Brasil precisa aprimorar e ampliar acordos com países da América do Sul

Março 1, 2008

A América do Sul é o mais importante mercado para o setor industrial brasileiro, com oportunidades de comércio de bens, investimentos diretos e prestação de serviços. Para que essas oportunidades sejam aproveitadas os acordos comerciais existentes, principalmente os bilaterais, têm de ser aprimorados, ampliados e acelerados. A recomendação está expressa no estudo Os interesses Empresariais Brasileiros na América do Sul, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado esta semana, em São Paulo.

O estudo fundamenta a recomendação da CNI, para a estratégia de negociações internacionais com os países da América do Sul, que deve ser adotada pelo governo. “A primeira percepção desse trabalho é sobre a importância para a indústria brasileira do mercado sul-americano, que é talvez o mais importante para a manufatura brasileira e para os produtos mais intensivos em tecnologia”, disse o diretor executivo da CNI, José Augusto Fernandes. “Isso emite um sinal de que o Brasil precisa ter uma estratégia para consolidar resultados já alcançados e para abrir novas janelas de oportunidades”, complementou Fernandes.

O documento, divulgado em evento na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), aponta para a necessidade de aperfeiçoar os acordos comerciais existentes. “São acordos que de quando em quando são revisados. O que precisamos fazer é aprofundá-los, porque já temos identificados os produtos e setores que poderão ser colocados na lista de demanda do Brasil”, afirmou Fernandes. Ele fez referência, por exemplo, à redução das tarifas aplicadas num tempo menor do que o já negociado.

Os acordos comerciais feitos pela diplomacia brasileira foram analisados. O Mercosul, por exemplo, foi identificado como tendo pouco espaço de avanço institucional, porque as tarifas já foram eliminadas (a exceção é o setor automotivo, que ainda é regulado). “Mas existe uma série de oportunidades em relação aos países andinos. Foi identificado um conjunto de produtos e setores que merecem maior atenção do governo nas negociações”, avaliou Fernandes.

A revisão dos acordos e a aceleração da redução de tarifas valerá para todos os setores. Mas o estudo da CNI faz recomendações para o setor de comércio, como mais promoção comercial, para o setor de serviços, como melhor regulação para  áreas como a de transportes para que empresas brasileiras possam prestar esses serviços, e para os investimentos, como a eliminação de obstáculos legais.

No setor de serviços, o estudo da CNI identificou oportunidades na área de infra-estrutura de transportes, nas de construções civil e pesada e na área de tecnologia da informação, como os serviços financeiros. “Na realidade o capítulo de serviços, ao contrário do de bens, termina assumindo menos importância nas negociações internacionais. Então o que estamos dizendo é para que se preste mais atenção em serviços nos próximos acordos”, afirmou Fernandes.

Em relação aos investimentos diretos brasileiros nos países vizinhos, o estudo identificou que isso é um movimento natural do crescimento das empresas brasileiras. “Mas não podemos ser ingênuos em relação a isso. Ninguém faz um investimento direto no exterior porque é charmoso. O que vai atrair o investimento é a importância desse país para a estratégia de crescimento da empresa”, argumentou o diretor-executivo da CNI. “Por isso, certamente não será uma pequena empresa que investirá lá fora. Será uma empresa que de alguma forma esgotou suas condições no Brasil e percebe que para crescer é importante investir lá fora”, finalizou. (Agência CNI)]

Foto: Linha de montagem MWM International / Crédito: Netcomex


Design brasileiro é premiado na Alemanha

Março 1, 2008

Dos 98 projetos brasileiros finalistas no prêmio alemão iF Product Design Award 2008, considerado o “Oscar” do design, 18 foram premiados. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), esta é a quinta vez que o Brasil se destaca no ranking dos países mais vitoriosos no prêmio alemão, desde que o programa Design Excellence Brazil (DE Brazil) foi criado, em 2003.

