Acordo Bilateral entre Brasil e Chile poderá beneficiar Pólo Industrial de Manaus

Março 5, 2008

Um acordo de liberalização comercial que está sendo negociado entre Brasil e Chile poderá beneficiar o pólo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM). O texto do acordo deverá ser finalizado durante a reunião da Comissão de Monitoramento do Comércio dos dois países, que ocorrerá no dia 6 de março, em Santiago, Chile, com a presença do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ivan Ramalho. Após aprovação do texto final, o acordo deverá ser assinado na próxima reunião da Comissão Administradora do Acordo de Complementação Econômica n.º 35 (ACE-35).

Devido à importância do tema para a ZFM, a superintendente da Zona Franca de Manaus, Flávia Grosso, também participará da reunião, junto com o secretário Ivan Ramalho, que está capitaneando as negociações realizadas por técnicos do MDIC, da Suframa e do Itamaraty.

Flávia Grosso explica que este acordo deverá concretizar a alteração do artigo 12 do ACE-35, o que possibilitará melhores condições de acesso dos produtos provenientes da ZFM para o Chile e das zonas francas chilenas para o Brasil. A proposta, explica a superintendente, foi negociada durante a XXXIV Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC), ocorrida em 17 de dezembro do ano passado, em Montevidéu, Uruguai.

“O acordo é muito importante para a Zona Franca de Manaus por dar acesso às preferências entre Mercosul e Chile, uma das mais fortes economias da América Latina que, aliás, já é o sexto mais importante mercado para as exportações do Amazonas”, afirmou Flávia Grosso.

Em 2007, o Estado vendeu US$ 34,55 milhões para o mercado chileno. Os principais produtos da pauta de exportação foram: telefones celulares, motocicletas, filmes e papéis fotográficos, televisores, canetas esferográficas e aparelhos de barbear não-descartáveis.

A superintendente da Suframa destacou ainda o empenho do secretário-executivo do MDIC, Ivan Ramalho, bem como dos técnicos do Ministério, da Suframa e do Itamaraty. “O esforço de todos foi vital para que se chegasse ao estágio atual das negociações”, enfatizou.

Com a celebração do acordo, a inclusão dos produtos de zonas francas no ACE-35, condição não permitida até então, deverá gerar um aumento nas exportações do Amazonas e, conseqüentemente, do Brasil para o Chile. Diversos segmentos industriais se beneficiarão do futuro acordo. No caso do telefone celular, por exemplo, produto do qual o Amazonas é importante fabricante, há possibilidades de incrementar ainda mais suas vendas para aquele País, contribuindo para o equilíbrio da balança comercial do Amazonas, hoje deficitária.

Fonte: MDIC


Calendário de Ferias de Março

Março 5, 2008

Data

Evento

UF

03/03/2008 a 06/03/2008 SÃO PAULO GIFT FAIR - Brazilian / International SP
03/03/2008 a 06/03/2008 COMPLEMENTS & GIFT SP
03/03/2008 a 06/03/2008 D.A.D. SP
04/03/2008 a 06/03/2008 NOVA SERRANA FEIRA E MODA MG
05/03/2008 a 07/03/2008 Exposição de Artesanato do Nordeste CE
08/03/2008 a 16/03/2008 EXPORÃ MS
09/03/2008 a 13/03/2008 EXPO SILUBESA 2008 PA
10/03/2008 a 14/03/2008 FLEXO LATINO AMERICA 2008 SP
10/03/2008 a 14/03/2008 EMBALA INOVAÇÃO SP
10/03/2008 a 14/03/2008 FIEPAG SP
10/03/2008 a 14/03/2008 BRASILPACK SP
10/03/2008 a 14/03/2008 BRASIL SCREEN & DIGITAL SHOW SP
10/03/2008 a 12/03/2008 SUPER RIO EXPOFOOD 2008 RJ
11/03/2008 a 14/03/2008 KITCHEN & BATH EXPO SP
11/03/2008 a 15/03/2008 FEINCO SP
11/03/2008 a 14/03/2008 PONTO FINAL SP
11/03/2008 a 14/03/2008 REVESTIR SP
11/03/2008 a 14/03/2008 F + M + U SC
11/03/2008 a 14/03/2008 FENATEC SP
13/03/2008 a 15/03/2008 MINAS ÓPTICA MG
17/03/2008 a 19/03/2008 BIJÓIAS SP SP
18/03/2008 a 19/03/2008 QUALIEVENTOS 2008 ES
24/03/2008 a 28/03/2008 MOVELSUL BRASIL 2008 RS
25/03/2008 a 28/03/2008 FEMATEX SC
26/03/2008 a 26/03/2008 BRAZIL PROMOTION Road Show Rio de Janeiro RJ
26/03/2008 a 29/03/2008 CRAFT LATIN AMERICA 2008 SP
26/03/2008 a 29/03/2008 HOBBYART BRASIL 2008 SP
26/03/2008 a 28/03/2008 ABRADILAN FARMA 2008 SP
27/03/2008 a 29/03/2008 INTERDIDÁTICA 2008 SP
29/03/2008 a 01/04/2008 HAIR BRASIL SP
30/03/2008 a 01/04/2008 MERCOSUPER 2008 PR

