BNDES quer ampliar crédito à exportação

Novembro 30, 2007

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou que estão evoluindo bem as negociações com o Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) para a criação de um fundo no exterior para operações de financiamento do comprador (estrangeiro) de produtos ou serviços brasileiros. A demanda para 2008 desse tipo de operação, chamado de financiamento pós-embarque, é, segundo Coutinho, de aproximadamente US$ 10 bilhões. O novo fundo aliviaria as pressões sobre as fontes internas. Entre tudo o que poderá financiar, no Brasil e no exterior, e os projetos que aprovou, o banco precisa captar mais R$ 30 bilhões para o ano que vem.
“Como as reservas estão altas, é possível coordenar as operações do Tesouro e do Banco Central para agregar funding ao BNDES”, explicou. Essas operações no exterior terão, segundo Coutinho, várias fontes de financiamento e surgiu essa idéia que poderá ou não usar parte das reservas internacionais que estão em mais de US$ 175 bilhões. Ele advertiu que a relação desse fundo em moeda estrangeira com o fundo soberano estudado pelo governo, também é outro aspecto que compete à Fazenda e ao BC decidirem.
Coutinho não explicou como esse fundo será capitalizado, informando apenas que as decisões técnicas de como serão as operações cabem ao Tesouro Nacional e Banco Central. Na avaliação do presidente, a arquitetura desse novo fundo para lastrear operações externas do BNDES não vai perturbar o superávit primário porque os aportes não são contabilizados como despesa. Além disso, não vai significar duplicidade de atuação no mercado de câmbio. “Um funding em moeda estrangeira para ser usado no exterior vai ajudar a substituir fontes e aliviar a pressão sobre o funding do BNDES”, comentou. O presidente alertou que esses recursos não serão usados em operações domésticas.
Fonte: Valor Econômico


Mercosul pode ser o negócio do porto de Rio Grande

Novembro 30, 2007

Ao que parece, os argentinos podem comprar a idéia. Na mesma terça-feira, os diretores do porto La Plata, César Cordido e Jorge Argañaraz, juntamente com o gerente Comercial e Operacional, Marcelo Rostoll, estiveram em Rio Grande, onde se reuniram com o superintendente do porto do Rio Grande, Bercílio Silva, e o assessor especial, Vidal Áureo Mendonça.
Os representantes argentinos, segundo a administração do porto brasileiro, vêem em Rio Grande uma alternativa para os problemas logísticos do Mercosul. A intenção é realizar o transporte de contêineres até Rio Grande utilizando navios feeder. Lá, a carga seria transbordada para os navios de longo curso.
O porto La Plata, que movimenta anualmente cerca de cinco milhões de toneladas, está localizado em Ensenada, na margem Sul do estuário do Rio do Prata, próximo a Buenos Aires, e tem um calado de 28 pés. Podendo utilizar Rio Grande, que tem calado de 40 pés, os argentinos esperam ganhar em economia de escala.
Fonte: NetComex


Empresários brasileiros pedem paralisação de entrada da Venezuela no Mercosul

Novembro 30, 2007

Empresários brasileiros pediram hoje ao Congresso que paralise os trâmites para a entrada da Venezuela no Mercosul, devido à ameaça feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, de nacionalizar as companhias privadas que se oponham à reforma constitucional que propõe.
“Não se pode calar perante a ameaça do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de confiscar as empresas filiadas à Federação de Câmaras e Associações de Produção (Fedecámaras) por sua oposição à reforma constitucional”, diz um comunicado da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
A nota, assinada pelo presidente da CACB, Alencar Burti, afirma que os empresários brasileiros entendem que “a democracia aceita apoios e críticas” e alertam para a “ameaça” que, em sua opinião, existe na Venezuela contra as liberdades empresariais e de pensamento.
Ele acrescenta que também se “preocupa com a ameaça” de que a Venezuela “esteja na iminência de participar (como membro pleno) do Mercosul”, o que depende da aprovação dos Congressos brasileiro e paraguaio, já que Caracas foi aceita pelos Parlamentos uruguaio e argentino.
Segundo a CACB, “causa muitas dúvidas a aceitação (no Mercosul) de um país cujo dirigente atenta contra aquilo que é a luta do empresariado há mais de 200 anos: a liberdade de empreender”.
Burti pede que o Congresso e o Governo do Brasil “revejam a posição de apoio à Venezuela como membro do Mercosul enquanto durarem as restrições à liberdade de manifestação e as pressões sobre os que se posicionam contra os interesses do Governo”.
Esta semana, em um ato público, Chávez advertiu que poderia nacionalizar as empresas que decidirem participar ativamente da campanha contra a reforma constitucional que propõe, que será votada em referendo no domingo.
Chávez fez a advertência depois que o porta-voz da Fedecámaras, José Manuel González, pediu que “votassem contra” a proposta de reforma constitucional apresentada pelo presidente e que a sociedade venezuelana se “manifeste” para impedir sua aprovação.
Fonte: Jornal de Brasilia


