EXPORTAÇÕES - Governo quer que exportações em 2009 cheguem a US$ 200 bilhões, anuncia Miguel Jorge

Fevereiro 27, 2008

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciou na Segunda, 25, que o objetivo do governo para o próximo ano é que as exportações cheguem a US$ 200 bilhões.

     O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, anunciou nesta Segunda-feira (25) que o objetivo do governo para o próximo ano é que as exportações cheguem a US$ 200 bilhões. “Para esse ano, o objetivo é entre US$ 175 bilhões e US$ 180 bilhões”, disse.

      Miguel Jorge participou da cerimônia da assinatura do convênio entre Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que prevê investimentos de R$ 16,5 milhões para promover a imagem do etanol brasileiro no exterior como energia limpa e renovável.

      Indagado se a indicação da balança comercial que mostrou um ritmo de crescimento maior nas importações na quarta semana do mês de fevereiro - de 18 a 24 - preocupava o governo, o ministro disse que não, pois considera um “problema conjuntural e não estrutural”.

      “O que tem acontecido é que, como a Petrobras estava de férias coletivas, ela exportou muito menos. Houve um aumento grande das importações de petróleo, os preços do petróleo subiram, portanto, o valor das importações de petróleo pela Petrobras subiu. E além disso nós importamos muito trigo da Argentina, coisa que não tínhamos feito no ano passado”, explicou.

Fonte: Agência Brasil


Dólar abaixo de R$1,70 pela 1ª vez desde 99

Fevereiro 27, 2008

Bovespa registra 5ª alta consecutiva. BM&F lucrou R$293 milhões em 2007, 49% a mais

Felipe Frisch, Juliana Rangel e Aguinaldo Novo

RIO e SÃO PAULO. O dólar comercial encerrou ontem abaixo de R$1,70 pela primeira vez desde 20 de maio de 1999. A moeda caiu 1,29%, para R$1,684, sua sétima queda consecutiva, tendo perdido 5,23% no ano. Segundo especialistas, o recuo se deve à desvalorização do dólar em todo o mundo e ao fluxo de investimentos estrangeiros nos mercados de juros - a 11,25% ao ano - e de ações no Brasil. O dólar também registrou sua menor cotação histórica em relação ao euro, que atingiu US$1,4982.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve sua quinta alta consecutiva: 0,28%, aos 65.182 pontos, próximo do último recorde histórico da Bolsa, de 65.790 pontos, em 6 de dezembro. No ano, o Ibovespa tem alta de 2,03% e, nos últimos cinco pregões, de 4,63%. O risco-país se manteve estável aos 235 pontos centesimais. O saldo de estrangeiros na Bovespa no mês está positivo em R$529 milhões, até o dia 21.

CVM condena ex-executivos da Sadia

A Bovespa acompanhou Wall Street. O Dow Jones subiu 0,91% e o Nasdaq, 0,75%, apesar dos indicadores negativos dos EUA. O índice de preços ao produtor de janeiro subiu 1%, contra projeção de 0,3%. E a confiança do consumidor bateu 75 pontos, o pior nível em cinco anos. Segundo Ricardo Amorim, chefe de pesquisa de América Latina do Banco WestLB, as altas se deveram à manutenção da avaliação de risco das seguradoras de bônus Ambac e MBIA por Standard & Poor’s e Moody’s.

A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) divulgou ontem, por volta de 22h, seu primeiro balanço de companhia aberta. O lucro líquido de 2007 foi de R$293 milhões, 48,7% a mais do que os R$197,2 milhões registrados em 2006. No quarto trimestre, o ganho foi de R$69,1 milhões. A receita operacional líquida cresceu 41,8%, dos R$388 milhões para R$551 milhões. A margem líquida aumentou de 50,8% para 53,3% e o volume de contratos negociados, de 283,5 milhões para 426,3 milhões.

Fábio Barbosa será presidente do Santander

Ontem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) puniu o ex-diretor de Relações com Investidores da Sadia Luiz Gonzaga Murat Júnior e o ex-membro do Conselho de Administração Romano Ancelmo Fontana Filho, por quebra do dever de lealdade e uso de informações privilegiadas. Eles compraram recibos de ações da Perdigão negociados em Nova York (ADRs) antes da oferta hostil da Perdigão pela Sadia, no ano passado. A Sadia chegou a oferecer R$29 por ação, mas retirou a proposta diante da recusa dos controladores da Perdigão. Cinqüenta minutos após a retirada da oferta, Murat e Fontana venderam parte dos ADRs.