Os produtos premiados são das áreas de iluminação, mobiliário, utensílio doméstico, acessórios, medicina, lazer, transporte, embalagens e design público. Entre os produtos estão revestimentos de cerâmica, pastilha de vidro, anel de ouro, cuba para lavabo, mesa cirúrgica, luminárias, teclado para computador, lavadora de roupa, plataforma veicular, embalagem para espumante, fogão e sofá.

De acordo com o ranking geral do iF Design Awards, o Brasil está entre os 10 países mais premiados. De 2003 a 2008, já foram inscritos 1.275 produtos no DE Brazil, dos quais 578 foram finalistas do prêmio alemão. Desse total, 99 foram premiados até hoje.

O DE Brazil, criado pelo Programa Brasileiro de Design do MDIC em parceria com Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), temo como objetivo impulsionar a imagem dos produtos brasileiros no exterior, promover o design brasileiro e difundir a cultura de produção e exportação de produtos de maior valor agregado no país.

O iF Product Design Award tem grande visibilidade por ser um dos mais tradicionais e disputados no mundo, recebendo por ano, aproximadamente, duas mil inscrições de 30 países diferentes.

Fonte: Anba


Jordânia quer acordo com o Mercosul

Março 1, 2008

A Jordânia, país árabe que fica no Oriente Médio, quer começar a negociar um acordo de comércio com o Mercosul. O pedido chegou no final do ano passado à secretaria do bloco sul-americano, que na época estava a cargo do Uruguai. A informação é do diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, Evandro Didonet. Segundo ele, também vão começar, no mês de abril, as negociações para um acordo de comércio entre o Mercosul e o Marrocos. As duas partes já assinaram, em 2004, um acordo-quadro. Esse tipo de documento formaliza a intenção das duas regiões de fazer um acordo.

A Jordânia manifestou, segundo Didonet, a intenção de fazer um acordo-quadro com o Mercosul. O pedido será analisado pelo Mercosul como um todo, mas segundo o diretor, o Brasil tem interesse na assinatura e pediu aos demais parceiros do bloco para que isso seja feito o mais rapidamente possível. O Mercosul já assinou acordo-quadro também com o Egito e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), formado por seis países árabes do Oriente Médio. As negociações com o Egito, porém, ainda não caminharam e com o Golfo estão em andamento.

“Acordos só fortalecem ainda mais o comércio com essa região, que já está em volume superior ao que era no passado, mas que tem condições de crescer ainda mais”, diz o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. Didonet esteve na sede da Câmara Árabe, em São Paulo, na última quarta-feira, para um encontro com Sarkis. Um dos temas foram os acordos de comércio em negociação com o mundo árabe. De acordo com Sarkis, um acordo de comércio beneficia não somente a área econômica das duas regiões, mas também gera aproximação cultural, política e social.

A primeira reunião com os marroquinos rumo a um tratado definitivo vai ocorrer nos dias 7 e 8 de abril em Rabat, no país árabe. Vão participar do encontro equipes de negociações de acordos comerciais das duas regiões. Pelo Brasil, além de profissionais do Itamaraty, como o próprio Didonet, devem participar representantes de outros ministérios, como o de Indústria e Comércio e o de Agricultura. No encontro será definido o grau de ambição do acordo. Ou seja, qual a magnitude do tratado que as duas partes querem fazer e quais devem ser os prazos para entrada em vigor da redução das tarifas.
Não necessariamente, explica Didonet, o acordo precisa ser de “livre” comércio. Esse tipo de acordo, segundo regras da Organização de Comércio (OMC), implica em tarifa zero para exportações e importações e envolve “substancialmente” todo o comércio. O tratado pode ser também de preferências tarifárias, que é menos abrangente. Também deve ser definido, na reunião em Rabat, o texto base do acordo. Cada uma das partes vai trazer os seus textos, que normalmente usa em acordo, para chegar a um consenso.

Fonte: Anba