos países da região, que também entram no Brasil com tarifas baixas.

“Se com essas condições não for possível mudar o perfil das importações brasileiras na região, eu acho difícil que isso aconteça depois”, afirmou.

Para Carlos Langoni “é bom lembrar que a economia brasileira é liderada pelo setor privado (…). E o setor privado compra de onde for mais barato, onde for mais eficiente, onde tiver mais controle tecnológico”.

O cientista político Amaury de Souza, sócio das consultorias MCM Consultores Associados e Techne Informática e Recursos Humanos, também acha que o limite está justamente na diferença de tamanho e diversidade dessas economias.

“Nós produzimos de tudo. E temos que ver o que eles têm a nos oferecer”, diz ele.

Um maior equilíbrio, afirma, pode vir no futuro, quando as empresas brasileiras que estão se estabelecendo no exterior aumentarem a integração produtiva e o comércio intrafirmas, exportando para o Brasil a partir dos países vizinhos.

Busca de equilíbrio

Em diferentes países há o reconhecimento de que o Brasil não pode ser completamente responsabilizado pela situação e que muitos países precisam sofisticar a sua oferta para entrar no mercado brasileiro.

“Do ponto de vista da Venezuela essa relação está sendo menos aproveitada (do que pelo Brasil)”, diz Nelson Quijadas, presidente da Câmara de Comércio Venezuela-Brasil.

“Nós deveríamos aproveitar a possibilidade de transferência de tecnologia do Brasil para cá.”

O governo brasileiro reconhece que o desequilíbrio comercial é um problema para a integração regional e diz estar tentando tomar medidas para mudar o rumo.

“Há um esforço brasileiro para buscar o equilíbrio, mas o comércio não é um jogo de soma zero”, afirma o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral.

Ele diz que foram criadas comissões para monitorar o comércio e discutir a eliminação de barreiras que dificultam as importações dos vizinhos.

“A maior parte dos setores ainda tem um enorme potencial de substituição de importações competitivas e de integração da cadeia”, diz o secretário.

*Com reportagem de Andrea Wellbaum (Argentina e Uruguai), Denize Bacoccina (Brasília) e Márcia Freitas (Peru)

Fonte: BBC - Brasil


Importação de equipamentos usados terá novas diretrizes

Março 12, 2008

Diante do aumento da demanda interna e dos problemas provocados pelas ultrapassadas normas que regem o setor, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior quer, em seis meses, atualizar as regras para a importação de máquinas e equipamentos usados. A idéia do governo é facilitar a entrada desses bens a fim de aumentar a capacidade produtiva da indústria nacional. A iniciativa é considerada bem-vinda pelos empresários que não conseguem comprar máquinas novas nos mercados doméstico e internacional para pronta entrega. Os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos, entretanto, criticam a medida. “O Brasil vai virar o lixo do mundo. Vai importar sucata. Generalizar isso é abrir uma porta muito perigosa”, protesta o presidente da Associação da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, segundo quem a idade média das máquinas usadas no Brasil é 17 anos. “Tem que renovar, mas com máquinas novas e inovação tecnológica.”

O presidente da Abimaq chamou de “desculpa” o argumento segundo o qual as máquinas usadas são compradas para garantir o crescimento da produção da indústria enquanto máquinas novas não ficam prontas. “Se o setor nacional for enfraquecido, o Brasil vai ser condenado a ser sempre pobre. O País vai sempre importar tecnologia. Esse é um setor estratégico, que produz mercadorias de alto valor agregado. Isso é o contrário do que fazem os países ricos.”

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o governo evitará que o Brasil vire “um depósito” e que os produtores locais enfrentem concorrência desleal. Não será flexibilizada a proibição de importação de produtos de consumo usados. O governo garante que evitará danos ao meio ambiente. Além disso, sublinha Barral, tomará precauções para que os produtores locais de bens de capital não sejam prejudicados.

Fonte: Gazeta Mecantil


Aladi não chega a acordos sobre questões comerciais

Março 12, 2008

MONTEVIDÉU, 11 Mar 2008 (AFP) - A XIV Reunião do Conselho de Ministros da Aladi, realizada em Montevidéu, fracassou em seu objetivo de obter acordos em diversas questões comerciais, de integração e de solução de controvérsias.

Apesar de eleger o paraguaio Hugo Saguier como secretário-geral do Conselho da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), para o lugar do uruguaio Didier Opertti, os representantes de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Peru, Paraguai, Uruguai e Venezuela não conseguiram aprovar qualquer dos projetos de resolução apresentados.

Os projetos envolviam o regime geral de origem; o regime regional de salvaguardas; diretrizes para um regime regional de solução de controvérsias; comércio de serviços; diretrizes para fortalecer a integração produtiva regional e um plano de ação para os países de menor desenvolvimento econômico relativo (Equador, Bolívia e Paraguai).

