O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou que estão evoluindo bem as negociações com o Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) para a criação de um fundo no exterior para operações de financiamento do comprador (estrangeiro) de produtos ou serviços brasileiros. A demanda para 2008 desse tipo de operação, chamado de financiamento pós-embarque, é, segundo Coutinho, de aproximadamente US$ 10 bilhões. O novo fundo aliviaria as pressões sobre as fontes internas. Entre tudo o que poderá financiar, no Brasil e no exterior, e os projetos que aprovou, o banco precisa captar mais R$ 30 bilhões para o ano que vem.
“Como as reservas estão altas, é possível coordenar as operações do Tesouro e do Banco Central para agregar funding ao BNDES”, explicou. Essas operações no exterior terão, segundo Coutinho, várias fontes de financiamento e surgiu essa idéia que poderá ou não usar parte das reservas internacionais que estão em mais de US$ 175 bilhões. Ele advertiu que a relação desse fundo em moeda estrangeira com o fundo soberano estudado pelo governo, também é outro aspecto que compete à Fazenda e ao BC decidirem.
Coutinho não explicou como esse fundo será capitalizado, informando apenas que as decisões técnicas de como serão as operações cabem ao Tesouro Nacional e Banco Central. Na avaliação do presidente, a arquitetura desse novo fundo para lastrear operações externas do BNDES não vai perturbar o superávit primário porque os aportes não são contabilizados como despesa. Além disso, não vai significar duplicidade de atuação no mercado de câmbio. “Um funding em moeda estrangeira para ser usado no exterior vai ajudar a substituir fontes e aliviar a pressão sobre o funding do BNDES”, comentou. O presidente alertou que esses recursos não serão usados em operações domésticas.
Fonte: Valor Econômico
BNDES quer ampliar crédito à exportação
Novembro 30, 2007Mercosul pode ser o negócio do porto de Rio Grande
Novembro 30, 2007Ao que parece, os argentinos podem comprar a idéia. Na mesma terça-feira, os diretores do porto La Plata, César Cordido e Jorge Argañaraz, juntamente com o gerente Comercial e Operacional, Marcelo Rostoll, estiveram em Rio Grande, onde se reuniram com o superintendente do porto do Rio Grande, Bercílio Silva, e o assessor especial, Vidal Áureo Mendonça.
Os representantes argentinos, segundo a administração do porto brasileiro, vêem em Rio Grande uma alternativa para os problemas logísticos do Mercosul. A intenção é realizar o transporte de contêineres até Rio Grande utilizando navios feeder. Lá, a carga seria transbordada para os navios de longo curso.
O porto La Plata, que movimenta anualmente cerca de cinco milhões de toneladas, está localizado em Ensenada, na margem Sul do estuário do Rio do Prata, próximo a Buenos Aires, e tem um calado de 28 pés. Podendo utilizar Rio Grande, que tem calado de 40 pés, os argentinos esperam ganhar em economia de escala.
Fonte: NetComex
Empresários brasileiros pedem paralisação de entrada da Venezuela no Mercosul
Novembro 30, 2007Empresários brasileiros pediram hoje ao Congresso que paralise os trâmites para a entrada da Venezuela no Mercosul, devido à ameaça feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, de nacionalizar as companhias privadas que se oponham à reforma constitucional que propõe.
“Não se pode calar perante a ameaça do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de confiscar as empresas filiadas à Federação de Câmaras e Associações de Produção (Fedecámaras) por sua oposição à reforma constitucional”, diz um comunicado da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
A nota, assinada pelo presidente da CACB, Alencar Burti, afirma que os empresários brasileiros entendem que “a democracia aceita apoios e críticas” e alertam para a “ameaça” que, em sua opinião, existe na Venezuela contra as liberdades empresariais e de pensamento.
Ele acrescenta que também se “preocupa com a ameaça” de que a Venezuela “esteja na iminência de participar (como membro pleno) do Mercosul”, o que depende da aprovação dos Congressos brasileiro e paraguaio, já que Caracas foi aceita pelos Parlamentos uruguaio e argentino.
Segundo a CACB, “causa muitas dúvidas a aceitação (no Mercosul) de um país cujo dirigente atenta contra aquilo que é a luta do empresariado há mais de 200 anos: a liberdade de empreender”.
Burti pede que o Congresso e o Governo do Brasil “revejam a posição de apoio à Venezuela como membro do Mercosul enquanto durarem as restrições à liberdade de manifestação e as pressões sobre os que se posicionam contra os interesses do Governo”.
Esta semana, em um ato público, Chávez advertiu que poderia nacionalizar as empresas que decidirem participar ativamente da campanha contra a reforma constitucional que propõe, que será votada em referendo no domingo.
Chávez fez a advertência depois que o porta-voz da Fedecámaras, José Manuel González, pediu que “votassem contra” a proposta de reforma constitucional apresentada pelo presidente e que a sociedade venezuelana se “manifeste” para impedir sua aprovação.