Encomex reuniu mais de mil participantes em Brasília

Março 5, 2008

A 123ª edição do Encontro de Comércio Exterior, realizada ontem (4/3) em Brasília, reuniu aproximadamente 1,1 mil pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com apoio do Governo do Distrito Federal e de diversas entidades da região.

Na abertura do evento, o secretário-executivo do MDIC, Ivan Ramalho ressaltou a importância da comemoração dos 200 anos de comércio exterior brasileiro, completados este ano. “A abertura dos portos brasileiros às nações amigas em 1808, trouxe uma nova dimensão ao país e foi um marco para a futura emancipação que ocorria em 1822”. Segundo Ivan Ramalho, durante 150 anos a pauta exportadora brasileira ficou reduzida a poucos produtos básicos. Hoje, destacou ele, além da comemoração do bicentenário, devem-se também  ser comemorados os resultados brasileiros no comércio internacional. “Pela primeira vez na história, o Brasil é credor em moeda estrangeira. E temos consciência da importância do excelente desempenho das exportações brasileiras nos últimos cinco anos para o alcance desse resultado”, encerrou.

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral, apresentou o DVD comemorativo dos 200 anos do comércio exterior brasileiro. O material multimídia é resultado de uma extensa pesquisa histórica feita pela equipe da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC. O DVD apresenta informações como os principais produtos exportados e importados a partir de 1808, fatos históricos que influenciaram o comércio exterior brasileiro, imagens, estatísticas e vídeos explicativos. A distribuição do material será gratuita e todo o conteúdo será disponibilizado no site do MDIC para download. Ainda durante a cerimônia de abertura do Encomex, o presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Carlos Henrique de Almeida Custódio fez o lançamento do selo comemorativo dos 200 anos de comércio exterior.

Também participaram da cerimônia de abertura do Encomex o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio; o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral; a secretaria-executiva da Câmara do Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola; o gerente executivo da Agencia Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Ricardo Schaefer; o presidente da Federação das Indústrias do DF, Antonio Rocha; além de representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Fonte: MDIC


Grande exportador eleva importações

Março 5, 2008

Uma parcela significativa dos maiores exportadores brasileiros de manufaturados estão incrementando mais velozmente as importações do que as vendas no exterior. As empresas compram mais insumos, peças ou até produtos acabados fora do país, que se tornaram mais competitivos com a valorização do real. A exportação também perdeu força porque as empresas optaram por direcionar a produção ao pujante mercado interno. O fenômeno ajuda a explicar a redução do saldo da balança comercial.

É extensa e diversificada a lista de companhias cujas compras externas tiveram mais vigor do que as exportações no ano passado. Este fenômeno ocorreu com Volkswagen (automóveis), Caterpillar (máquinas), Motorola (celulares), Gerdau (aço), Robert Bosch (autopeças), Whirpool (refrigeradores), entre outras, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento.

A fabricante de autopeças Robert Bosch desenvolveu fornecedores no exterior, principalmente na China e no Leste Europeu, e aumentou as importações de peças e matérias-primas. Segundo Gerson Fini, diretor do departamento de compras da empresa, o conteúdo importado das autopeças da Bosch subiu de 30% em 2006 para 35% no ano passado. “Nossa estratégia não é importar. Queremos desenvolver fornecedores locais, mas não tivemos alternativa”, disse.

