O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que o Brasil poderá partir para a negociação de acordos bilaterais com outros países e blocos comerciais caso a Rodada Doha leve mais de três anos para ser concluída. O ministro destacou que, embora a conclusão de Doha seja prioridade na pauta de negociações brasileiras, os acordos bilaterais nunca estiveram fora de questão.“Os acordos bilaterais sempre estão em pauta. A própria União Européia nos procurou e quer marcar uma reunião técnica em abril para que haja uma reunião ministerial em maio, dando continuidade às nossas negociações”, disse, após almoço com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. “Claro, se chegarmos à conclusão de que Doha vai levar três anos para acabar ou que não vai mais ter, aí vamos verificar. . Mas em um momento em que nós estamos terminando uma negociação, é difícil ter uma visão definitiva, tanto para eles quanto para nós.”Amorim explicou que é difícil fechar uma negociação bilateral enquanto Doha não estiver concluída. Como exemplo, ele citou que não é possível definir qual será a cota de carne ou frango pedida pelo Brasil para entrada da União Européia em um acordo bilateral antes que Bruxelas apresente sua proposta no âmbito multilateral. “Por que eu vou pagar duas vezes? E do ponto de vista deles, também há essa mesma visão”, ressaltou.O ministro declarou que o Brasil tem interesse em manter um diálogo ativo com o G-8 e concorda com a proposta do presidente da França, Nicolas Sarkozy, para que o formato da reunião seja ampliado.
Fonte: Jornal de Brasilia
Escrito por Guilherme Oliveira