Fonte: Jornal de Brasilia
Empresários pedem acordo de livre comércio com México
Novembro 30, 2007Brasil e México, antigos rivais pela liderança latino-americana e parceiros hesitantes em matéria de comércio, querem estreitar relações comerciais em 2008, e os empresários brasileiros, pela primeira vez, estão à frente das pressões para um acordo de livre comércio entre os dois países. Em visita à Cidade do México, encerrada ontem, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, convidou o presidente Felipe Calderón para visitar o Brasil e o mexicano anunciou que virá ao país no segundo semestre de 2008. No primeiro semestre, os dois governos discutirão a ampliação dos atuais acordos comerciais.
“Do conjunto de acordos comerciais na mesa de negociações com o Brasil, é o México que pode gerar o acordo com maior impacto e mais oportunidades para a indústria brasileira”, disse ao Valor o diretor-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes. “A novidade é que a indústria no Brasil conseguiu um consenso mínimo e pela primeira vez tem uma proposta ofensiva para um acordo.”
A proposta, se assumida pelo governo brasileiro, terá de ser negociada também com os parceiros do Mercosul, já que o Brasil não pode firmar acordos comerciais separadamente do bloco. É uma incógnita a reação dos empresários argentinos, mas os brasileiros estão dispostos a fazer um trabalho intenso para convencer os parceiros, assim como os mexicanos. No próximo ano, o setor privado brasileiro começa a enviar missões ao México, para convidar mexicanos a vir ao Brasil conhecer oportunidades de negócio, e buscar aliados para negociar o acordo.
Entregue ao governo neste mês, a proposta do setor privado, reunido na Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), prevê três tipos de produtos, com cronogramas distintos para redução a zero das tarifas de importação. Uma “cesta” de mercadorias teria liberada imediatamente a importação, sem tarifas. Uma segunda “cesta” traria os produtos que hoje têm reduções de tarifa entre 20% a 70%, que teriam livre comércio entre três a sete anos. Em um terceiro grupo ficariam os produtos “sensíveis”, que hoje não têm qualquer esquema preferencial de importação, e que teriam a tarifa eliminada em dez anos.
No primeiro ano do acordo, os produtos de um país já deveriam ingressar no mercado vizinho com redução mínima de 30% nas tarifas de importação, propõe o setor privado brasileiro. Segundo o documento entregue pela CEB ao governo, os setores com maior interesse no mercado mexicano são o têxtil, o de máquinas, o de equipamentos mecânicos e elétricos e o químico. Os mexicanos querem reduzir as barreiras para vender ao Brasil principalmente produtos da área química e de fios e fibras artificiais e sintéticas.
Após analisarem as oportunidades e ameaças para os fabricantes nacionais, a Coalizão Empresarial concluiu que valia a pena abrir o mercado brasileiro aos mexicanos, se eles também eliminares as barreiras. Como diz o documento entregue ao governo: “O princípio da reciprocidade mostrou-se aceitável para os setores industriais brasileiros, a despeito de sensibilidades específicas”.
Antes mais ofensivos na defesa do acordo, que era visto com desconfiança pelos empresários brasileiros, os mexicanos agora mudaram de posição e estão na defensiva, temerosos principalmente da enorme competitividade brasileira, que tem gerado superávits comerciais crescentes, desde a assinatura do acordo de preferências comerciais (redução de tarifas) entre Mercosul e México, conhecido como ACE 53. De pouco mais de US$ 2 bilhões, em 2002, o saldo no comércio com o México, favorável ao Brasil, chegou a quase US$ 4 bilhões no ano passado.
Neste ano, porém, o aquecimento do mercado interno brasileiro e a valorização do real em relação ao dólar fez as exportações mexicanas ao Brasil aumentarem em 51,9%, enquanto as exportações brasileiras aos mexicanos sofriam uma queda superior a 7%. As vendas brasileiras ao México, neste ano, até outubro, foram de pouco menos de US$ 4,5 bilhões. As importações vêm crescendo consistentemente, desde 2003, quando foram de pouco mais de US$ 500 milhões, até este ano, quando já passaram de US$ 1,6 bilhão.
Segundo um integrante do governo mexicano que acompanha as negociações, os grandes superávits brasileiros levaram o setor privado mexicano - especialmente os do setor de alimentos - a pedir ao Ministério da Economia local que “esfriasse” as negociações. Há forte interesse dos produtores de eletroeletrônicos e químicos, porém, e a queda no superávit, neste ano (está em US$ 1,85 bilhão, entre janeiro e outubro) é vista por alguns membros do governo mexicano como um estímulo às negociações. Um dos principais fatores na queda foi a redução das vendas de automóveis, o principal produto de exportação, e o único em que o Mercosul e México têm acordo de livre comércio, inaugurado exatamente neste ano.
Na Cidade do México, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discutiu a ampliação, para mais produtos, do acordo de redução tarifária, com os secretários (ministros) de Relações Exteriores, Espinosa Cantellano, e de Economia, Eduardo Sojo. Os ministros concordaram em “intensificar esforços” para ampliar o acordo, o que deve se iniciar no primeiro trimestre do próximo ano, quando os técnicos encarregados da administração do acordo de preferências comerciais deverão discutir o tema, em reunião no Rio de Janeiro.
“O Brasil precisa fixar o México como alvo, prioritário”, defende José Augusto Fernandes, da CNI. “Será o primeiro acordo em que, de fato, a indústria tem de colocar toda a energia para chegar a um resultado positivo.”
Fonte: Valor Econômico
Escrito por Guilherme Oliveira