Em 2007 em relação a 2006, as exportações da Bosch cresceram quase 5%, mas as importações aumentaram três vezes mais rápido: 15%. Fini ressalta que a tendência é seguir elevando a participação de componentes importados este ano. A Bosch também adquiriu máquinas no exterior para elevar

Com base nos dados da Secex, o departamento de economia do Bradesco avaliou o desempenho de 71 grandes companhias brasileiras que atuam nas duas mãos do comércio exterior: exportação e importação. As exportações das empresas cresceram 37% entre 2005 e 2007, enquanto as importações avançaram 57%, revela o estudo. O câmbio é um dos responsáveis pela diferença. Nesse mesmo período, o real se valorizou 50% em relação ao dólar.

Para os economistas do banco, o levantamento demonstra que os exportadores estão importando mais para reduzir os custos com os insumos e, conseqüentemente, o prejuízo causado pelo próprio câmbio. Ao exportar e importar, a empresa garante um “hedge” natural. Em 2005, as importações das empresas analisadas correspondiam a 61% do valor das exportações. Em 2007, esse percentual atingiu 70%.

Em alguns segmentos, especialmente aqueles em que o conteúdo importado já é alto, o câmbio não é o fator determinante para a fraqueza das exportações e o incremento das importações. É o crescimento do mercado interno que dita o comportamento da empresa no exterior. Este é o caso da fabricante de celulares Motorola. Depois de uma alta de 36% entre 2006 e 2005, as exportações da empresa caíram 4% para US$ 1,3 bilhão em 2007.

A fábrica da Motorola em Jaguariúna (SP) foi construída e recebeu investimentos recentes para atender ao Brasil e aos países da América Latina. Só que no ano passado o mercado interno cresceu mais de 20% e prejudicou o desempenho exportador. “Tivemos que deslocar a produção para o mercado local”, diz Enrique Ussher, presidente da empresa. Excepcionalmente, o aumento da demanda das nações vizinhas foi atendida pelas unidades na China. A expectativa de Ussher é manter o patamar das exportações em 2008.

Apesar do aumento nas vendas, as importações da Motorola caíram 4% em 2007, para quase US$ 1,9 bilhão. A queda surpreendeu até os executivos da empresa, que esperavam um aumento. Os investimentos em tecnologia provocam queda contínua de preços e matérias-primas de produtos eletrônicos.

Nas montadoras, o crescimento veloz das importações e a queda ou desempenho fraco das exportações se tornou quase uma regra. Além da Volks, estão nesta situação General Motors, Ford, Mercedes-Benz (antiga DaimlerChrysler), Fiat, Scania e Renault. O setor automotivo é emblemático dado o crescimento explosivo do mercado interno. Com a capacidade produtiva tomada e a lucratividade no exterior comprometida pelo dólar barato, as montadoras se dedicaram menos às exportações.

Segundo a Secex, as vendas da Ford no exterior caíram 7,6% em 2007, para US$ 1,45 bilhão, já as importações aumentaram 19%, para US$ 934 milhões. Rogelio Golfarb, diretor de relações institucionais da Ford, diz que boa parte do aumento das importações é conseqüências do sucesso de vendas da Fúsion, produzido no México. A empresa também incrementou a importação de veículos produzidos na Argentina, para atender ao mercado brasileiro.

“Estão crescendo as importações da Argentina. O setor está organizado hoje de forma complementar no Mercosul”, diz o executivo. Apesar do câmbio, ele explica que a importação de autopeças de terceiros países não registrou alta significativa por conta das dificuldades logísticas. Para importar peças, é necessário aumentar os estoques, o que eleva o custo financeiro. Os atrasos na alfândega também podem comprometer a produção

De acordo com André Senador, diretor de comunicação da Mercedes-Benz, houve um significativo aumento na importação de modelos importados. As compras externas da empresa subiram 38% no ano passado, enquanto as exportações avançaram 11%. Os dados de 2007 ainda incluem as operações da Chrysler, que foram separadas da Daimler recentemente.
Fonte: Valor On Line


A difícil vida em um mundo de commodities caras

Março 5, 2008

Disparada nos preços das commodities, crescente inflação plena e crescimento econômico em declínio: para as pessoas cuja memória alcança os anos 1970, essa combinação traz lembranças dolorosas. A conjuntura os faz recordar os erros cometidos pelos bancos centrais que acomodaram o crescimento das expectativas inflacionárias, em vez de contê-las. A inflação foi posta finalmente de novo sob controle no início dos anos 1980. Mas os custos de permitir seu descontrole foram enormes. Estaremos cometendo os mesmos erros novamente?

