A ata de fundação do Banco do Sul será assinada hoje pelos presidentes de sete países da América do Sul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega no final da tarde à capital argentina Buenos Aires para participar da cerimônia, na Casa Rosada, sede do governo argentino.
Idealizado pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, o banco se propõe a financiar projetos de desenvolvimento da região e ser uma alternativa aos atuais organismos financeiros como o Banco Mundial (Bird), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Luiz Melin, disse, na semana passada, que ainda está em aberto como cada país contribuirá para o capital do banco. Organizações da sociedade civil temem que o banco repita o modelo de outros organismos multilaterais, como o FMI e o Bird.
Além do Brasil, Argentina e Venezuela, integrarão a instituição Uruguai, Paraguai, Bolívia e Equador.Depois da cerimônia, a presidente eleita Cristina Kirchner, que assume o comando do país amanhã, oferecerá um jantar às autoridades convidadas.
Fonte: Agência Brasil
Presidentes sul-americanos assinam hoje ata de fundação do Banco do Sul
Dezembro 10, 2007Brasil busca qualidade na pauta de exportação
Dezembro 10, 2007A corrente de comércio - soma de importações e exportações - entre o Brasil e a China saltou 890,7% entre 2000 e 2007, de US$ 2,3 bilhões para US$ 22,86 bilhões no acumulado em 12 meses até novembro deste ano. Depois dessa multiplicação por dez do fluxo em sete anos, o Brasil se prepara para ganhar não só em quantidade, mas na qualidade do comércio, que precisa de maior valor agregado.“Temos que concorrer com a China no mercado chinês”, diz o presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alessandro Teixeira. Ele ressalta, no entanto: “A ampliação da pauta não é o governo que faz, são as empresas.”A China será prioridade para a Apex em 2008. A estratégia é ampliar a pauta de exportações brasileira, hoje concentrada em commodities como soja e minério de ferro. “Abriremos um Centro de Negócios no País, ainda no primeiro semestre de 2008, para dar suporte a empresários brasileiros interessados naquele mercado. Também ampliaremos um número de feiras e eventos”, diz Teixeira. O foco serão bens de maior intensidade tecnológica. Apex-Brasil existe há nove anos e atua na China há sete. Nesse sentido, a superintendente da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Ilse Guimarães, pode ser considerada uma pioneira na promoção comercial do Brasil no país, já que trabalha o mercado chinês desde 1999.Os brasileiros têm menos de 1% de participação entre os fornecedores da cadeia coureiro-calçadista na China, responsável por mais de 60% dos sapatos consumidos no mundo. A indústria nacional de componentes exporta apenas um quinto de sua produção e tem interesse em ampliar as vendas externas, o que poderia acontecer com a conquista de um único cliente chinês. Para se ter uma idéia, se as empresas brasileiras fechassem contrato com a chinesa Stella, segunda maior fabricante mundial de sapatos femininos de luxo, o saldo da balança comercial do segmento cresceria 30%. “Esse seria o impacto da venda para uma única empresa, muito verticalizada. Hoje os fornecedores são italianos e espanhóis.”Para Teixeira, a China apresenta capacidade de consumir todas as faixas de produtos brasileiros. Ele ressalta que, nos itens em que o País não pode competir com preços, poderá competir em qualidade e imagem. “O Brasil pode cair no gosto do consumidor chinês e virar moda, mesmo se for mais caro.”É o que já acontece com as marcas de calçados de fabricantes brasileiras como São Paulo Alpargatas, Arezzo e Bical. Esses produtos estão na mira dos chineses, cada vez mais em contato com o a moda que o Brasil produz. A Arezzo vai abrir 300 lojas até 2016 naquele país e tem como meta inicial, inaugurar, ainda este ano, cinco pontos de venda. O objetivo é vender não apenas calçados e acessórios, e sim, design, conceito e serviço. “Não sofremos com a concorrência chinesa porque temos marca. A diferença são os investimentos na marca, pessoas e, depois, no produto para suprir às necessidades do mercado”, diz o presidente da São Paulo Alpargatas, Márcio Utsch. A empresa iniciou as vendas da já internacional marca Havaianas no país asiático em 2005. O volume ainda é pequeno, mas “pode vir a ser significativo”, diz.Os calçados infantis da Bical chegam a custar três vezes mais que os chineses. A empresa iniciou as exportações no final de 2006, quando uma rede de lojas chinesa “se encantou” com seus produtos. “É um produto diferenciado. A China não têm o mesmo know how para fazer um sapato infantil tão gracioso”, diz o gerente de exportação da Bical, Silton Freire.As exportações brasileiras ainda são pequenas. Até outubro, o Brasil exportou ao mercado chinês 58,98 mil pares. No mercado interno, a indústria brasileira sofre há um bom tempo com a concorrência chinesa. Com a desvalorização do dólar, a importação da China vem crescendo de forma expressiva. De janeiro a outubro, as compras do Brasil cresceram 50%, atingindo 22,76 milhões de pares, sendo que 19,15 milhões vieram do país asiático, segundo a Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados). “A mão-de-obra é mais barata e os chineses não tem uma carga tributária tão brutal como a nossa”, diz Freire.(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(C.B.G. e A.C.S.)
Escrito por Guilherme Oliveira