Empresários pedem acordo de livre comércio com México

Novembro 30, 2007

Brasil e México, antigos rivais pela liderança latino-americana e parceiros hesitantes em matéria de comércio, querem estreitar relações comerciais em 2008, e os empresários brasileiros, pela primeira vez, estão à frente das pressões para um acordo de livre comércio entre os dois países. Em visita à Cidade do México, encerrada ontem, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, convidou o presidente Felipe Calderón para visitar o Brasil e o mexicano anunciou que virá ao país no segundo semestre de 2008. No primeiro semestre, os dois governos discutirão a ampliação dos atuais acordos comerciais.
“Do conjunto de acordos comerciais na mesa de negociações com o Brasil, é o México que pode gerar o acordo com maior impacto e mais oportunidades para a indústria brasileira”, disse ao Valor o diretor-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes. “A novidade é que a indústria no Brasil conseguiu um consenso mínimo e pela primeira vez tem uma proposta ofensiva para um acordo.”
A proposta, se assumida pelo governo brasileiro, terá de ser negociada também com os parceiros do Mercosul, já que o Brasil não pode firmar acordos comerciais separadamente do bloco. É uma incógnita a reação dos empresários argentinos, mas os brasileiros estão dispostos a fazer um trabalho intenso para convencer os parceiros, assim como os mexicanos. No próximo ano, o setor privado brasileiro começa a enviar missões ao México, para convidar mexicanos a vir ao Brasil conhecer oportunidades de negócio, e buscar aliados para negociar o acordo.
Entregue ao governo neste mês, a proposta do setor privado, reunido na Coalizão Empresarial Brasileira (CEB), prevê três tipos de produtos, com cronogramas distintos para redução a zero das tarifas de importação. Uma “cesta” de mercadorias teria liberada imediatamente a importação, sem tarifas. Uma segunda “cesta” traria os produtos que hoje têm reduções de tarifa entre 20% a 70%, que teriam livre comércio entre três a sete anos. Em um terceiro grupo ficariam os produtos “sensíveis”, que hoje não têm qualquer esquema preferencial de importação, e que teriam a tarifa eliminada em dez anos.
No primeiro ano do acordo, os produtos de um país já deveriam ingressar no mercado vizinho com redução mínima de 30% nas tarifas de importação, propõe o setor privado brasileiro. Segundo o documento entregue pela CEB ao governo, os setores com maior interesse no mercado mexicano são o têxtil, o de máquinas, o de equipamentos mecânicos e elétricos e o químico. Os mexicanos querem reduzir as barreiras para vender ao Brasil principalmente produtos da área química e de fios e fibras artificiais e sintéticas.
Após analisarem as oportunidades e ameaças para os fabricantes nacionais, a Coalizão Empresarial concluiu que valia a pena abrir o mercado brasileiro aos mexicanos, se eles também eliminares as barreiras. Como diz o documento entregue ao governo: “O princípio da reciprocidade mostrou-se aceitável para os setores industriais brasileiros, a despeito de sensibilidades específicas”.
Antes mais ofensivos na defesa do acordo, que era visto com desconfiança pelos empresários brasileiros, os mexicanos agora mudaram de posição e estão na defensiva, temerosos principalmente da enorme competitividade brasileira, que tem gerado superávits comerciais crescentes, desde a assinatura do acordo de preferências comerciais (redução de tarifas) entre Mercosul e México, conhecido como ACE 53. De pouco mais de US$ 2 bilhões, em 2002, o saldo no comércio com o México, favorável ao Brasil, chegou a quase US$ 4 bilhões no ano passado.
Neste ano, porém, o aquecimento do mercado interno brasileiro e a valorização do real em relação ao dólar fez as exportações mexicanas ao Brasil aumentarem em 51,9%, enquanto as exportações brasileiras aos mexicanos sofriam uma queda superior a 7%. As vendas brasileiras ao México, neste ano, até outubro, foram de pouco menos de US$ 4,5 bilhões. As importações vêm crescendo consistentemente, desde 2003, quando foram de pouco mais de US$ 500 milhões, até este ano, quando já passaram de US$ 1,6 bilhão.
Segundo um integrante do governo mexicano que acompanha as negociações, os grandes superávits brasileiros levaram o setor privado mexicano - especialmente os do setor de alimentos - a pedir ao Ministério da Economia local que “esfriasse” as negociações. Há forte interesse dos produtores de eletroeletrônicos e químicos, porém, e a queda no superávit, neste ano (está em US$ 1,85 bilhão, entre janeiro e outubro) é vista por alguns membros do governo mexicano como um estímulo às negociações. Um dos principais fatores na queda foi a redução das vendas de automóveis, o principal produto de exportação, e o único em que o Mercosul e México têm acordo de livre comércio, inaugurado exatamente neste ano.
Na Cidade do México, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discutiu a ampliação, para mais produtos, do acordo de redução tarifária, com os secretários (ministros) de Relações Exteriores, Espinosa Cantellano, e de Economia, Eduardo Sojo. Os ministros concordaram em “intensificar esforços” para ampliar o acordo, o que deve se iniciar no primeiro trimestre do próximo ano, quando os técnicos encarregados da administração do acordo de preferências comerciais deverão discutir o tema, em reunião no Rio de Janeiro.
“O Brasil precisa fixar o México como alvo, prioritário”, defende José Augusto Fernandes, da CNI. “Será o primeiro acordo em que, de fato, a indústria tem de colocar toda a energia para chegar a um resultado positivo.”
Fonte: Valor Econômico


