Ipea propõe freio à entrada de dólar

Marcio Pochmann sugere medidas para enfrentar o problema cambial, mas defende a acumulação de reservas.

     O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, defendeu ontem a continuidade da política de acumulação de reservas internacionais e afirmou que o governo precisa pensar numa forma de “contornar o problema cambial do País”. Segundo ele, a atual taxa de câmbio já se mostra insatisfatória para a manutenção das exportações brasileiras.

      “A minha preocupação maior é a questão cambial. Talvez não deveríamos ter permitido que a taxa de câmbio se situasse no nível em que se encontra. Há várias medidas que podem ser adotadas e outros países adotam”, disse o presidente do Ipea. Segundo ele, essas medidas vão da tributação da entrada de capital externo na economia à adoção de outras restrições a esse fluxo de recursos.

      Ele lembrou, no entanto, que o governo concedeu isenção do Imposto de Renda para investimentos estrangeiros em títulos públicos, medida que reforçou o fluxo de dólares ao País. Questionado, porém, sobre as medida propostas pelo Ipea, Pochmann ressalvou: “O Ipea não sugere, o Ipea está considerando esse aspecto. Nossa preocupação maior é com o longo prazo. Certamente, o Ministério da Fazenda e o Banco Central têm condições melhores de falar sobre isso”.

      O presidente do Ipea acrescentou que o Brasil tem aumentado suas importações com produtos que não são recomendáveis, pois afetam a estrutura produtiva e comprometem a geração de empregos. “É um balanço que precisa ser feito”, disse, após participar de seminário sobre reforma tributária.

      Pochmann, no entanto, disse não acreditar que a balança comercial possa apresentar ainda este ano déficit em algum mês, a não ser que a crise internacional se agrave ao ponto de trazer grande impacto ao comércio. Ele disse ainda que existe risco de a taxa de câmbio chegar a R$ 1,50 por dólar.

      RESERVAS

      Ao defender a manutenção da política de acumulação de reservas, Pochmann disse que esse reforço é importante no cenário de incertezas da economia mundial. “Nesse momento de grande intranqüilidade, em que não há um balanço perfeito sobre a situação do mercado financeiro internacional, o fato de termos mais reservas, apesar do custo que geram, nos dá tranqüilidade.”

      Ele ressaltou a importância do “seguro” representado pela compra de reservas, destacando as crises de 1983 e 1999, quando o País não tinha esse colchão de divisas. E ponderou que não há medida de natureza econômica capaz de calcular o nível ideal de conforto de um País com o aumento das reservas.

      Pochmann defendeu também a criação do fundo soberano de investimentos, medida que vem sendo estudada pelo Ministério da Fazenda.

     

Fonte: O Estado de São Paulo

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