O executivo Fábio Barbosa, à frente do ABN Amro Real, foi confirmado ontem como futuro presidente do Santander no país, o primeiro brasileiro a ocupar o cargo. Ele assumirá as funções assim que o Real se separar legalmente do ABN Amro, cujos ativos globais foram comprados por um consórcio formado por Santander, RBS e Fortis.
Fonte: O Globo


Importações devem aumentar medidas protecionistas, diz governo

Fevereiro 27, 2008

Iuri Dantas, da Sucursal de Brasília
Nova responsável pela defesa comercial do Brasil também prevê que exportadores brasileiros enfrentarão mais resistência e investigações em outros países

Nova responsável pela defesa comercial do país, a advogada Miriam Barroca avalia que os exportadores brasileiros enfrentarão mais resistência e um número maior de investigações em outros países.
“A expansão das exportações torna mais comuns as investigações contra nossas empresas, de forma que o ministério atua em apoio à defesa das exportações brasileiras”, afirmou a nova diretora de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, o crescimento expressivo das importações deve continuar exigindo a aplicação de tarifas antidumping provisórias para proteger a indústria nacional.
Em sua primeira entrevista desde a nomeação para o cargo, no mês passado, Barroca assinala que a entrada dos produtos chineses no país não merecerá atenção especial sua.
Ela não descarta, porém, que as vendas chinesas ao Brasil tornem-se alvo de um número maior de investigações. Leia abaixo trechos da entrevista, concedida por e-mail, a pedido de Barroca.

FOLHA - Quais os principais desafios da defesa comercial com exportações mais complexas e maior número de destinos?
MIRIAM BARROCA - Com o aumento contínuo do fluxo comercial brasileiro, a atuação na área de defesa comercial intensifica-se nas suas duas principais vertentes: aplicação dos mecanismos de defesa comercial e apoio ao exportador brasileiro. Isso porque, com o aumento das importações, maior é a probabilidade de ocorrência de práticas desleais de comércio que provoquem dano à indústria nacional e que mereçam a atenção do governo para a aplicação de medidas de defesa comercial para resguardar nossa indústria.
Por outro lado, a expansão das exportações brasileiras torna mais comuns as investigações contra nossas empresas, de forma que o ministério atua em apoio à defesa das exportações brasileiras. Já no que se refere aos destinos das exportações brasileiras, o desafio do ministério está na atuação em apoio aos exportadores brasileiros em países de idiomas, culturas e ordenamentos jurídicos em muito diferentes do brasileiro, o que demanda um estudo da legislação do país de destino para que possamos auxiliar de forma adequada os exportadores.
FOLHA - As importações da China terão atenção especial?
BARROCA - Não há dúvidas de que a China está em destaque no cenário mundial, não somente pelas exportações mas pelo seu crescimento e desenvolvimento, que aumentam a cada ano.
É importante destacar que a simples existência de importação não permite concluir pela ocorrência de dano à produção brasileira.
O ministério realiza o acompanhamento das importações brasileiras, originárias de todos os países, por meio do sistema de acompanhamento Aliceweb, de acesso público.
Ressalto que todos os setores que se sentirem prejudicados pelas importações, de qualquer origem, e que tenham indícios de que os preços do produto importado são artificialmente menores, em razão de práticas desleais de comércio, poderão entrar em contato, a fim de que seja analisada a viabilidade de aplicação de uma medida de defesa comercial.
A China não será alvo de acompanhamento ou atenção especial. O que poderá acontecer, na prática, é que, em razão do aumento das importações de produto chinês, os pedidos de investigação contra as importações chinesas poderão ser mais freqüentes.

FOLHA - O prazo das investigações, cuja média hoje gira em torno de oito meses, é satisfatório para a sra.?
BARROCA - A legislação brasileira, a exemplo da internacional, prevê que as investigações antidumping devem ser encerradas em 12 meses e, em casos excepcionais, em 18 meses. A diminuição do prazo das investigações para oito meses demonstra grande eficiência do ministério, que atuou em duas frentes: otimização das práticas internas e colaboração da indústria peticionária, apresentando as informações necessárias para a instrução do processo sem a solicitação de prazos adicionais. Ressalte-se que, a depender da complexidade da investigação, esse prazo pode ser maior. Em relação à continuidade das aplicações de medidas antidumping provisórias, o ministério continuará mantendo sua política de recomendar a aplicação sempre que se demonstrar necessário e forem cumpridos os requisitos legais.

FOLHA - A sra. vê algum setor ou setores mais ameaçados pelo aumento de importações?
BARROCA - Tradicionalmente, o setor mais demandante, na área de defesa comercial, é o setor químico, apesar de todos os setores estarem sujeitos à prática de dumping e de subsídios.

FOLHA - Os mecanismos em vigor hoje são suficientes para defender a indústria nacional?
BARROCA - Acredito que os instrumentos de defesa comercial disponíveis são adequados para a proteção da indústria. No entanto, mesmo que não fossem, a necessidade de o Estado aumentar sua capacidade de agir em casos mais graves nessa área não seria de competência interna, mas, sim, proveniente de negociação internacional.
De qualquer maneira, existem outras formas de defender o setor produtivo das importações desleais que não a defesa comercial. Por exemplo: o acordo sobre procedimentos para licenciamento de importações e o acordo de valoração aduaneira [acordo que fixa regras para o cálculo do valor dos produtos no comércio exterior].

FOLHA - Como a sra. vê o subfaturamento das importações de alguns países?
BARROCA - O governo reconhece a importância do combate às práticas fraudulentas no comércio internacional, e a Camex está coordenando ações específicas para reprimir eficientemente essas práticas.
Fonte: Folha de São Paulo