Nos EUA, a inflação plena nos preço ao consumidor foi 4,3% no ano até janeiro. Na zona do euro, foi 3,1% no ano até dezembro de 2007. Nos dois casos, houve uma discrepância - no caso dos EUA, um enorme descompasso - entre a taxa plena e o “núcleo” da inflação, que desconsidera os voláteis preços de energia e alimentos.

Se esse fosse um desvio temporário, poderíamos ignorá-lo. Mas tal desvio vem persistindo há anos, especialmente nos EUA. Um observador cínico poderia concluir que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) jogou a cautela pela janela anos atrás. Foi isso o que Arthur Burns, então presidente do Fed, fez no início da década de 1970 sob pressão de Richard Nixon, o então presidente. Será que isso esteve acontecendo novamente nos últimos anos? A pergunta certamente é justificada.

A causa imediata do surto na inflação plena é a alta mundial nos preços das commodities. Ao longo dos seis anos até fevereiro de 2008, diversos índices registraram alta - o índice amplo de commodities do Goldman Sachs (288%), o índice de preços da energia (358%), o índice de preços exclusive energia (178), o índice de metais industriais (263%) e o índice de produtos agrícolas (220%). Trata-se, portanto, de um amplo surto nos preços das commodities, ainda que após mais de duas décadas de preços inicialmente em queda e depois estagnados.

Um aumento nos preços relativos de commodities pode refletir pressões inflacionárias. Pode também causar inflação. Mas não significa, em si mesmo, inflação. Esse aumento é também exatamente o que estamos vendo. Se deflacionarmos essa alta no preços das commodities segundo o aumento no valor unitário das exportações de fabricantes de países de alta renda, obteremos os seguintes incrementos nos preços reais: 147% para todas as commodities, 192% para energia, 77% exclusive energia, 131% para metais industriais e 104% para commodities agrícolas.

Assim, o que estamos vendo é uma mudança mundial nos preços relativos, em que as commodities, especialmente energia, vêm encarecendo em relação aos preços de bens manufaturados. Se deflacionarmos o preço do petróleo bruto da mesma maneira, constataremos que está mais caro do que em qualquer momento desde 1970.

O que está por trás desses surtos nos preços das commodities? O grande motivo é o impacto das economias emergentes e, avassaladoramente, da China, responsável pela maior parte do incremento da demanda mundial por matérias-primas industriais. Entre 2000 e 2006, a China também gerou 31% do crescimento mundial da demanda por petróleo, contra apenas 20% devido à América do Norte.

O vigor da demanda nas economias emergentes não explica inteiramente a alta nos preços das commodities. A obrigatoriedade de produzir biocombustíveis também produziu um impacto sobre a demanda por algumas commodities agrícolas. Também relevantes foram as restrições à oferta: colheitas deficientes, investimentos inadequados e custos mais altos. O preço crescente da energia é, em si mesmo, uma grande razão pela qual a produção agrícola tornou-se bem mais dispendiosa. A especulação não parece ser tão importante. Caso fosse, os estoques estariam em forte alta. Mas não estão.

Devido à acentuada queda no valor do dólar frente ao euro, qualquer alta nos preços mundiais das commodities terá maior impacto sobre a inflação plena nos EUA do que na zona do euro e nas outras economias com moedas relativamente fortes. Não é de surpreender, portanto, que a discrepância entre a inflação plena e o núcleo da inflação tenha sido particularmente grande nos EUA.

Assim, o que significa um grande aumento nos preços relativos das commodities para a condução adequada da política monetária? Significa um aumento na inflação mensurada. Também tenderá a reduzir a produção dos setores que usam commodities, as rendas reais agregadas e a demanda real. Não sabemos quais desses efeitos predominará. Em vista dessas incertezas, é também incerta a reação acertada de política monetária. Mas as regras gerais, não.

São três essas regras: em primeiro lugar, os bancos centrais precisam lembrar a sociedade que qualquer política monetária não poderá devolver as rendas reais devorada pelo encarecimento das commodities; segundo, os bancos precisam ignorar o que parecem flutuações temporárias nos preços relativos, pois uma reação geraria instabilidade econômica desnecessária; e, por último, deveriam reagir a prolongados e continuados aumentos nos preços relativos. Se não o fizerem, serão prováveis um crescimento das expectativas inflacionárias e o prêmio de risco inflacionário nos juros.

