Davos (Suíça), 24 de Janeiro de 2008 - O encontro anual do World Economic Forum (WEF) em Davos, Suíça, será mais uma vez palco de uma reunião ministerial de representantes de Comércio do G20 (grupo dos países em desenvolvimento liderados por Brasil e China) com os representantes dos Estados Unidos, Susan Schwab, e da União Européia, Peter Mandelson, com o intuito de destravar as negociações da Rodada Doha.Iniciada em 2001 na capital do Catar, a agenda de desenvolvimento Doha tem como objetivo principal a liberalização do comércio global no âmbito dos 150 países membros da Organização Mundial de Comércio (OMC). As negociações deveriam ter sido concluídas em 2004, mas a expectativa dos negociadores e da própria OMC é de que um acordo não saia antes do final de 2008.O ministro brasileiro das Relações Internacionais, Celso Amorim, que deverá chegar a Davos amanhã também participará desta reunião. De acordo com Kamal Nath, esse encontro ministerial do G20 com Susan Schwab e Peter Mandelson, juntamente com o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, está marcado para sábado. Para esta sexta-feira, a agenda do ministro das Relações Internacionais contempla reuniões com os representantes de Comércio dos Estados Unidos e da União Européia.Retomada das negociaçõesQuanto à expectativa do encontro ministerial do G20, o chanceler indiano espera que nessa reunião seja finalmente definida uma data para a conclusão de um acordo para a Rodada Doha. “Vamos marcar uma data. Estamos na última milha de uma longa maratona”, afirmou, em tom enfático, ressaltando que, para isso, é preciso que os EUA reduzam os subsídios aos produtores agrícolas no sentido de reduzir as discrepâncias comerciais entre os países.Durante a reunião do WEF no ano passado, o discurso para um acordo para a conclusão da Rodada Doha era parecido e várias reuniões paralelas culminaram em uma retomada do diálogo que estava paralisado desde a metade de 2006. No entanto, pouco se avançou desde então. Um acordo multilateral na OMC ajudaria, inclusive, a acelerar as negociações de um acordo bilateral entre o Mercosul e a UE, hoje o maior parceiro comercial do Brasil, que também está paralisado aguardando um avanço na agenda Doha.O ex-primeiro ministro britânico atual membro do conselho da Fundação do WEF, Tony Blair demonstrou durante a abertura do WEF confiança em uma retomada efetiva das negociações da Rodada Doha diante do atual cenário de crise financeira global. “Em períodos de dificuldade econômica, a pressão política vai mais no sentido de protecionismo do que de abertura comercial”, argumentou Blair ao comentar a realização da reunião de sábado. “Estamos em um momento que seria inteligente uma retomada nas negociações”, afirmou Tony BlairOtimismoO ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger, declarou na mesma sessão que a campanha presidencial dos EUA pode gerar declarações protecionistas por parte dos candidatos, mas sustentou que o atual governo tem consciência da necessidade de fortalecer o sistema comercial internacional. Essa aliás, é a grande aposta de Nath, que demonstrou bastante otimismo para uma conclusão da Rodada Doha.(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 9)