Fiesp quer deixar Venezuela fora do Mercosul

Novembro 29, 2007

Acreditam os dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que só nesta semana decidiu uma posição comum em relação ao polêmico candidato a parceiro de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. “O Mercosul é um sucesso comercial, mas os problemas institucionais estão se acumulando e só aumentam com a entrada da Venezuela”, diz o diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais de Comércio Exterior da Fiesp, Thomas Zanotto.
Os diretores da Fiesp aprovaram informalmente, na segunda-feira, uma nota técnica apresentada por Zanotto sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul, que aponta pequenos ganhos econômicos com a integração da Venezuela ao bloco, e “potencial prejuízo político”. A nota ressalta a resistência do governo da Venezuela em fixar o cronograma de abertura comercial com a Argentina e o Brasil e lembra que já há um processo de liberalização de comércio com a Venezuela, acertado no acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a Comunidade Andina, pelo qual os venezuelanos já se comprometeram a retirar barreiras às mercadorias argentinas e brasileiras até 2018.
A nota da Fiesp é a manifestação mais forte da indústria paulista de restrições à entrada da Venezuela. O documento reconhece que o país tem sido um mercado importante para os produtos industrializados do Brasil, especialmente automóveis, e fonte de receita significativa para empresas de serviços como a Odebrecht, que já concluiu três linhas do metrô de Caracas e pretende atuar na quarta linha. Petrobras e Vale do Rio Doce têm planos de investimentos para o país. Os fortes interesses empresariais vinham moderando as manifestações da Fiesp, mas as preocupações com as conseqüências da agressiva política externa de Chávez determinaram a mudança de tom.
Ao solicitar a entrada no Mercosul a Venezuela comprometeu-se em antecipar o início do livre comércio para 2014, mas o presidente Chávez resiste a definir as listas dos produtos que teriam liberação imediata e dos que só teriam tarifas de importação reduzidas a zero no fim do prazo para estabelecimento do livre comércio. A Fiesp, fazendo coro à Confederação Nacional da Indústria (CNI), que já tinha feito manifestação semelhante, critica a Venezuela também pela falta de definições sobre temas técnicos importantes, como os critérios de normas de origem ou a adoção dos acordos do Mercosul com terceiros países.
Terminou em 18 de novembro o prazo para o grupo de trabalho que deveria dar respostas às pendências nas discussões da Venezuela com o Mercosul, entre elas a adoção, pelos venezuelanos, da nomenclatura comum do Mercosul (NCM, usada para classificação dos produtos no comércio externo), as listas de produtos que adotarão a tarifa externa comum do bloco e a maneira como o país pretende adotar os tímidos avanços para acabar com a dupla cobrança de imposto de importação nos produtos de outros países que transitam de um sócio a outro. Esse grupo deveria concluir os trabalhos em maio, teve o prazo estendido, mas os venezuelanos rejeitaram as datas de reunião.
Ao Itamaraty, os representantes de Hugo Chávez disseram não ver razão de prosseguir nas discussões técnicas quando dois dos sócios do Mercosul, Brasil e Paraguai, ameaçavam recusar o protocolo de adesão da Venezuela, um documento de caráter essencialmente político, de manifestação do interesse mútuo de associação entre o país e o bloco do Cone Sul.
Para a Fiesp, que elaborou a nota técnica com a intenção de influir no debate no Congresso brasileiro sobre a entrada do novo sócio no Mercosul, as atitudes dos assessores de Chávez levam “a crer que o atual governo venezuelano tem intenções de fazer uso meramente político do Mercosul em lugar de se adaptar ao enquadramento institucional e normativo do bloco”.
A nota da Fiesp também mostra preocupação com o futuro das negociações comerciais do bloco, com países como os da União Européia ou os Estados Unidos. “As divergências de relacionamento da Venezuela coincidem em grande parte com os principais destinos das exportações brasileiras”, diz o documento, que teme “empecilhos” postos por Chávez aos acordos, com “prejuízos econômicos” ao Brasil.
Embora classifique o posicionamento da Fiesp como “90% técnico”, Thomas Zanotto reconhece que a nota toca em temas políticos e chega a defender que, caso os parlamentares brasileiros aprovem a entrada da Venezuela no Mercosul, devem condicionar a decisão a “compromissos específicos e efetivos desse país com os preceitos democráticos e de estabilidade da região”.
Fonte: Valor On Line


