Brasil precisa aprimorar e ampliar acordos com países da América do Sul

A América do Sul é o mais importante mercado para o setor industrial brasileiro, com oportunidades de comércio de bens, investimentos diretos e prestação de serviços. Para que essas oportunidades sejam aproveitadas os acordos comerciais existentes, principalmente os bilaterais, têm de ser aprimorados, ampliados e acelerados. A recomendação está expressa no estudo Os interesses Empresariais Brasileiros na América do Sul, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado esta semana, em São Paulo.

O estudo fundamenta a recomendação da CNI, para a estratégia de negociações internacionais com os países da América do Sul, que deve ser adotada pelo governo. “A primeira percepção desse trabalho é sobre a importância para a indústria brasileira do mercado sul-americano, que é talvez o mais importante para a manufatura brasileira e para os produtos mais intensivos em tecnologia”, disse o diretor executivo da CNI, José Augusto Fernandes. “Isso emite um sinal de que o Brasil precisa ter uma estratégia para consolidar resultados já alcançados e para abrir novas janelas de oportunidades”, complementou Fernandes.

O documento, divulgado em evento na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), aponta para a necessidade de aperfeiçoar os acordos comerciais existentes. “São acordos que de quando em quando são revisados. O que precisamos fazer é aprofundá-los, porque já temos identificados os produtos e setores que poderão ser colocados na lista de demanda do Brasil”, afirmou Fernandes. Ele fez referência, por exemplo, à redução das tarifas aplicadas num tempo menor do que o já negociado.

Os acordos comerciais feitos pela diplomacia brasileira foram analisados. O Mercosul, por exemplo, foi identificado como tendo pouco espaço de avanço institucional, porque as tarifas já foram eliminadas (a exceção é o setor automotivo, que ainda é regulado). “Mas existe uma série de oportunidades em relação aos países andinos. Foi identificado um conjunto de produtos e setores que merecem maior atenção do governo nas negociações”, avaliou Fernandes.

A revisão dos acordos e a aceleração da redução de tarifas valerá para todos os setores. Mas o estudo da CNI faz recomendações para o setor de comércio, como mais promoção comercial, para o setor de serviços, como melhor regulação para  áreas como a de transportes para que empresas brasileiras possam prestar esses serviços, e para os investimentos, como a eliminação de obstáculos legais.

No setor de serviços, o estudo da CNI identificou oportunidades na área de infra-estrutura de transportes, nas de construções civil e pesada e na área de tecnologia da informação, como os serviços financeiros. “Na realidade o capítulo de serviços, ao contrário do de bens, termina assumindo menos importância nas negociações internacionais. Então o que estamos dizendo é para que se preste mais atenção em serviços nos próximos acordos”, afirmou Fernandes.

Em relação aos investimentos diretos brasileiros nos países vizinhos, o estudo identificou que isso é um movimento natural do crescimento das empresas brasileiras. “Mas não podemos ser ingênuos em relação a isso. Ninguém faz um investimento direto no exterior porque é charmoso. O que vai atrair o investimento é a importância desse país para a estratégia de crescimento da empresa”, argumentou o diretor-executivo da CNI. “Por isso, certamente não será uma pequena empresa que investirá lá fora. Será uma empresa que de alguma forma esgotou suas condições no Brasil e percebe que para crescer é importante investir lá fora”, finalizou. (Agência CNI)]

Foto: Linha de montagem MWM International / Crédito: Netcomex

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