EUA fazem novas exigências e complicam acordo na OMC

Março 4, 2008

O governo dos Estados Unidos enviou uma carta ao Itamaraty cobrando do Brasil a abertura dos setores de telecomunicações, energia, bancos, seguros e outros segmentos de serviços como condição para um acordo de liberalização do setor agrícola na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A carta, assinada pela representante de Comércio, Susan Schwab, exige do Brasil sinais claros do que estaria disposto a abrir se ainda quer esperar algum resultado positivo para produtos agrícolas. Os americanos querem que restrições a investimentos sejam abolidos e empresas estrangeiras de serviços possam atuar sem qualquer limite que ameace seus investimentos.

Fonte: O Estado de S.Paulo


Commodities são refúgio contra dólar fraco

Março 4, 2008

Medo de recessão americana faz investidor buscar em petróleo e ouro aplicação mais rentável e segura.

     Diante das perspectivas de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) efetue novos cortes de juros e da contínua desvalorização do dólar, os preços do petróleo devem seguir em trajetória de alta, avaliam especialistas.

O volume de contratos negociados cresce diariamente e, na quinta-feira, o barril para entrega em abril bateu nos US$ 102,59 na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York). “Desse valor, cerca de US$ 90 são justificados, mas o restante é especulação financeira”, diz Brad Samples, analista da consultoria americana Summit Energy.

Os temores de recessão nos EUA têm feito os investidores fugirem das ações de empresas e da moeda americana para buscar aplicações mais seguras e rentáveis. Com a queda dos juros, sobram poucas alternativas, entretanto. “Além do petróleo, as commodities agrícolas e metálicas têm sido o destino favorito”, afirma Samples.

“Refugiar-se em um bem concreto oferece proteção contra a inflação. E o aumento do preço dos produtos nas negociações internacionais acaba compensando a desvalorização que o dólar sofre.”

Os fundos de investimento americanos que aplicam em papéis de companhias do setor de mineração foram os únicos nesse mercado que escaparam da debandada dos aplicadores.

De acordo com a consultoria AMG Data, tais fundos tiveram neste ano (até o último dia 13, informações mais recentes disponíveis) aumento de 1,84% no seu patrimônio, que chegou a US$ 47,309 bilhões.

O ouro é tradicionalmente procurado como abrigo em tempos de crise e tem registrado recordes. Os preços do ferro e do cobre também estão subindo bastante devido ao aumento da demanda mundial, puxada pela China e pela Índia.

No balanço anual, dois outros tipos de fundo também registram fluxo positivo agora, depois de semanas perdendo recursos: os que colocam recursos em companhias do setor de biotecnologia e serviços de saúde (elevação do patrimônio em 0,18%, para US$ 46,630 bilhões) e os bancários (alta de 2,2%, a US$ 8,155 bilhões).

Robert Adler, presidente da AMG Data, explica o contra-senso, já que a atual crise começou com as instituições financeiras e os seus crescentes prejuízos causados por mutuários inadimplentes: “Aparentemente, os investidores estão retornando para os segmentos que experimentaram as piores quedas [nos preços dos papéis]”.

O conjunto dos fundos de ações acumula neste ano fluxo negativo de US$ 31,409 bilhões, ou 0,62% do patrimônio total de US$ 5,027 trilhões.

Pelo menos até que o campo de Tupi se torne operacional, o Brasil entra nesse jogo apenas com a promessa do álcool ou mais genericamente dos biocombustíveis.

Lula trabalha sempre com a idéia de que, com a tecnologia brasileira do álcool (reconhecidamente a melhor do mundo) e com financiamentos norte-americanos e/ou europeus, será possível que os países pobres do Caribe e da América Central se tornem exportadores de um combustível mais limpo.

O problema é que os biocombustíveis ainda são uma promessa para o futuro, ao passo que o petróleo venezuelano jorra abundantemente há muitos anos.

Publicada em 03/03/2008.

Fonte: Folha de São Paulo


Brasil e Argentina discutem carros e trigo

Março 4, 2008

O governo brasileiro e a Argentina se reúnem na segunda-feira, na capital paulista, para discutir temas de relevância comercial para ambos os países.

     Na pauta, o regime automotivo e as importações de trigo. A informação foi dada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Segundo ele, o objetivo do governo brasileiro é obter, na setor automobilístico, um acordo cuja duração tenha no mínimo cinco anos e que proporcione mais segurança para a realização de investimentos em ambos os países. Em relação ao trigo, o Brasil pleiteia mais transparência nos registros de importação, que só voltaram a ser emitidos no último dia 15 de fevereiro.

Fonte: O Estado de São Paulo