Acordo entre Mercosul e Israel deve estar próximo

Novembro 29, 2007

Brasil e Argentina confirmaram nesta quarta-feira que o Mercosul está perto de concluir as negociações para um acordo comercial com Israel. Fontes do Itamaraty reconheceram que “há possibilidades reais” de que o tratado seja concluído amanhã, no encerramento da rodada de negociações o bloco e o país.— O bloco está muito perto de fechar acordo — admitiram também porta-vozes do secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina, Alfredo Chiaradía.Segundo as mesmas fontes argentinas, ainda “não existe a certeza” de que amanhã será anunciado o fim das conversas, como haviam previsto representantes israelenses em Genebra, Suíça. O acordo com Israel poderia ser assinado durante a Cúpula do Mercosul, prevista para meados de dezembro, em Montevidéu. Na terça-feira, em Buenos Aires, o diretor do Departamento para a América do Sul da chancelaria israelense, Alexander Ben Zvi, já tinha antecipado a proximidade do acordo.— Em nível político, já está 98% pronto. Ainda precisamos acertar detalhes mínimos com Uruguai e Paraguai, mas esperamos uma grande notícia para a Cúpula de Montevidéu, dia 17 de dezembro — disse Ben Zvi.A Venezuela, que é associada ao Mercosul, embora ainda não o integre, como a maioria dos países sul-americanos, tem uma estreita relação com o Irã, inimigo de Israel. Na Cúpula do Mercosul, no ano passado, na cidade argentina de Córdoba, estava na agenda da reunião a assinatura do acordo, que acabou não acontecendo.
Fonte: Zero Hora


Seminario Brasil Argentina

Novembro 29, 2007

Informe que estarei participando do Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos - Brasil & Argentina hoje a tarde.

Estarei a disposição para maiores detalhes sobre o Semiário.


Importação dispara e derruba o superávit da balança comercial

Novembro 28, 2007

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ apenas 139 milhões na quarta semana do mês (de 19 a 25). A queda em relação à semana anterior foi de 79,94%. Vale lembrar que a semana passada teve um dia útil a menos em diversas localidades (terça-feira, Dia da Consciência Negra).
As exportações somaram US$ 3,5 bilhões, uma alta de 30,69%. A média de vendas externas por dia útil chegou a US$ 700 milhões.
O que contribuiu para o baixo superávit na semana foi a alta acentuada das importações, que fecharam em US$ 3,361 bilhões, com média de US$ 672,2 milhões por dia útil. O avanço sobre a terceira semana do mês foi de 69,31%.
Com os resultados, o superávit de novembro agora é de US$ US$ 1,258 bilhão. O acumulado em 2007 (225 dias úteis até agora) alcançou US$ 35,994 bilhões (US$ 142,787 bilhões em exportação e US$ 106,843 bilhões em importação), uma queda de 12,05% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 40,872 bilhões).
Analistas do mercado financeiro consultados semanalmente para o Boletim Focus, do Banco Central, apostam num superávit de US$ 40,80 bilhões em 2007.
Fonte: Cidade Biz


