O Mercosul já elegeu as prioridades para 2008, informou o diretor do Departamento de Negociações Internacionais dos Ministério das Relações Exteriores, Evandro Didonet. O diplomata representou o Brasil nas negociações do primeiro acordo de livre comércio do Mercosul com um país fora da América Latina.“Nossa primeira prioridade será avançar as negociações comerciais com a União Européia (UE)”, afirmou ontem o embaixador ao término da reunião de empresários brasileiros com o vice-premier e ministro da Indústria, Comércio e Trabalho do Estado de Israel, Eliyahu Yishai, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na região central da capital paulista.Didonet e Yishai estiveram em Montevidéu na terça-feira para a assinatura do Tratado de Livre Comércio (TLC) com Israel durante a cúpula semestral do Mercosul. Segundo o diplomata, outro fator positivo da reunião foi a sinalização de um novo avanço nas negociações comerciais UE-Mercosul.No início do ano, a previsão dos negociadores era de algum avanço neste semestre. No entanto, pelo atraso das negociações para a liberalização do comércio global da chamada Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se arrastam há seis anos, a retomada do diálogo do bloco sul-americano com o europeu também travaram, explicou Didonet. “A UE está vinculando as negociações com Mercosul ao avanço da Rodada Doha. Mas estamos otimistas para uma retomada em 2008″, disse ele.Está prevista para março uma reunião técnica na qual será feita a preparação de uma reunião ministerial dos dois blocos em maio ainda sem local definido, informou.De acordo com dados do Itamaraty, está marcada para maio, em Lima, uma reunião de cúpula dos países da América Latina e Caribe com os da UE.Negociações com a SacuSegundo Didonet, o primeiro acordo que deverá ser assinado pelo bloco integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai em 2008 será o de preferências comerciais com a União Aduaneira da África Austral (Sacu, sigla do inglês Southern African Customs Union) - integrado por África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia, Suazilândia.As conversas para um acordo comercial entre Brasil e África do Sul começaram em dezembro de 2000. Em junho de 2003, elas foram ampliadas para incluir os demais países do Mercosul e da Sacu. “O texto do acordo está praticamente finalizado. Acredito que a assinatura formal ocorra até abril ou possivelmente em Lima”, disse.O negociador do Itamaraty lembrou que a Argentina, que assumiu a presidência pro tempore do Mercosul, demonstrou interesse em se aproximar de Marrocos. Didonet acredita que o país africano será o próximo a ter um acordo semelhante ao de Israel. Para ele, as negociações deverão ser iniciadas ainda no próximo ano.A expectativa de Didonet é de um avanço nas negociações para um tratado de livre comércio com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) - grupo integrado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Barein e Catar.Após a assinatura do acordo com Israel, resta agora que os Congressos dos países membros do Mercosul aprovem o tratado para que ele entre em vigor. “Nossa expectativa é de um incremento nas relações comerciais com Israel, especialmente no intercâmbio tecnológico”, disse Didonet. Ele tem esperanças de que não ocorra o mesmo com o acordo de preferências especiais assinado entre o Mercosul e a Índia, que foi assinado em 2004 e até hoje aguarda para ser aprovado pelo Congresso brasileiro. “O Itamaraty tem se empenhado para ajudar destravar esse acordo com a Índia e com certeza fará o mesmo com o de Israel”, acrescentou.“A assinatura do acordo com Israel foi importante para estimular o empresariado”, afirmou o embaixador Rubens Barbosa, diretor do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp.Barbosa lembrou que o comércio bilateral entre Mercosul e Israel somou a US$ 1 bilhão no ano até outubro, devendo até o final do ano, seguramente superar os US$ 1,1 bilhão registrados em 2006. “Existe um potencial de crescimento na integração com o Brasil e Israel e a entidade já aceitou um convite de liderar uma missão de empresas brasileiras para Israel”, disse.O vice-premier de Israel informou que os principais produtos para a integração comercial com o bloco estão na área de meio ambiente, aparelhos médicos, energia alternativa, tecnologia e técnicas de preservação da água. Yishai destacou também o etanol na pauta de cooperação com o Brasil.(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14)
