Ipea propõe freio à entrada de dólar

Março 7, 2008

Marcio Pochmann sugere medidas para enfrentar o problema cambial, mas defende a acumulação de reservas.

     O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, defendeu ontem a continuidade da política de acumulação de reservas internacionais e afirmou que o governo precisa pensar numa forma de “contornar o problema cambial do País”. Segundo ele, a atual taxa de câmbio já se mostra insatisfatória para a manutenção das exportações brasileiras.

      “A minha preocupação maior é a questão cambial. Talvez não deveríamos ter permitido que a taxa de câmbio se situasse no nível em que se encontra. Há várias medidas que podem ser adotadas e outros países adotam”, disse o presidente do Ipea. Segundo ele, essas medidas vão da tributação da entrada de capital externo na economia à adoção de outras restrições a esse fluxo de recursos.

      Ele lembrou, no entanto, que o governo concedeu isenção do Imposto de Renda para investimentos estrangeiros em títulos públicos, medida que reforçou o fluxo de dólares ao País. Questionado, porém, sobre as medida propostas pelo Ipea, Pochmann ressalvou: “O Ipea não sugere, o Ipea está considerando esse aspecto. Nossa preocupação maior é com o longo prazo. Certamente, o Ministério da Fazenda e o Banco Central têm condições melhores de falar sobre isso”.

      O presidente do Ipea acrescentou que o Brasil tem aumentado suas importações com produtos que não são recomendáveis, pois afetam a estrutura produtiva e comprometem a geração de empregos. “É um balanço que precisa ser feito”, disse, após participar de seminário sobre reforma tributária.

      Pochmann, no entanto, disse não acreditar que a balança comercial possa apresentar ainda este ano déficit em algum mês, a não ser que a crise internacional se agrave ao ponto de trazer grande impacto ao comércio. Ele disse ainda que existe risco de a taxa de câmbio chegar a R$ 1,50 por dólar.

      RESERVAS

      Ao defender a manutenção da política de acumulação de reservas, Pochmann disse que esse reforço é importante no cenário de incertezas da economia mundial. “Nesse momento de grande intranqüilidade, em que não há um balanço perfeito sobre a situação do mercado financeiro internacional, o fato de termos mais reservas, apesar do custo que geram, nos dá tranqüilidade.”

      Ele ressaltou a importância do “seguro” representado pela compra de reservas, destacando as crises de 1983 e 1999, quando o País não tinha esse colchão de divisas. E ponderou que não há medida de natureza econômica capaz de calcular o nível ideal de conforto de um País com o aumento das reservas.

      Pochmann defendeu também a criação do fundo soberano de investimentos, medida que vem sendo estudada pelo Ministério da Fazenda.

     

Fonte: O Estado de São Paulo


Comércio exterior terá que vencer burocracia para crescer, afirma secretário do MDIC

Março 7, 2008

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Welber Barral, afirmou na terça-feira (03/03) que o Brasil precisar vencer alguns obstáculos para manter em crescimento as suas exportações.

Barral citou como desafios do País alcançar uma maior simplificação e desburocratização do processo de venda externa de produtos. “Há ainda um acúmulo muito grande de papéis, herança de um longo período de ditadura que vivemos, mas que estamos nos empenhando para reduzir”, afirmou o secretário, ao fazer nesta terça-feira (3/3) a abertura do 123º. Encontros de Comércio Exterior (Encomex), organizado pelo MDIC e Apex-Brasil, entre outros parceiros, no Distrito Federal.

Para o secretário, os desafios são a melhoria da logística para exportações, a agregação de mais valores aos produtos vendidos e a diversificação de mercados compradores.

Barral afirmou ainda que, apesar dos entraves, as exportações brasileiras deverão crescer pelo menos 12% este ano ante o volume vendido no ano passado, de acordo com as projeções do Ministério do Desenvolvimento. Assim, a projeção é que as exportações brasileiras atinjam a marca de US$ 180 bilhões este ano contra US$ 160,6 bilhões registrados em 2007. A projeção anterior para este ano era US$ 172 bilhões.

Fonte: Net Marinha


Amorim aponta riscos de crise para projeto de integração sul-americana

Março 7, 2008

O governo brasileiro está preocupado que a evolução da crise política entre Equador e Colômbia ponha em risco o projeto de integração sul-americana .

     O governo brasileiro está preocupado que a evolução da crise política entre Equador e Colômbia ponha em risco o projeto de integração sul-americana - uma das prioridades da agenda de política externa.

      “Achamos que qualquer coisa que ameace essa integração é grave porque debilita nossa posição diante do mundo, enfraquece a posição da América do Sul diante de outros blocos econômicos”, ponderou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em coletiva de imprensa após encontro do presidente Luiz Inázio Lula da Silva com o presidente equatoriano, Rafael Correa.

      “Vivemos num mundo de blocos econômicos e políticos e quanto menos unidos estivermos, mais facilmente seremos vítimas de negociações inadequadas, estaremos mais longe de conseguir os nossos objetivos de progresso e desenvolvimento.”

      Segundo Amorim, tudo o que atrapalhe a integração, a paz e o desenvolvimento é ruim para o Brasil. O chanceler reiterou a disposição brasileira de fazer todo o possível pra uma solução pacífica para o conflito, mas frisou que o presidente Lula não pretende se firmar como líder regional.

      “O presidente Lula não está buscando uma liderança, ele exerceu um papel que normalmente tem exercido de líder de um grande país que é o Brasil, um país de tradição pacífica, que tem a tradição de resolver as questões por meios diplomáticos, que tem a tradição pelo diálogo.”

      Na avaliação do chanceler, a crise é regional e os Estados Unidos devem ser mantidos fora do processo de diálogo. Ontem, o presidente norte-americano, George W. Bush declarou apoio ao presidente colombiano, Álvaro Uribe.

      “Acho que isso é um problema sul-americano em primeiro lugar, latino-americano em seguida. É claro que somos todos membros da OEA, os Estados Unidos participam da reunião da OEA onde tem a ocasião de dar a sua opinião, mas eu acho que quanto mais nós pudermos manter esse problema no âmbito latino-americano, mais são as chances de conseguirmos

      resolver e de evitar uma polarização na região.”

      Amorim demonstrou confiança em uma solução do conflito entre Equador e Colômbia. Segundo ele, o assunto deve entrar em pauta em reunião do Grupo do Rio, amanhã (6) e sexta-feira em Santo Domingo, na República Dominicana.

      Nesta quinta-feira haverá encontro de chanceleres, com a presença de Amorim. Na sexta, será a vez dos chefes de estado se reunirem. Rafael Correa confirmou presemça e também são esperados os presidentes da Venezuela, Hugo Chavez, e da Colômbia, Álvaro Uribe. Não está prevista a partcipação do presidente Lula.

    

Fonte: Agência Brasil