O presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, não economizou discurso para pedir a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, que cumpra a promessa de dar mais autonomia para a gestão do Porto de Rio Grande. No evento especial desta segunda-feira, que marcou as comemorações dos 200 anos da abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional, Manteli, se dirigiu diretamente à governadora e aos parlamentares presentes. Yeda havia prometido, antes do final de 2007, que a gestão do Porto de Rio Grande poderia ter tratamento diferenciado e poderia administrar seus próprios recursos já que a receita do terminal é suficiente para suas demandas. “Seria muito bom se o Porto pudesse não ter de repassar suas receitas ao caixa único do Estado”, resumiu o presidente da ABTP.
Além das questões financeiras, a gestão do Porto de Rio Grade, segundo Manteli, não consegue regularidade, pois a cada ano de eleições - que ocorrem de dois em dois anos - a gestão do terminal gaúcho se desestrutura. “Toda a vez que muda um secretário dos transportes no Estado, muda alguma coisa no Porto e assim os projetos de diferentes natureza, sejam de investimentos, sejam de operações perdem continuidade. O que o governo deveria fazer é nomear dirigentes sem o viés político”, observou Manteli.
O almoço comemorativo aos 200 anos de abertura dos portos brasileiros também ajudou Manteli a recuperar outro tema do debate que pretende provocar com parlamentares das bancadas estaduais e federais: “Faz 100 anos que houve o início da construção dos Molhes da Barra do Rio Grande. Hora, essa obra é fundamental, pois sem ela o aumento do calado fica impossibilitado ou muito difícil. É incrível que ainda tenhamos que brigar para que se faça a obra de prolongamento dos molhes”, disparou Manteli.
O aumento do calado no porto de Rio Grande está planejado para passar dos atuais 40 pés para 60 pés. Com o prolongamento dos molhes, a obra do calado se torna mais fácil. Atualmente, os molhes estão em obras de alongamento, depois de anos de embargo. “Desde 2002 há debates sobre essa obra. Primeiro foram as licenças ambientais que impediram seu andamento, depois foi o Tribunal de Contas. Agora, finalmente, parte do projeto está liberado e em pleno andamento. Até onde se sabe, 50% do total será concluído em 2008. Depois haverá nova licitação para o término dos outros 50%”, explicou o anfitrião do evento que reunião cerca de 250 pessoas, entre empresários, políticos e imprensa.
Segundo Manteli, há R$ 400 milhões em recursos já disponíveis para a obra de prolongamento dos molhes. “São investimentos provenientes do governo federal e estão dentro do planejamento do PAC”, disse.
Assinada por diversas entidades empresariais, como Federação das Indústrias, Federação do Comércio e Serviços, Federação dos Sindicatos Rurais e outras, Manteli entregou ao deputado estadual Sandro Oliveira, conhecido como Boka, uma carta com propostas de políticas públicas para o desenvolvimento do Porto de Rio Grande e do sistema hidroviário gaúcho. Boka é o coordernador da Subcomissão para o Desenvolvimento do Porto de Rio Grande na Assembléia Legislativa.
No documento, além do pedido para que a gestão do terminal de Rio Grande seja autônoma em relação ao governo do Estado e burocracias a que está submetido, os empresários pedem que a legislação que regula as hidrovias e portos interiores seja alterada no sentido de “entregar a gestão das hidrovias a um órgão independente e específico”. Também pedem que “os portos públicos sejam municipalizados ou arrendados à iniciativa privada”, diz o texto da carta. “Nos países desenvolvidos as hidrovias são um dos principais meios para transportar cargas e nós estamos na contramão disso. É necessário revermos o papel do sistema hidroviário, pois ele poderá ser o grande alavancador do desenvolvimento do Estado, juntamente com o porto rio-grandino”, salientou Manteli.
A programação sobre os 200 anos da abertura dos Portos está prevista para atividades ao longo de todo o ano de 2008 e inclui a realização de dois grandes eventos. No mês de julho, será organizado o Seminário Internacional “O Porto do Rio Grande e o Futuro da Operação Portuária”, onde serão abordados assuntos relativos à operação portuária, engenharia portuária e o meio ambiente. Em novembro, será organizado o Simpósio Internacional “Porto do Rio Grande - história e Cultura Portuária no Bicentenário de Abertura dos Portos”. Esse simpósio será organizado em parceria com a Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg). As comemorações culminarão com o lançamento de um livro sobre a história do Porto do Rio Grande, que incluirá a história moderna.
Resultados do Porto de Rio Grande - Na última semana a Secretaria Estadual de Infra-Estrutura e Logística anunciou que o Porto do Rio Grande obteve recorde de operações em 2007. A movimentação de cargas chegou a 26.767.600 toneladas e superou em 18% a marca de 22.555.389 registrada em 2006. O maior volume refere-se a exportações, com 17,55 milhões de toneladas (+34,1%). As importações também contribuíram para o crescimento do resultado anual, com 9.217.602 toneladas, incremento de 15,1%. “Análises técnicas apontam que, com aumento médio de 10%, chega-se a 2015 com volume de aproximadamente 50 milhões de toneladas”, projeta o secretário de Infra-Estrutura e Logística, Daniel Andrade.
O destaque de 2007 foi a movimentação de granéis sólidos, com crescimento de 27,3%, atingindo 15.785.329 toneladas. A alta neste setor deve-se principalmente às exportações de granéis agrícolas, que tiveram aumento de 32,9%, com 9.290.893 toneladas operadas - número também recorde no histórico do porto. Entre os granéis, a soja em grão continua sendo o de maior volume, conquistando o primeiro lugar entre as cargas operadas no porto. Foram 5.366.608 toneladas de soja em grão destinadas ao mercado exterior, com crescimento de 203,6%. Os derivados da soja, como o farelo (+12,6%), e óleo (+8,6%), também contribuíram para elevar os números.
Na parte de granéis agrícolas, também houve aumento nas cargas recebidas do exterior, com índice positivo de 36,9%, totalizando 1.340.146 toneladas. A soja em grão, assim como nas exportações, também se sobressaiu na importação, atingindo 501.483 toneladas, com crescimento de 98,3%. Além disso, todas as outras cargas obtiveram êxito neste segmento: o trigo, com 346.600 toneladas (+12,1%), o óleo de soja, com 153.316 toneladas (+29,5%), e o farelo de soja, com 334.205 toneladas (+12,5%). A movimentação de granéis líquidos foi outra área que registrou incremento, chegando a 4.346.237 toneladas, num aumento de 7,9%. Assim como os demais, o segmento de carga geral também teve alta, com índice positivo de 8,3%, atingindo 6.636.035 toneladas.
Assim como a carga geral, a movimentação de contêineres também registrou acréscimo, com índice positivo de 2,9%, totalizando 608.911 Teus. Entre as cargas conteinerizadas mais operadas, estão fumo, frango congelado, resina, móveis, sapatos e arroz. O que se viu no ano passado foi movimentação de embarcações no cais do Porto do Rio Grande atingindo volume recorde de navios. Passaram pelo porto gaúcho 3.294 embarcações, 2,1% a mais do que no mesmo período de 2006. Até então, o recorde histórico era do ano de 2005, quando operaram em Rio Grande 3.284 embarcações. O destaque ficou com a cabotagem, que teve incremento de 61,1%, com 332 embarcações. A navegação interior (-2,2%) e a de longo curso (-1,3%) tiveram decréscimo.
Fonte: Net Marinha