Os resultados da balança comercial nos dois primeiros meses do ano, apontando uma queda da média por dia útil de 67,1% em relação ao mesmo período de 2007, geram preocupação com o que pode ocorrer na conta de transações correntes ao longo do ano. Cabe, portanto, avaliar com cuidado o que foi obtido até agora e o que não se pode projetar para todo o ano.
Há divergências entre os economistas nas estimativas para o saldo da balança comercial em 2008, que variam de US$ 20 bilhões até US$ 35 bilhões. O resultado dos dois primeiros meses é, seguramente, atípico, mas, levando em conta a média por dia útil, temos, em relação aos dois primeiros meses de 2007, aumento de 20,5% das exportações e de 50,7% das importações.
As exportações continuam crescendo, apesar do arrefecimento da atividade nos países industrializados. Esse crescimento foi de 24,5% para os produtos básicos, de 18,4% para os bens semimanufaturados e de 17% para os manufaturados; paralelamente, registra-se um aumento das vendas de 8,5% para a União Européia, de 42,7% para o Mercosul, de 5,6% para os EUA e de 32,5% para a Ásia.
Esses resultados foram obtidos com uma valorização, em torno de 20% em um ano, do real ante o dólar. Tudo indica que, por causa das pressões das demandas da China, os preços das commodities continuarão em elevação. Já agora em março começarão as exportações do complexo soja e, em maio, as de açúcar. O crescimento excepcional das importações se deve ao aumento das compras de petróleo a um preço elevado e, também, de maquinário industrial (+83,9%). Excluídas as importações de automóveis, verifica-se que as de bens de consumo duráveis aumentaram 49,3%, menos do que as de outras categorias.
Não há dúvida de que o crescimento das importações em geral se deveu à valorização da taxa cambial (refletindo a desvalorização do dólar), que não deverá prosseguir no ritmo atual, embora não se possa prever uma desvalorização do real a curto prazo. O aumento das importações de maquinário industrial deve permitir um aumento da produção doméstica nos próximos meses, assim como uma redução da importação de alguns bens de consumo, especialmente levando em conta que os produtos importados da China deverão aumentar de preço.
Só uma profunda crise nos países industrializados deverá agravar o panorama do comércio exterior.
Fonte: O Estado de São Paulo
