Montevidéu, 19 de Dezembro de 2007 - O Mercosul assinou ontem um Tratado de Livre Comércio (TLC) com Israel, o primeiro que o bloco integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assina com um país de fora da América Latina desde a sua fundação, em 1991.O acordo foi assinado pelo vice-premier e ministro da Indústria, Comércio e Trabalho de Israel, Eliahu Yishai, e os chanceleres do Brasil, Celso Amorim; da Argentina, Jorge Taiana; do Uruguai, Reinaldo Gargano; e do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. A assinatura do tratado, que era negociado efetivamente há dois anos, foi um dos principais resultados da cúpula semestral do Mercosul, encerrada ontem em Montevidéu.Segundo dados do Escritório Central de Estatísticas israelense, nos primeiros dez meses deste ano, os quatros membros do Mercosul exportaram a Israel no valor de US$ 460,2 milhões, com uma alta anualizada de 22%, e importaram a partir desse país no valor de US$ 653 milhões, 40% a mais que no mesmo período de 2006.México quer aproximaçãoO governo do México reiterou o interesse em aprofundar a aproximação e a integração com o Mercosul, disse a chanceler mexicana Patricia Espinosa, em um discurso breve aos presidentes do bloco.A ministra falou pela manhã na sede do Mercosul no Uruguai, na presença do presidente anfitrião, Tabaré Vázquez, e dos colegas do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina, Cristina Kirchner, do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, assim como da Venezuela, Hugo Chávez - que espera a aprovação do protocolo de adesão ao bloco pelos Congressos do Brasil e do Paraguai. Também participaram do evento os presidentes do Chile, Michelle Bachelet, e da Bolívia Evo Morales, países associados.Apelo de LulaO presidente Lula convidou a recém empossada presidente da Argentina, Cristina Kirchner, a definir “uma agenda concreta que abranja os problemas de assimetrias” dentro do Mercosul. O presidente brasileiro também disse que “há cinco anos, se dizia que o bloco era uma ação fracassada, que não tinha muito futuro”, mas a realidade é que, para ele, o Mercosul avançou mesmo “com dificuldades”.Além de Lula e Cristina, Nicanor Duarte e Tabaré Vázquez deixaram as diferenças de lado durante a cúpula ao apostarem no potencial da região, apoiarem uma pronta incorporação da Venezuela e rejeitarem as interferências externas. Eles também saíram em defesa do governo da Bolívia, que enfrenta uma grave crise política.Na segunda manifestação regional de apoio recebida em uma semana pelo presidente boliviano, Evo Morales, os líderes do bloco reunidos deram um sinal claro de que não pretendem ficar de braços cruzados diante das turbulências enfrentadas pelo país andino. “Saiba que o senhor (Morales) conta, em nome de todos aqui presentes, com o respaldo dos países que integram o Mercosul”, disse Vázquez.Ao término da reunião, Vázquez passou o bastão da presidência pro tempore do Mercosul para Cristina, que definitivamente foi a grande estrela do encontro.
Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14