Isso produziria efeitos reais nocivos. Significaria, inclusive, que uma política de redução agressiva dos juros de curto prazo como reação a uma crise percebida, como atualmente nos EUA, poderia ser malsucedida. Como apontou Richard Fisher, presidente do Fed regional de Dallas em um discurso pronunciado ontem em Londres: “Desde a reunião de janeiro da Comissão Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), as taxas de mais longo prazo, inclusive as que se se aplicam a financiamento a juros fixos, subiram, em vez de seguir a tendência declinante da taxa básica de juros” (http://dallasfed.org/index.cfm). Em tais circunstâncias, uma política monetária agressiva pode produzir efeitos fracos, até mesmo perversos, sobre a economia real.

Nos EUA, hoje, as expectativas inflacionárias estão sobre o fio da navalha. Como observei na semana passada, essas expectativas - traduzidas na relação entre títulos do Tesouro americano corrigidos pela inflação (TIPS, na sigla em inglês) e os bônus convencionais -, parecem estar bem contidas. Mas o Fed de Cleveland oferece “títulos ajustados segundo a liqüidez”, para investidores que desejem uma carteira de ativos mais líqüidos em meio a período de tensão financeira. Nesses termos, a expectativa inflacionária está em disparada. A posição do Fed está agora desconfortável. É errônea a suposição de que o banco central americano pode reduzir os juros sem temer as conseqüências.

Se os bancos centrais estão confiantes em que os preços das commodities agora vão parar de subir, ou, mesmo, que cairão, baixarão os juros em reação a quaisquer perspectivas de grave desaquecimento econômico. Mas, tendo em vista o continuado rápido crescimento das economias emergentes, os BCs não podem ter certeza disso. E ainda pior: o próprio núcleo da inflação parece já em tendência ascendente.

Meu palpite é que a política acertada está entre a praticada pelo Fed - fazer todo o possível para eliminar os riscos adversos -, e a do Banco Central Europeu (BCE) - de suprema inação. Mas não sabemos. A razão para isso é clara: pela primeira vez em um quarto de século, o cenário da política monetária tornou-se difícil. Mas de uma coisa estou certo: os bancos centrais responsáveis não correrão o risco de uma volta aos anos 1970.
Fonte: Valor Econômico


Comércio exterior em perspectiva

Março 5, 2008

Os resultados da balança comercial nos dois primeiros meses do ano, apontando uma queda da média por dia útil de 67,1% em relação ao mesmo período de 2007, geram preocupação com o que pode ocorrer na conta de transações correntes ao longo do ano. Cabe, portanto, avaliar com cuidado o que foi obtido até agora e o que não se pode projetar para todo o ano.
Há divergências entre os economistas nas estimativas para o saldo da balança comercial em 2008, que variam de US$ 20 bilhões até US$ 35 bilhões. O resultado dos dois primeiros meses é, seguramente, atípico, mas, levando em conta a média por dia útil, temos, em relação aos dois primeiros meses de 2007, aumento de 20,5% das exportações e de 50,7% das importações.
As exportações continuam crescendo, apesar do arrefecimento da atividade nos países industrializados. Esse crescimento foi de 24,5% para os produtos básicos, de 18,4% para os bens semimanufaturados e de 17% para os manufaturados; paralelamente, registra-se um aumento das vendas de 8,5% para a União Européia, de 42,7% para o Mercosul, de 5,6% para os EUA e de 32,5% para a Ásia.
Esses resultados foram obtidos com uma valorização, em torno de 20% em um ano, do real ante o dólar. Tudo indica que, por causa das pressões das demandas da China, os preços das commodities continuarão em elevação. Já agora em março começarão as exportações do complexo soja e, em maio, as de açúcar. O crescimento excepcional das importações se deve ao aumento das compras de petróleo a um preço elevado e, também, de maquinário industrial (+83,9%). Excluídas as importações de automóveis, verifica-se que as de bens de consumo duráveis aumentaram 49,3%, menos do que as de outras categorias.
Não há dúvida de que o crescimento das importações em geral se deveu à valorização da taxa cambial (refletindo a desvalorização do dólar), que não deverá prosseguir no ritmo atual, embora não se possa prever uma desvalorização do real a curto prazo. O aumento das importações de maquinário industrial deve permitir um aumento da produção doméstica nos próximos meses, assim como uma redução da importação de alguns bens de consumo, especialmente levando em conta que os produtos importados da China deverão aumentar de preço.
Só uma profunda crise nos países industrializados deverá agravar o panorama do comércio exterior.
Fonte: O Estado de São Paulo