Na entrevista coletiva ao final do encontro, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que “não há divergência sobre a integração”, apenas “persistem alguns problemas técnicos”, que “não são problemas complicados (…) Houve uma discussão que não teve nada de ideológica”.

Amorim também anunciou que pretende organizar uma conferência para reunir todos os processos de integração da América Latina e do Caribe durante a presidência do Brasil no Mercosul, a partir de julho.

“Acreditamos que uma América do Sul forte e unida é essencial para a integração de todos os países da América Latina e do Caribe”, disse em seu discurso aos ministros e representantes dos países que integram a Aladi.

“Temos realizado pesquisas visando esta convocação, possivelmente durante a presidência brasileira do Mercosul, para uma ampla conferência que reúna os membros de todos os processos de integração latino-americanos e caribenhos”.

“Todos os processos de integração da América Latina devem ser complementares ou convergentes” e “esta conferência terá este objetivo”, destacou Amorim durante entrevista coletiva.

O chanceler brasileiro aproveitou a reunião para discutir com seu colega uruguaio, Gonzalo Fernández, sobre a reunião da OEA na próxima segunda-feira, em Washington, na qual uma missão entregará um relatório sobre o ataque colombiano que gerou a grave crise entre Colômbia e Equador.

“Falamos um pouco da situação que existe para a Assembléia da OEA, ainda sobre os fatos da semana anterior”, após o ataque que levou Equador, Nicarágua e Venezuela a suspenderem relações diplomáticas com a Colômbia, revelou Amorim. Além disso, “trocamos algumas idéias sobre como devemos proceder”.

Fernández, por sua vez, disse que o Uruguai “se apega ao cumprimento estrito do direito internacional público, dos princípios de não-intervenção e da solução pacífica de polêmicas”.

“Acredito que, em boa medida, (a solução para a crise) já foi alcançada através da reunião do Grupo do Rio”, afirmou.

Uma missão da OEA viajou até a fronteira do Equador com a Colômbia para examinar no local as circunstâncias do ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc no Equador. Na operação morreu o número dois da guerrilha, Raúl Reyes.

A missão, liderada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, entregará seu relatório na próxima reunião da organização.
Fonte: Uol


Ministério discute normas para importação

Março 12, 2008

Fernando Exman Brasília
Diante do aumento da demanda interna e dos problemas provocados pelas ultrapassadas normas que regem o setor, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior quer, em seis meses, atualizar as regras para a importação de máquinas e equipamentos usados. A idéia do governo é facilitar a entrada desses bens a fim de aumentar a capacidade produtiva da indústria nacional. A iniciativa é bem-vinda pelos empresários que não conseguem comprar máquinas novas nos mercados doméstico e internacional a pronta entrega. Os fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos, entretanto, criticam a medida.
- O Brasil vai virar o lixo do mundo. Vai importar sucata. Generalizar isso é abrir uma porta muito perigosa - protestou o presidente da Associação da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, segundo quem a idade média das máquinas usadas no Brasil é 17 anos. - Tem que renovar, mas com máquinas novas e inovação tecnológica.
O presidente da Abimaq chamou de “desculpa” o argumento segundo o qual as máquinas usadas são compradas para garantir o crescimento da produção da indústria enquanto máquinas novas não ficam prontas.
- Se o setor nacional for enfraquecido, o Brasil vai ser condenado a ser sempre pobre. O país vai sempre importar tecnologia. Esse é um setor estratégico, que produz mercadorias de alto valor agregado. Isso é o contrário do que fazem os países ricos.
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o governo evitará que o Brasil vire “um depósito” e que os produtores locais enfrentem concorrência desleal. Não será flexibilizada a proibição de importação de produtos de consumo usados. O governo garante que evitará danos ao meio ambiente. Além disso, sublinha Barral, tomará precauções para que os produtores locais de bens de capital não sejam prejudicados.
Outra preocupação do governo é adequar a nova regra ao posicionamento brasileiro nas negociações para a liberalização comercial conduzidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, brigam pela abertura total desse mercado. Já o Brasil defende uma abertura seletiva. No ano passado, o Brasil ganhou uma disputa contra a União Européia e legitimou o seu direito de não importar bens de consumo usados. Naquele caso, estava em jogo o comércio de pneus usados.
- Muitas empresas estão aumentando os seus parques produtivos e não há máquinas disponíveis no mercado. A demanda é muito alta. A análise de licenças de importação continuará rigorosa e exigente - destacou o secretário.
Em 2006, o Ministério do Desenvolvimento concedeu 18.720 licenças de importações de máquinas e equipamentos usados, o que totalizou US 1,4 bilhão. No ano passado, as licenças subiram para 23.018, ou US 2,4 bilhões. Os dados dos primeiros meses deste ano ainda não foram consolidados pelo governo.
Para ouvir todos os segmentos interessados, o Ministério do Desenvolvimento iniciou no dia 20 de fevereiro uma consulta pública, que terminará na quinta-feira.