OMC retoma investigação sobre subsídios

Novembro 28, 2007

A Organização Mundial do Comércio (OMC) acionou ontem o prazo para investigar a denúncia de Brasil e Canadá contra 88 programas de subsídios agrícolas dados pelos EUA, em volume que violaria compromissos internacionais. O Órgão de Solução de Controvérsias, principal mecanismo da OMC, estava bloqueado até ontem devido a uma briga política entre China e Taiwan. Os taiwaneses utilizaram o direito de bloqueio para contestar a nomeação de uma juíza da China para o Órgão de Apelação, espécie de suprema corte do comércio global.
Após vários dias de negociações, depois de receber garantias por escrito do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, sobre a atuação imparcial da juíza chinesa, Taiwan retirou sua oposição e as atividades voltaram ao normal.
Sem surpresas, os EUA bloquearam a demanda de painel (comitê de investigação) do Brasil e do Canadá. Na próxima reunião, dia 17 de dezembro, o pedido será aprovado automaticamente. A briga será então sobre a escolha dos juízes.
Brasil e Canadá alegam que os EUA excederam o volume de subsídios agrícolas autorizado, que é de US$ 19,1 bilhões, entre 1999 e 2002 e em 2005. Washington contestou tudo e acusou Brasil e Canadá de desviarem recursos, tempo e atenção da Rodada Doha, ao reclamarem de programas que teriam deixado de existir há mais de cinco anos. Já para os brasileiros, está claro que a disputa chama a atenção para a resistência americana em reduzir os subsídios que distorcem o comércio e dão vantagem desleal a seus produtores.

Fonte: Valor Econômico


Malha brasileira aguarda expansão

Novembro 27, 2007

Enquanto os 8,4 milhões de quilômetros quadrados brasileiros contam com 28,5 mil quilômetros de ferrovias, a Alemanha, com seus quase 350 mil quilômetros quadrados tem 45 mil quilômetros de extensão de malha ferroviária. No Brasil, o ideal hoje seria 55 mil quilômetros.
Segundo a ATNF, o desenvolvimento ferroviário brasileiro sofreu com a falta de planejamento e pelos baixos investimentos, o que resultou em desequilíbrio na matriz do transporte nacional. O resultado foi um modal pouco competitivo.
Os números já melhoraram a partir da desestatização. Como resultado do desempenho das concessionárias, a participação das ferrovias no transporte de cargas, que era de 19% em 1999, atingiu a marca de 26% em 2006. As estatísticas são positivas, mas ainda há espaço para crescer. Em outros países de características semelhantes às do Brasil (grande área territorial e expressivos setores agrícola e mineral), as ferrovias são responsáveis por até 50% do transporte de cargas.
Entre as medidas emergenciais, as concessionárias esperam a participação efetiva do governo federal. “Se a contrapartida da União continuar reduzida, a produção do setor poderá parar de crescer entre 2010 e 2012, comprometendo a logística”, adverte o diretor-executivo da ANTF Rodrigo Vilaça. É que no processo de desestatização foi estabelecida concessão, o que não implica a renúncia do domínio e da titularidade do serviço por parte do poder público.
O governo federal continua com a responsabilidade de definir prioridades, o padrão de qualidade dos serviços. Também é a União que precisa exercer pressão legítima sobre seus parceiros, no sentido de que obtenham ganhos de eficiência e mantenham padrão adequado de qualidade dos serviços e tarifas justas.
O desempenho do setor primário também ajudou no bom momento da ferrovia de cargas. “Fomos contemplados com o tamanho da safra agrícola”, destaca Leandro Afonso Maia, gerente da Unidade de Negócios Granéis Sul da ALL. Somente no Rio Grande do Sul, a empresa deverá fechar 2007 transportando 20% a mais do que no ano anterior, o equivalente a 4,8 milhões de toneladas entre soja, arroz, milho, trigo e fertilizantes. “Trata-se de uma massa gigante de grãos”, resume.
Os números foram pouca coisa maiores do que os de 2006, ano que também contribuiu para o desempenho desta área, depois de dois anos de seca e perdas agrícolas no Estado. Para poder aumentar o volume transportado, a ALL precisa investir não só em novos vagões, mas também em pátios para acomodar as locomotivas.
Foi isso que aconteceu nos últimos anos, com o incremento do tamanho das áreas para fazer o cruzamento e a formação de trens. Em Vacaria, a parceria com a Padrozem, outra empresa privada, resultou na ampliação do local e da capacidade de carregamento. O mesmo aconteceu em Passo Fundo. É na região de Cruz Alta que está a maior concentração. Dos 300 vagões da ALL que circulam em média por dia no Estado, 150 saem de lá.
Para 2008, a companhia planeja entrar mais forte em outros mercados e intensificar a atuação via novos terminais. Por isso, está alinhavando parcerias em Santo Ângelo, Giruá e Bagé, por exemplo. A expectativa é de que o ano que vem apresente um crescimento de 20% sobre a carga de 2007, e fique em torno de 6 milhões de toneladas.

Fonte: Jornal do Comércio / RS