Fonte: Jornal do Brasil


Experts: Don’t fear the weak dollar

Março 12, 2008

The dollar keeps hitting new lows against the euro. But some say this won’t hurt the economy unless the greenback enters a prolonged slump

NEW YORK (CNNMoney.com) — Concerns about the weak dollar are mounting. But even as the greenback sinks to new lows against the euro and other global currencies, some experts say this is not necessarily a bad thing for the U.S. economy.

The anemic dollar does pose plenty of hurdles for an economy that some argue is already in a recession. Most notably, the weak dollar is raising more fears about the very visible impact of higher inflation.

Textbook economics suggest that a weaker dollar forces consumers to pay more for imported goods like toys made in China or a bottle of wine from France’s Bordeaux region.

Moreover, it also drives up the price of commodities priced in dollars. And unless you’ve been living under a rock lately, that’s already happening across a broad range of commodities including wheat, gold and oil, which now hovers at record levels just below $110 a barrel.

But the inflation fears may be a bit overblown.

Late last week, Federal Reserve Governor Frederic Mishkin said in a speech that the dollar’s decline only poses a limited inflation threat to the United States, arguing that there is little correlation between consumer inflation and changes in the exchange rate.

Still, there are other reasons to be fearful of a weak dollar. If the dollar declines further, this may erode interest by international investors in buying dollar-denominated securities.

Although many foreigners are still buying more U.S. securities than they are selling, there are signs that some overseas investors are slowly shifting away from assets tainted by the dollar, such as U.S. Treasurys.

According to the most recent Treasury International Capital report, a monthly reading on foreign investment flows, net foreign purchases of long-term U.S. securities were $69.1 billion in December, down from net purchases of $70.3 billion in November and $118 billion in October.

If this trend continues and overseas investors actually start selling more securities than buying, that could hurt the economy since a sell-off in Treasurys would lead to higher long-term bond rates. That would be a problem since longer-term bond yields have an influence on mortgage rates. Bond prices and yields move in opposite directions.

“Foreigners continue to buy U.S. securities,” said Jay Bryson, global economist with Wachovia. “If there was a massive exodus, you would see a major impact on Treasurys.”

The economy and exports

But two key factors temper economists’ fears about the lasting impact of a sunken dollar: a surge in exports and expectations that the economy will begin to show signs of the growth during the second half of the year.

The dollar has helped lift sales at U.S. manufacturers that export their goods, large multinational companies like Boeing (BA, Fortune 500), General Motors (GM, Fortune 500) and Apple (AAPL, Fortune 500). Trade numbers published Tuesday by the Commerce Department showed that exports jumped 1.6% percent in January.

And with some economists and policymakers, including Federal Reserve Chairman Ben Bernanke and Treasury chief Henry Paulson, talking about the economy bouncing back during the second half of 2008, that should also be good news for the dollar.

That’s because the Fed would probably stop lowering interest rates if the economy shows signs of resuming a healthier level of growth. Many on Wall Street say the Fed’s rate cuts are partly to blame for the weak dollar because lower short-term rates have helped fuel the rise in oil and other commodities and undermine confidence in the dollar.

But right now, the near-term outlook for the dollar is still troubling since some pretty ugly economic numbers likely lay ahead.

“You don’t have to be a rocket scientist to see how many issues the domestic economy has right now,” said Benedikt Germanier, currency strategist at UBS.

The dollar is trading around $1.53 against the euro and some currency strategists anticipate the greenback could shatter the key psychological mark of $1.60 against the euro in the next month or two.

Wachovia’s Bryson warns that if the dollar hit that level as the result of a sudden move, that would be a big deal since it could force already skittish foreign investors to dump their dollar-denominated securities. But if the dollar gradually moves towards the $1.60 range in the next few months, he does not see this as a problem.

And even the most bearish currency experts agree that the dollar should perk up against the euro later in the year if the sluggish U.S. economy starts to pick up and the Fed winds down its rate-cutting campaign.

But some worry that if the economy doesn’t rebound in the second half of the year, the dollar would remain sluggish, which would limit the appeal of assets like Treasurys to foreign capital.

“If the dollar would stay this way over a period of several years, it would be a negative,” said David Resler, chief economist at Nomura Securities in New York.

In other words, temporary weakness of the dollar isn’t a reason to fret. But it’s still up in the air whether the health of the dollar will improve anytime soon.

Fonte: CNN